quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Práticas Devocionais - PRÁTICA DA CONFISSÃO

A prática da confissão é a arte de se apresentar constantemente diante de Deus para se declarar culpado de pecados pessoais e específicos, depois de suficientemente alertado e repreendido pela boa consciência, pela Palavra de Deus e pelo Espírito, com o propósito de obter perdão e purificação, mediante a. obra vicária de Jesus Cristo. A confissão verdadeira remove a crise provocada pelo pecado e restaura a comunhão perdida ou arranhada. A comprovação de sua eficácia depende mais da fé do que de sentimentos. Por meio da contínua confissão de qualquer transgressão e de qualquer omissão é perfeitamente possível manter a higiene da alma.

A confissão de pecados é uma bênção e um direito outorgado por Deus para uso contínuo, até que venha o Senhor e transforme "o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo de sua glória" (Fp 3.21). É a providência divina para sanar as fraquezas cometidas ao longo da caminhada cristã: "Estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo; e Ele é a propiciação pêlos nossos pecados", (1 Jo 2.1-2.) Poucas coisas provocam tanto bem-estar como a prática da confissão: "Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto" (Sl 32.1). Não obstante, é bom ficar bem claro que a confissão remove a culpa e a sujeira moral, mas não remove as consequências naturais do pecado, embora possa aliviá-las.

O texto bíblico que mais encoraja a prática da confissão é este: "Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1 Jo 1.9). Se você acredita nesta dupla promessa — a promessa do perdão e a promessa da purificação — e faz a confissão devida, você pode e deve levantar-se de seus joelhos na certeza de que alcançou ambas as bênçãos.

O QUE CONFESSAR

Algumas pessoas têm dificuldade de confessar. Não sa¬bem exatamente o que declarar diante de Deus. Porque a confissão deve ser consciente e precisa, aqui estão algumas lembranças:

1. Confesse o pecado cometido.
Deus exige que você confesse "aquilo em que pecou" (Lv 5.5). Cite o pecado pelo nome certo. Talvez seja a inveja, a maledicência, a dificuldade de perdoar, a irritação, a palavra impiedosa, a indelicadeza, o egoísmo, a soberba, a contenda, a lascívia, a falta de amor, a apropriação indébita, a profanação do nome de Deus, o mau trato dispensado ao cônjuge ou ao filho, a acepção de pessoas, a incredulidade para com Deus e muitas outras coisas. Declare sua falha, desobediência e culpa.

2. Confesse a pecaminosidade latente.
Mesmo que você não tenha chegado ao ponto de satisfazer a vontade de pecar, é justo que você lamente diante de Deus o potencial pecaminoso de que é portador. Já é um transtorno e sinal de decadência a vontade de mentir, a vontade de adulterar, a vontade de aparecer, a vontade de roubar, a vontade de difamar. Nesse caso, você confessa não o pecado cometido, mas o pecado desejado. Esse tipo de confissão é saudável, pois revela que você tem consciência pessoal da queda, da vulnerabilidade e da necessidade do auxílio do alto. Observe como o salmista se queixa de alguma coisa que o acompanha sempre: "Pois estou prestes a tropeçar; a minha dor está sempre perante mim" (Sl 38.17); "A minha ignomínia está sem¬pre diante de mim" (Sl 44.15); "O meu pecado está sempre diante de mim" (Sl 51.3). A melhor confissão da pecaminosidade latente foi escrita e assinada por Paulo: "Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum" (Rm 7.18).

3. Confesse o seu envolvimento com a estrutura pecaminosa deste mundo e com os pecados dos outros.
Muito mais frequentemente do que pensamos, certas atitudes nossas provocam o pecado alheio e vice-versa. É muito fácil ser "cúmplice de pecados de outrem" (1 Tm 5.22). Os pais podem irritar os filhos, o marido bruto e egoísta pode levar à infidelidade a esposa, os patrões ricos e sovinas podem causar desânimo e rebeldia aos trabalhadores, os governos injustos podem provocar desobediência civil e anarquia. Essa quota de participação no pecado geral precisa ser confessada. Isaías se declarou perdido porque era homem de lábios impuros e habitava "no meio dum povo de impuros lábios" (Is 6.5).

4. Confesse as faltas que lhe são ocultas.
Há pecados tão corriqueiros, costumeiros e generalizados que não são de imediato e fácil discernimento. Mesmo assim devem ser confessados, a exemplo de Davi: "Quem sou eu para saber os pecados que se escondem em meu interior? Por favor, Senhor, perdoa estes meus pecados ocultos!" (Sl 19-12, BV.) Junto com essa confissão, você deve fazer esta súplica: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração: prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno" (Sl 139.23, 24).

