terça-feira, 24 de agosto de 2010

Pneumatologia - O CONSOLADOR

INTRODUÇÃO

Na Santa Ceia nosso Senhor falou da sua traição, da sua morte e da sua partida que estava próxima. Embora Cristo tivesse ensinado os Seus apóstolos sobre isso durante algum tempo (Mateus 16:16-21), contudo parece que só naquela hora os discípulos compreenderam o que Jesus havia falado. Quando pensaram em viver sem Jesus no meio deles sentiram-se esmagados. Quando Cristo falou das perseguições vindouras (João 16:1-4), os seus corações ficaram cheios de tristeza (João 16:6).

Os apóstolos tinham visto nuvens de dificuldade unindo-se a muito tempo, mas eles se sentiam seguros com a presença de Cristo. Nosso Salvador tinha acalmado cada tempestade, alimentou a multidão quando eles eram impotentes e expulsou o demônio que eles não puderam expulsar. Ele tinha sido o guia infalível e o Seu professor. Eles se sentiam, agora, como órfãos impotentes. Contra o cenário escuro da Sua iminente ida para o céu o nosso Senhor falou palavras de conforto em João, capítulos 14 a 16. Foi neste momento que Ele os deu a promessa de outro Consolador (João 16:7).

Hoje, para os cristãos que nunca conheceram a Cristo na carne (II Cor 5:16), o medo dos apóstolos pode parecer uma fraqueza. Nós tendemos a esquecer que a nossa força e toda a nossa direção vêm da habitação do Espírito de Deus. Nesta lição desejamos aprofundar-nos na missão do Espírito como nosso Consolador. Este trabalho é tão maravilhoso que foi expresso que Cristo deveria partir para que o Espírito pudesse ser enviado (João 16:7).

I. O QUE É CONFORTO.

Conforto é uma experiência agradável, porém implica a presença de dificuldades. Este mundo é um lugar de tribulação, perseguição, e lágrimas para os filhos de Deus. Antes da partida de Cristo Ele assegurou aos apóstolos que a dificuldade seria grande em suas vidas (João 16:1-4). O filho de Deus, portanto, não deve esperar o fim das dificuldades mas o conforto em suas aflições.

II. A NECESSIDADE DE CONFORTO.

O Cristão que passa pela vida como se fosse um órfão infeliz certamente não deve estar vivendo concernente com os seus privilégios. Deus pretende que Seus filhos tenham conforto e alegria neste mundo (João 14:27, João 16:33, Romanos 14:17, João 14:18). Um Cristão miserável é culpado de incredulidade (Romanos 15:13), e tem um testemunho insignificante. A alegria do Senhor é a nossa força e a chave para o sucesso no serviço (Neemias 8:10, Salmo 51:12-13).

Nota: Deve ser mencionado que a alegria Cristã não é incompatível a um grau de pesar sob a existência do pecado e o desejo de ir para o céu. Nós recebemos conforto em nossas aflições e podemos regozijar nelas (Tiago 1:2).

III. O CONSOLADOR.

A palavra grega usada para consolador é 'parakletos' que significa "pessoa chamada para acompanhar..." o Espírito Santo como um consolador é nosso ajudante, conselheiro e defensor.

Em I João 2:1, Cristo é mencionado como nossa 'parakletos'. Em João 14:16 Cristo disse que Ele enviaria "outro" consolador. A palavra grega para "outros" é allos e significa "outro do mesmo tipo." O Espírito Santo é, então, (assim como era Cristo) uma pessoa divina que zela por nós na ausência física de Cristo. Sendo onisciente Ele pode nos ensinar a vontade de Deus. Sendo onipotente Ele nos apoia no mundo. Ele nos ama assim como Cristo faz e, está em comunhão conosco (Rom 15:30; II Cor 13:14).

IV. COMO O ESPÍRITO SANTO CONFORTA OS CRENTES.

A. O Espírito Instrui os Cristãos.
Cristo constantemente instruiu os Seus apóstolos durante o Seu ministério terrestre, contudo com à sua partida, eles tiveram, ainda, muito a aprender. Ele lhes "prometeu outro Consolador" que continuaria ensinando-lhes (João 14:26, João 16:13-14). Nesta condição o Espírito Santo é chamado de "O Espírito da verdade" (João 14:17) que veio dar-lhes palavras que deveriam dizer quando fossem perante os tribunais (Mat. 10:17-20). Em tempos apostólicos ele ensinou pela revelação e pela iluminação. Com a conclusão do Novo Testamento Seu trabalho ficou limitado a iluminação (Mateus 10:17-20).