FORMAS DE CONFISSÃO

Tome cuidado com a confissão formal, generalizada demais, extremamente vaga, baseada em chavões, quase sempre desacompanhada de convicção real de pecado e de outro ingrediente indispensável, que é o arrependimento,

A confissão pode ser individual e coletiva. Na primeira, você usa o verbo na primeira pessoa do singular: "Eu pequei". É o caso de Davi: "Pequei contra o Senhor" (2 Sm 12.13). É também o caso da principal personagem da parábola do filho pródigo: "Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho" (Lc 15.21). Na segunda, você usa o verbo na primeira pessoa do plural: "Nós pecamos". É o caso de Neemias, na cidadela de Susã, ao tomar conhecimento da situação de Jerusalém: "Eu e a casa de meu pai temos pecado" (Ne 1.6). Na confissão coletiva, cada um assume a sua própria culpa, como família (eu e meus filhos pecamos), como igreja (eu e meus irmãos pecamos) e como nação (eu e meus compatriotas pecamos).

A confissão pode ser ainda normal e especial. A primeira é a confissão de pecados e deslizes recentes, feita com o objetivo de manter a higiene da alma. Depende de uma constante e apurada sensibilidade e da prática da vigilância. A segunda é a confissão de pecados e deslizes acumulados, trazidos à tona em épocas de reavivamento. Depende de um mover poderoso do Espírito de Deus na igreja.

OBSTÁCULOS À CONFISSÃO

O homem que cometeu adultério com Bate-Seba e mandou matar o marido dela admite que perdeu muito tempo enquanto calou os seus pecados. A mão de Deus pesava sobre ele dia e noite e o seu vigor se tornou em sequidão de estio. Ele precisava desesperadamente do perdão de Deus e da perfeita paz, que só viriam depois da confissão. Davi mesmo se prejudicou e se desgastou desnecessariamente, atrasando o processo da cura do pecado (Sl 32.1-5). É de todo necessário conhecer e analisar os obstáculos que tornam morosa e tardia a prática da confissão:

1. Orgulho
O pecador não quer admitir que pecou e resiste ao processo que o pode levar a ter convicção de pecado. Ele diz: "Não pequei", quando deveria dizer exatamente o contrá-rio: "Pequei". O fariseu da parábola de Jesus chegava a dar graças a Deus porque não era como os demais homens, nem ainda como aquele publicano que se declarava culpado diante de Deus (Lc 18.9-14). Tais pessoas preferem fugir a vida inteira da justiça divina, à semelhança de Caim: "Serei fugitivo e errante pela terra" (Gn 4.14).

2. Consciência endurecida
O pecador não percebe o seu próprio pecado. Enxerga com facilidade e, às vezes, com lentes de aumento o pecado alheio, mas é incapaz de se ver "infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu", como aconteceu com o anjo da igreja em Laodicéia. (Ap 3.17.) Este é um fenômeno comum. Quando acusado, o pecador sempre pergunta: "Por que nos ameaça o Senhor com todo este grande mal? qual é a nossa iniquidade, qual é o nosso pecado, que cometemos contra o Senhor nosso Deus?" (Jr 16.10.) Essa dificuldade leva o pecador às raias do cinismo: "Em que desprezamos nós o teu nome?", "Em que o enfadamos?", "Em que havemos de tornar?", "Em que te roubamos?" e "Que temos falado contra ti?" (Ml 1.6; 2.17; 3.7, 8, 13.)

3. Medo de pecar outra vez
O pecador admite que pecou, mas já cometeu o mesmo pecado outras vezes e não está suficientemente seguro de que não o cometerá mais. Então, ele prefere não confessar a reincidência. Ele teme o cinismo, o que é uma virtude. Porém a falta de confissão vai deixar a porta aberta ao pecado, além de trazer outros prejuízos. Se houver arrependimento, nada impede que ele volte à confissão quantas vezes forem necessárias. Ora, se Jesus nos ensinou a perdoar "até setenta vezes sete" (Mt 18.22), não nos perdoaria o mesmo tanto se dele nos aproximássemos para dizer mais uma vez: "Estou arrependido"? (Lc 17.3-4.)

4. Noção de pecado
O pecador não sabe ao certo o que é pecado. Ele é capaz de coar o mosquito e engolir o camelo (Mt 23.24). Dá mais atenção à tradição cultural do que à Palavra de Deus (Mt 15.6). Às vezes, só enxerga o pecado sexual; outras, só toma conhecimento do pecado social. Para resolver essa dificuldade realmente séria, é necessário recorrer ao conceito de pecado tão bem resumido nestas palavras: "Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou qualquer transgressão dessa lei".

OS ALARMES DE DEUS

Assim como a febre anuncia a existência de uma anormalidade qualquer no organismo, Deus faz uso de alguns expedientes para levar o pecador à prática da confissão. Entre eles, é possível mencionar:

1. A diminuição ou a perda da paz de Cristo
A paz interior e continuada é uma das maiores riquezas do evangelho: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou" (Jo 14.27). É sinal de comunhão perene com Deus e de confiança nele: "Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme" (Is 26.3). Qualquer alteração dessa paz pode indicar a presença de algo errado no comportamento. Daí a palavra de Paulo: "Seja a paz de Cristo o árbitro em vossos corações" (Cl 3.15).

2. A interrupção brusca da alegria
A rigor, salvo algum momento de tribulação, a alegria é uma constante na vida do crente. Basta lembrar a famosa advertência de Paulo: "Alegrai-vos sempre no Senhor" (Fp 4.4). Mas a alegria não combina com o pecado: "Suporto tristeza por causa do meu pecado" (Sl 38.18). A escassez de alegria está relacionada com o pecado. Por essa razão, ao confessar o seu adultério com Bate-Seba, Davi suplica ao Senhor: "Restitui-me a alegria da tua salvação" (Sl 51.12).

3. O desagradável senso de culpa e de sujidade espiritual
Invariavelmente o servo de Deus que comete pecado sente em seguida, ou algum tempo depois, uma necessidade enorme de perdão e de purificação. A experiência de Davi foi muito marcante quanto à sensação de imundícia moral. Ele chegou a pedir a Deus: "Não me repulses da tua presença" (Sl 51.11). Suplicou também que o Senhor o lavasse completamente da sua iniquidade e o purificasse de seu pecado (Sl 51.2), para que ele ficasse "mais alvo que a neve" (Sl 51.7).

4. A pressão da boa consciência
Se a consciência não for de todo perdida nem danificada, ela exerce um papel acusatório muito válido. Jesus aguçou a consciência daqueles escribas e fariseus que levaram à sua presença a mulher surpreendida em adultério, de tal modo que eles abandonaram o local um por um, a começar pêlos mais velhos, deixando só Jesus e a mulher (Jo 8.9). A consciência pura gaba-se de feitos tremendos.

5. O peso da mão do Senhor
A mão do Senhor abençoa (Ed 7.9; 8.18), mas também castiga (Êx 7.5; 1 Sm 5.6). A experiência de muitos coincide com a de Davi: "De dia e de noite sentia a mão de Deus pesando sobre mim, fazendo com as minhas forças o que a seca faz com um pequeno riacho" (Sl 32.4, BV). É esse estado de fraqueza que aproxima o pecador da prática da confissão.

6. A Ceia do Senhor
Porque exige uma auto-sondagem — "Examine-se, pois o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice" (1 Co 11.28) —, a celebração eucarística pode desencadear verdadeiras e preciosas confissões de pecado. Além de prevenir que a participação irresponsável da Ceia é perigosa (1 Co 11.27-30), o apóstolo mostra a grande vantagem da auto-avaliação do comungante na presença do Senhor: "Se vocês se examinarem cuidadosamente a vocês mesmos antes de comer, não precisarão ser julgados e punidos" (1 Co 11.31, BV).

7. O confronto com a santidade de Deus
Um pequeno momento na presença da glória de Deus é suficiente para abalar profundamente qualquer pecador. Ele enxerga claramente tanto a santidade absoluta de Deus como a sua depravação pessoal. Então é capaz de reagir como Pedro reagiu: "Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador" (Lc 5.8). Por causa do pecado, o homem não suporta a glória do Senhor. O só ouvir a voz de Deus na transfiguração de Jesus fez com que Pedro, Tiago e João caíssem de bruços, tomados de grande medo (Mt 17.6). O mesmo aconteceu com os pais de Sansão (Jz 13.20,22) e com João na ilha de Patmos (Ap 1.17). Também Gideão (Jz 6.22) e Isaías (Is 6.5) estremeceram diante da presença do Senhor. Deus ainda se manifesta em glória, ora por meio de um texto sagrado, ora por meio de uma mensagem poderosa, ora por meio de uma experiência pessoal com o Senhor.

8. A palavra acusatória de alguém
Em certos casos, os expedientes introspectivos até agora apresentados não dão resultado ou não funcionam sozinhos. É preciso que alguém diga ao pecador que ele pecou. Foi o que Nata fez com o rei Davi: "Tu és o homem" (2 Sm 12.7). Ou o que Elias fez com o rei Acabe (1 Rs 21.17-29) e o que Paulo fez com Cefas (Gl 2.11-14).

9. O escândalo
Os pecados ocultos podem ser confessados e perdoados sem que venham obrigatoriamente a público. Quando, porém, isso não acontece, o escândalo é uma necessidade. Trata-se de um expediente doloroso e de impacto, mas extremamente útil para acabar com o pecado secreto e provocar a necessária confissão: "Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei" (Sl 32.4). Só depois de ter sido nacionalmente responsabilizado pela derrota dos israelitas na tomada de Ai é que Acã confessou o seu crime: "Verdadeiramente, pequei contra o Senhor, Deus de Israel, e fiz assim e assim" (Js 7.20). Judá, um dos seis filhos de Jacó e Lia, só admitiu a hediondez de seu pecado e de sua hipocrisia quando o seu relacionamento carnal com a nora Tamar veio à tona: "Mais justa é ela do que eu" (Gn 38.26).

10. A disciplina eclesiástica
Pode acontecer que o pecador não enxergue ou não se valha das várias oportunidades de confissão que Deus lhe dá. Nesse caso, para o bem dele e da igreja, será necessária a disciplina eclesiástica. Essa medida terapêutica, embora extrema, quando bem feita pode dar excelente resultado. O membro da igreja de Corinto que possuiu a mulher de seu próprio pai e que foi duramente disciplinado por Paulo (1 Co 5.1-5) alcançou mais tarde a bênção da plena restauração de seu vergonhoso comportamento (2 Co 2.5-11).