B. O Espírito Intercede pelos Cristãos.
Em Romanos 8:26-27¹, aprendemos que o Espírito Santo intercede por nós incitando as nossas orações. Isto não deve ser confundido com o trabalho de Cristo como intercessor, Que é nosso advogado (Grego, 'parakletos') perante o Pai (I João 2:1). Com base na obra remissória terminada por Cristo, Ele intercede ao nosso lado perante o Pai. O Espírito Santo intercede, porém, não diretamente a nosso favor, mas nos ensinando como orar. O Seu trabalho pode ser comparado ao de um advogado que instrui o seu cliente sobre o que ele deve dizer no tribunal. É interessante considerar que a palavra 'parakletos' tem uma conotação interessante e é traduzida como "advogado" em I João 2:1. É bom sabermos que quando ajoelhamos para orar temos alguém guiando-nos e que conhece a vontade de Deus, podendo conduzir-nos em nossos desejos e petições (Romanos 8:27, Zechariah 12:10, Efésios 6:18).

¹No verso 26 as palavras "gemidos inexprimíveis" confundem a algumas pessoas. Eles se referem às emoções ardentes do crente que sente remorso por fracassos ou porque deseja ser mais como Cristo. Freqüentemente esses desejos são tão fortes que são desabafados em gemidos, em lugar de orações verbais. Deus os ouve, porém, e entende da mesma maneira que a mãe escuta os gemidos de uma criança doente ou sedenta. Claro que o Espírito Santo é que produz tal desejo no coração do Cristão.

Nota: O autor não pode deixar de refletir sobre o fato de o nosso Senhor ter ensinado Seus discípulos a orar durante seus dias na Terra. O Espírito Santo é verdadeiramente um "outro consolador" do mesmo tipo.

C. O Espírito Sela os Cristãos.
Em Efésios 4:30, entendemos que os crentes são selados pelo Espírito até o dia da redenção. O fato de o Espírito que nos habita nunca nos deixar foi usado por Cristo como uma forte base de consolação (João 14:16,17). Essas Escrituras parecem contrastar a presença contínua do Espírito de Deus com a natureza temporária da presença física de Cristo.

D. O Espírito Assegura aos Cristãos o Amor de Deus.
O Espírito Santo conforta as pessoas eleitas por Deus fazendo com que reconheçam em suas almas o amor que Deus tem para com elas (Romanos 5:5). O Espírito revela a nós tudo aquilo que Deus nos preparou (I Coríntios 2:9-10) como resultado do Seu amor.

E. O Espírito Produz Fé nos Cristãos.
Toda a fé e esperança tida pelo crente foi produzida pelo Espírito Santo. Ele sustenta essas graças que agem como uma âncora em nossas almas (Romanos 15: 13, Gálatas 5:22).

F. O Espírito Produz Gozo nos Cristãos.
Romanos 14:17, Gálatas 5:22,

G. O Espírito Santifica os Cristãos.
O Espírito Santo conforta o crente fortalecendo a sua graça, dando-lhe vitória sobre o pecado. O Espírito não deixará o trabalho iniciado na regeneração ser superado ou destruído por Satanás (Fil. 1:6; Rom 6:14)..

H. O Espírito Habilita o Evangelho.
O Espírito Santo conforta o crente dando-lhe sucesso em seu trabalho na Grande Comissão. Nós não permanecemos sozinhos em uma tarefa impossível, mas somos dotados de poder Divino (Atos 1:8, I Pedro 1:12, I Tessalonicenses 1:5).

I. O Espírito Equipa a Igreja.
O Espírito Santo é um conforto e uma ajuda para o povo de Deus, colocando nas igrejas dons necessários para a sua edificação (I Coríntios 12:1-31, Efésios 4:11-12). A próxima vez que formos abençoados pelo ministério de outro crente, devemos relembrar-nos de Quem capacitou aquela pessoa para que fosse uma bênção.

CONCLUSÃO

O Salvador falou do Espírito Santo somente como nosso "Consolador", isto Ele fez somente poucas horas antes do Calvário. Para apreciar os benefícios que nós recebemos diariamente de nosso 'Parakletos' Celestial meditemos nos sentimentos dos apóstolos naquela triste noite. Eles se sentiram profundamente impotentes e tristes. Não menosprezamos a bênção que recebemos na vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes?



Autor: Pr Ron Crisp
Fonte: www.obreiroaprovado.com

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