Autor: Elben M. Lenz César

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Esboço para pregação - SANTIFICAÇÃO NÃO É PERFEIÇÃO - 1 João 3.1-10

1. Medos sobre a Santificação

A palavra "Santificação" gera um certo receio em algumas pessoas que trazem consigo um conceito errado sobre esta doutrina. Veja alguns tipos de "medos”:
• Alguns dizem: "Santificação é apenas para pessoas MUITO MADURAS NA FÉ. Eu tentei e NÃO CONSEGUI! Talvez, quando eu for mais velho...";
• Outros afirmam: "Se eu quiser agradar a Deus, VOU TER QUE ACERTAR alguma área da minha vida (o que é a mais pura e cristalina verdade!). Assim sendo, NEM VOU LER A BÍBLIA para não ficar sabendo O QUE eu faço de errado!".
Santificação não é apenas para os MAIS MADUROS na fé: É PARA TODOS NÓS QUE SOMOS DA FAMÍLIA DE DEUS! A Bíblia NÁO É NOSSA INIMIGA - muito pelo contrário! Ela nos mostrar o caminho para um VIVER CHEIO DE VIDA, tendo o próprio Criador do Universo como NOSSO ALIADO!

2. O que “não é” Santificação

Não é sinônimo de PERFEIÇÃO:
Não há dúvida de que nosso Deus é Santo, Perfeito e que Ele diz: "Sede santos, porque eu sou santo". Mas isto não quer dizer que seremos PERFEITOS e TOTALMENTE SANTOS nesta vida terrena. Quando estivermos no Céu, com corpos glorificados, poderemos até permanecer "face a face" com o Senhor, sem sermos destruídos. Hoje, isto é impossível, por vivermos em corpos que ainda sofrem os efeitos (e também pendem) para o pecado.
Não quer dizer que ficamos "IMPOSSIBILITADOS" de pecar:
Buscar Santidade, não quer dizer "tornar-se isento" da possibilidade de pecar! Não adianta dizer que "O PECADO ESTÁ AMARRADO", porque ele não está! Deus deixou aos Seus filhos a missão de LUTAR contra o pecado, enquanto estiverem vivos. Muitas vezes exigirá domínio próprio, coragem, persistência, seremos injuriados, sofreremos humilhações, e em algumas vezes, CAIREMOS nas armadilhas do pecado. Isto, porque apesar de convertidos a Jesus, ainda pecamos!
Não é um "REMÉDIO MÁGICO", que só produz "gente boa":
A conversão de alguém e a consequente busca por Santificação, não é nenhum "pó mágico", como nos contos de fadas, que transforma o caráter das pessoas "de uma hora para outra". A conversão é um ótimo início, mas Deus tem um caminho de transformação, na vida de cada ser humano. (“O pó mágico cria monstros)

3. O que é então a Santificação?

As palavras mais utilizadas, entre as línguas originais bíblicas, para exprimir o sentido de "Santificação", são QADHOSH (no hebraico) e HAGIOS (no grego). As duas palavras trazem o pensamento fundamental de separação, dedicação, consagração a Deus. Existe também a ideia de uma transformação interna, que gradualmente resulta em pureza, retidão moral, expressa numa vida externa de bondade e piedade.
Poderíamos dizer então, que: SANTIFICAÇÃO É O DESEJO DE SEPARAR-SE DO QUE DESAGRADA A DEUS, OPTANDO CONSCIENTEMENTE PELA ACÃO DE OBEDECÊ-LO, NA FORÇA DO ESPÍRITO SANTO.

4. Quando começa a Santificação

O desejo de Santificação é consequência natural de uma REAL CONVERSÃO. Quando ouvimos o Evangelho, nos arrependemos de nossos pecados e abrimos a vida para que Jesus seja nosso proprietário e comandante (em outras palavras, seja SENHOR), segundo Ef 1:12-13 nós fomos selados com o Espírito Santo.
Não sei se você já notou, mas Ele não se chama ESPÍRITO SANTO por acaso: Jesus explicou que Sua missão seria convencer-nos "do pecado, da justiça e do juízo" (Jo 16:8).
Quando a 3ª pessoa da Trindade age em nós, Seu objetivo básico é lançar luz sobre pecados, para que os confessemos e paremos com a prática do erro (Pv 28:13-14 ).
Há uma ilustração que diz que, antes de nos convertermos ao Evangelho, nossa natureza era como a de um PORQUINHO. A natureza do porco é SEMPRE VOLTAR À LAMA. Por mais que você dê banho, coloque perfume e coloque "traje de gala" no porco, ele correrá para a sujeira, quando menos se esperar. Assim éramos nós, voltando com muito gosto para a lama do pecado, quando estávamos longe do amor de Deus.
Porém, quando Jesus entrou em nossa vida, nossa natureza mudou à semelhança do PASSARINHO. O pássaro também pode se sujar, MAS FICA INCOMODADO e rapidamente busca se limpar; quando isto acontece, dá um vôo rasante em algum lago, ou tenta limpar suas asas com o bico, pois NÃO AGUENTA FICAR SUJO POR MUITO TEMPO. Assim é aquele que tem nova vida em Cristo: quando peca, isto o incomoda, pois o Espírito Santo o convence do erro. Ele busca se "limpar" através da confissão do pecado e volta à prática do que Deus quer.

5. Santificação é um processo

Não chegaremos à perfeição nesta vida, mas nosso alvo, sempre na dependência de Deus, é que sejamos hoje, mais limpos e santos do que fomos ontem. Quando pecamos, confessamos ao Senhor, quebrantados e arrependidos e somos lavados pelo sangue de Jesus (1 Jo 1:9; 1 Jo 2:1)
Perdoados por Deus, levantamos a cabeça e continuamos no processo da Santificação. A luta pelo bom testemunho será diária, até a volta de Cristo.
Outra ilustração conta que, nossa vida antes de nossa conversão a Jesus, era como um QUARTO ESCURO. Andar num quarto assim é praticamente certo viver tropeçando em cadeiras, móveis e esbarrando em objetos que não vemos pelo caminho! Antes de Jesus era assim: caíamos em pecado e nem sabíamos - apenas sentíamos os seus efeitos malignos.
Após entregarmos nossa vida a Cristo, é como se Ele (que é chamado de "a luz do mundo") colocasse no quarto uma lâmpada de 60 W. Ela nos mostra onde estão os móveis (que antes tropeçávamos), bem como a sujeira que não víamos e que teremos de limpar. Existe no "quarto" de nossa vida, muita sujeira de pecado que precisamos confessar e limpar diante de Deus.
Assim, confessamos os pecados que enxergamos com a lâmpada de 60 W. Quando estamos acabando de "varrer", o Senhor muda aquela lâmpada de 60 W por uma de 100 W, com a qual enxergamos outras sujeiras (pecados) que antes não víamos. Ao confessarmos estes também, Ele muda a lâmpada para outra de 200 W. E assim por diante. O Senhor aumenta "aos poucos", para que nós mesmos não entremos em pânico! Santificação é um processo, que está em anda-mento a partir da nossa conversão.
Você tem irmãos desanimados e acomodados na prática de pecados que nem o pastor sabe, mas sua turma toda tem conhecimento? O Espírito Santo pode usá-lo para exortar estes irmãos, pois muitos estão desorientados, precisando de alguém como você para dizer: -"Já está na hora de parar de brincar com Deus".
Existem aqueles que irão responder: -"Que é isso? Eu estou ótimo e não tenho a mínima intenção de mudar! Vá cuidar da sua vida, que da minha cuido eu!". Ao encontrarmos pessoas no nível mencionado (sem vontade de abandonar o pecado, curtindo e se deliciando com o que é biblicamente errado), não podemos descartar a possibilidade de que elas não sejam verdadeiramente convertidas. Afinal, Santificação é algo absolutamente irrelevante, quando vista pelos olhos de alguém que não entregou sua vida a Jesus (1 Jo 2:19; 1 Jo 3:6-10).

6. Santificação é característica da família de Deus

Nosso Deus é Santo e quer que os membros de Sua família, CAMINHEM PROGRESSIVAMENTE em Santidade:
• 1 Pe 1:16 : "... porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo...".
Como Pai, Ele sabe que quanto mais distantes estivermos da vontade de Deus, mais desespero, medo, frustração e desilusão existirá. Quanto mais nos voltamos para o Senhor e Sua Palavra, mais vida sentimos, mais alegria de existir e mais convicção de estarmos indo na direção correta.
Como seres humanos, trazemos certas características que vêm de familiares, como o pai e a mãe. As pessoas dizem: -"O nariz é parecido com o do pai", ou então: -"É comunicativa como a mãe". Comparando com a família de Deus: como temos um Pai Santo, a característica inconfundível de Seus filhos, É A BUSCA DE SANTIFICAÇÃO. A cada dia Ele quer de Seu povo, mais Santidade, mais transparência, mais limpeza de caráter, diante dEle mesmo e dos homens.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Práticas Devocionais - PRÁTICA DO DESABAFO

A prática do desabafo é a arte de derramar a alma perante o Senhor, colocando para fora todo e qualquer
melindre, mágoa, ressentimento, tristeza, queixume, inquietação, ansiedade, medo, indignação desmedida, revolta e coisas assim. Dá-se mediante uma abordagem firme e corajosa na presença de Deus de problemas reais, de problemas de gravidade exagerada e de problemas inexistentes. O desabafo bem feito interrompe uma situação de intensa e contínua amargura.

O desabafo é tão saudável quanto o lazer. O excesso de ansiedade, provocado pelo acúmulo de problemas, dificuldades, decepções, frustrações e sofrimento, desmantela qualquer esquema de felicidade pessoal. Os casos mais graves podem levar às drogas, podem causar distúrbios emocionais e doenças mentais, e podem dar ocasião ao suicídio. A falta de desabafo faz mal à alma e ao corpo. Não só ao sistema nervoso, mas aos sistemas circulatório, respiratório e digestivo. O desabafo é uma necessidade e uma possibilidade.

É uma possibilidade porque a Bíblia está cheia de desabafos. Dois livros do Velho Testamento — Jó e Salmos — tratam quase exclusivamente de desabafos. Algumas passagens trazem um insistente convite ao desabafo: "Confiai nele, ó povo, em todo tempo; derramai perante Ele o vosso coração: Deus é o nosso refúgio" (Sl 62.8); "Levanta-te, clama de noite no princípio das vigílias; derrama o teu coração como água perante o Senhor; levanta a Ele as tuas mãos, pela vida de teus filhinhos, que desfalecem de fome à entrada de todas as ruas" (Lm 2.19); "Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei" (Mt 11.28). O título do salmo 102 é muito preciso quanto à prática do desabafo: Oração do aflito que, desfalecido, derrama o seu queixume perante o Senhor.

OS PARCEIROS DO DESABAFO

Aqui está uma questão muito séria: com quem desabafar. Não se pode desabafar com as paredes, com os móveis, com os objetos de uso pessoal, xingando, esmurrando, derrubando e quebrando as coisas. É preciso que haja um par de ouvidos para ouvir. Alguns dos amargurados de espírito se contentam com um par de ouvidos que finge que está ouvindo, tal a necessidade de desabafo.
Nesta área há três tipos de desabafo:

1. Desabafo mútuo

É o desabafo entre marido e mulher, ligados pelo amor e pela carne. Entre pais e filhos, ligados pelo amor e pelo sangue. Entre irmãos na fé, ligados pelo amor e pela crença. Entre amigos, ligados pelo amor e pelo conhecimento. Esses são, ou deveriam ser, os parceiros naturais do desabafo: "Partilhem as dificuldades e problemas uns dos outros, obedecendo dessa forma à ordem do nosso Senhor" (Gl 6.2, BV). Por terem se juntado a ele cerca de 400 homens em situação difícil e amargurados de espírito, Davi deveria ser um excelente ouvidor de desabafos (l Sm 22.2). Ele mesmo, naquela altura da vida, era um exilado político sob constante ameaça de morte.

2. Desabafo clínico. 

É o desabafo realizado diante de um conselheiro capacitado, de um ministro religioso, de um psicólogo, psicoterapeuta ou psiquiatra. Trata-se de uma assistência técnica, ora de ordem religiosa, ora de ordem médica, ora de ordem religiosa e médica.

3. Desabafo espiritual. 

É o desabafo feito diante de Deus em oração, tão seguro ou mais seguro do que qualquer outro, mesmo sendo um exercício essencialmente místico. De-pende de um certo grau de confiança em Deus e de alguma experiência religiosa, como se vê nesta declaração de Davi quando se escondia de Saul numa caverna de En-Gedi: "Ao Senhor ergo a minha voz e clamo, com a minha voz suplico ao Senhor. Derramo perante Ele a minha queixa, à sua presença exponho a minha tribulação" (Sl 142).

DESABAFO NÃO É PECADO

Não é de estranhar a quantidade e a qualidade de coisas retiradas do coração na prática do desabafo. Quem desabafa precisa falar, precisa ficar solto, precisa ter liberdade. No desabafo, a pessoa está pondo para fora o que estava lá dentro. É possível que diga coisas absurdas, mas é melhor proferir absurdos do que armazenar e multiplicar absurdos na mente. Deus não se ofende quando ouve essas coisas nem pune quem se apresenta diante dele para chorar e queixar-se de sua situação. Em seus momentos mais difíceis, Elias não pediu a Deus a morte? (1 Rs 19.4.) Jonas não fez o mesmo? (Jn 4.3.) No entanto, Deus tratou a ambos com acentuada compreensão.

O exemplo mais dramático de desabafo é o de Jó. Esse homem da terra de Uz, que perdeu todos os bens, todos os filhos, toda a saúde e todos os admiradores, foi muito mais longe que Elias e Jonas. Jó amaldiçoou a noite em que seu pai e sua mãe coabitaram e ele começou a existir, amaldiçoou a gravidez tranquila e sem interrupção da mãe, amaldiçoou o seu dia natalício e os peitos carregados de leite materno que impediram a sua morte ao nascer (Jó 3.1-26). Jó quis morrer, quis parar de sofrer, já não aguentava viver. Daí as perguntas próprias ao seu desabafo: "Por que se concede luz ao miserável, e vida aos amargurados de ânimo, que esperam a morte, e ela não vem"? (Jó 3.20); "Por que esperar se já não tenho forças? por que prolongar a vida se o meu fim é certo?" (Jó 6.11); "Porque, pois, me tiraste da madre? Ah! se eu morresse, antes que olhos nenhuns me vissem!" (Jó 10.18.) Embora não compreendido e repreendido por seus três amigos, Jó é considerado íntegro, reto e temente ao Senhor, aos olhos do próprio Deus (Jó 1.1, 8 e 22; 2.3). O que ajudou Jó a sobreviver foram os seus contínuos desabafos.

O DESABAFO DE ANA

O mais detalhado desabafo da Bíblia é o de Ana, mulher de Elcana e mãe do extraordinário profeta Samuel. Ana tinha uma tremenda desvantagem física — a incapacidade de engravidar, numa época em que não ter filhos era a coisa mais humilhante possível para a mulher casada. A outra esposa (Penina) de seu marido se valia desse problema para a irritar excessivamente. Elcana nada podia fazer. Ana começou a entrar em pânico e tornou-se candidata certa a um desequilíbrio emocional de graves proporções. Ela passou a ter frequentes crises de choro e de anorexia. Então veio a ideia de um desabafo cheio e vigoroso diante de Deus. Aproveitando a visita anual da família a Silo para adorar e sacrificar ao Senhor, Ana permaneceu a sós no templo, onde chorou abundantemente e expôs a Deus o seu drama íntimo. Ela se demorou em orar, destampou a alma, derramando-a em oração, pôs para fora o excesso de sua ansiedade, suplicou a graça da concepção e fez votos ao Senhor. A despeito da desnecessária e infeliz interferência do sacerdote Eli, que a teve por embriagada, Ana, ali mesmo no templo, colheu os benefícios do desabafo; perdeu o semblante triste e recuperou a vontade de se alimentar. Poucas semanas depois, a ausência da menstruação deixou-a convencida de que Deus ouvira também a sua súplica e lhe estava dando um filho (1 Sm 1.1-28).

A história do desabafo de Ana não para aí. É preciso acrescentar que ela engravidou outras cinco vezes e que seu primeiro filho foi um dos mais famosos homens de Deus do Velho Testamento (Jr 15.1), líder do reavivamento que tirou a nação do deplorável estado moral em que foi deixada pela inescrupulosa liderança dos filhos de Eli (l Sm 2.12-7.17).

OUTROS DESABAFOS

Qualquer problema que gera intranquilidade é motivo de desabafo diante de Deus. A carta malcriada e desafiadora que o rei da Assíria enviou para o rei de Judá foi motivo para Ezequias subir à casa do Senhor e estender a carta diante de Deus em oração (2 Rs 19.14-19). Algum tempo depois, o mesmo Ezequias adoeceu de uma enfermidade mortal e voltou à prática do desabafo: ele chorou, orou e reclamou, e Deus ouviu a sua oração, viu as suas lágrimas e restaurou a sua saúde (2 Rs 20.1-11).

No caso de Asafe, chefe da música no tempo de Davi (l Cr 16.4-5) e autor de doze salmos (50 e 73 a 83), o problema foi muito diferente e extremamente grave. Ele teve uma crise de fé tão séria que os seus pés quase se resvalaram e pouco faltou para que se desviassem os seus passos do caminho do Senhor (Sl 73.2). O que o salvou dessa complexa e perigosa crise foi a prática do desabafo. Durante o desabafo no santuário de Deus, Asafe enxergou coisas que não tinha visto antes e recuperou a confiança no Senhor (Sl 73.16-28).



Autor: Elben M. Lenz César

sábado, 4 de setembro de 2010

Práticas Devocionais - PRÁTICA DA ORAÇÃO

A prática da oração é a arte de entrar no Santo dos Santos e de se colocar na presença do próprio Deus em espírito, por meio da fé, valendo-se do sacrifício de Cristo, e falar com Deus com toda liberdade por meio da palavra audível ou silenciosa.

A oração parece uma decantada loucura. Como pode o homem comunicar-se com o próprio Deus em qualquer tempo, em qualquer lugar e em qualquer situação, se este é o Senhor de todo o Universo e aquele, um miserável habitante de um pequeno planeta que integra o sistema solar, que por sua vez é somente urna parte minúscula de uma galáxia chamada Via - Láctea, composta de mais de 100 bilhões de estrelas relativamente semelhantes ao Sol? O espanto é muito maior quando se sabe que existem 100 bilhões de galáxias (23 para cada habitante da Terra), além dos distantes e brilhantes quasares!

Mesmo não havendo seres inteligentes senão neste modesto planeta, como pode Deus ouvir as orações diárias que, pelo menos, os 1,6 bilhão de cristãos lhe dirigem? Os críticos dizem que a oração é válida, não porque penetra "até aos ouvidos do Senhor dos exércitos" (Tg 5.4), mas porque é emocionalmente saudável para quem ora. No entanto, aqueles que oram corretamente estão convencidos de que sua oração chega de fato "até à santa habitação de Deus, até aos céus" (2 Cr 30.27). E ainda perguntam com uma pequena dose de malícia: "O que fez o ouvido, acaso não ouvirá?" (Sl 94.9.)

Apesar dessa aparente irracionalidade, a oração é "a mais alta atividade da qual o espírito humano é capaz", segundo o professor E. A. Judce, da Universidade de Sidney, na Austrália. O homem ora porque tem necessidade interior de orar, porque sabe que Deus existe e é "galardoador dos que o buscam" (Hb 11.6), porque precisa de Deus e reconhece que Ele não é semelhante aos deuses da mitologia greco-romana nem aos ídolos, que "têm ouvidos, e não ouvem" (Sl 115.6).

RESULTADOS

Outra coisa estranha, mas óbvia em vista da onisciência de Deus, é que o propósito da oração não é tornar Deus ciente de nossa dor e de nossa necessidade. A oração é o instrumento pelo qual confessamos duas coisas ao mesmo tempo: a estreiteza de nossos recursos e a extrema largueza dos recursos do poder e do amor de Deus. A prática da oração é um dos mais extraordinários meios de graça de que o homem pode dispor. A oração é a outra via de comunhão com Deus. A primeira via é a leitura da Palavra de Deus. Por esta, Deus fala com você; por aquela, você fala com Deus.

É possível classificar em três grupos distintos os efeitos da oração:

1. Resultados psicológicos

Por meio da oração, você pode superar a tensão, a ansiedade, a angústia, certos tipos de depressão, o sentimento de culpa e outros estados emocionais desagradáveis. É perfeitamente possível relaxar durante a oração e depois dela. A oração é uma das alternativas para a ansiedade: "Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graça. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus" (Fp 4.6-7).

2. Resultados espirituais

A oração força o exercício da piedade e da disciplina pessoal, ajusta o homem aos padrões de fé e de comportamento. O esquema é muito simples: você ora porque precisa de Deus, mas, para ser ouvido, é necessário que você compareça de mãos limpas perante o Senhor. Ou, pelo menos, que inicie sua prece com arrependimento e confissão de pecado, pois "Deus não atende a pecadores" (Jo 931). Veja a percepção do salmista a este respeito: "Se eu tivesse guardado lugar para o pecado no meu coração, Deus nunca teria me ouvido" (Sl 66.18, BV). A oração bem-sucedida depende de uma estreita união com Cristo: "Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito". (Jo 15.7.) Pedro chega a dizer que a falta de compreensão entre marido e mulher, o egoísmo de um e de outro e outros problemas conjugais causam orações sem resposta da parte de Deus (l Pe 3.7). Foi a necessidade imperiosa e urgente de ser atendido por Deus, a propósito da aproximação do irmão Esaú e do bando de 400 homens armados que o acompanhavam, que fez Jacó admitir que era um suplantador e deixar-se corrigir por Deus, numa noite de oração do outro lado do vau de Jaboque (Gn 32.22-33.17).

3. Resultados em termos de atendimento

Deus responde as orações de seus filhos, não necessariamente como pedimos, mas a seu modo e de acordo com a sua soberania. Ele é poderoso para, não poucas vezes, "fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós" (Ef 3.20). Sem oração você não alcança certas bênçãos. Jesus deixou claro: "Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á" (Mt 7.7-8). Tiago vai mais além e declara com sua peculiar franqueza: "Nada tendes, porque não pedis" (Tg 4.2). A oração tem um alcance enorme: "Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo" (Tg 5.16).

ELEMENTOS DA ORAÇÃO

A maior parte de nossas orações são só orações de súplica. Para muitos, oração e súplica são sinônimos perfeitos. Na verdade não é assim. No contexto bíblico, a oração tem pelo menos seis elementos, que não precisam estar presentes numa única prece, mas devem ser lembrados sempre:

1. Na adoração, você exalta o caráter de Deus, a imensidão, a perfeição e a beleza da criação e de todas as suas obras posteriores, e se delicia com o próprio Deus. A razão máxima da adoração é "porque a sua misericórdia dura para sempre", como declarou em uníssono o povo de Israel por ocasião da inauguração do templo de Jerusalém (2 Cr 7.3) e como aparece repetidamente no Salmo 136.

2. Nas ações de graça, você agradece nominalmente as manifestações da misericórdia, do amor e do poder de Deus em sua vida, na família e na comunidade. Esta é uma obrigação a que você precisa se impor: "Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nem um só de seus benefícios" (Sl 103.2). Cuidado para não repetir a grosseria dos nove leprosos mal-agradecidos: "Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove?" (Lc 17.17.)

3. Na confissão, você se abre e conta a Deus suas mazelas e fraquezas, pecado de qualquer natureza, admitindo sempre a própria culpa e recorrendo à misericórdia divina. É como disse C. S. Lewis: "Todos nós temos pecados suficientes para sermos intragáveis". Ponha esse lixo para fora na prática da oração. O pecado armazenado é uma desgraça. (Os 13.12.)

4. No extravasamento, você derrama a sua alma perante Deus e fala de seus sustos e medos abertamente com o firme propósito de descansar no Senhor. É nessa hora solene que você entra no santuário de Deus (Sl 73.16-17) para sair de semblante não mais carregado nem triste (l Sm 1.18; Mt 11.29.)

5. Na intercessão, você se exercita no altruísmo e ora em favor do sofrimento alheio, dos problemas alheios e das necessidades alheias, assim como Jesus orou por Pedro (Lc 22.32) e ora por todos nós (Jo 17.20; Rm 8.34; Hb 7.25.) É bom lembrar também que o próprio Espírito "intercede por nós sobremaneira com gemidos inexprimíveis" (Rm 8.26-27). A intercessão não é uma escolha, mas uma ordem: "Orai uns pelos outros" (Tg 5.16). Às vezes pode ir mais longe: "Orai pelos que vos perseguem" (Mt 5.44).

6. Na súplica, você apresenta as suas necessidades pessoais, familiares e comunitárias, costumeiras ou esporádicas, que formam um leque enorme, e clama pela sábia e amorosa intervenção de Deus. A resposta de Deus às vezes tarda, como no caso de Isaque, que deve ter orado vinte anos para que sua esposa engravidasse — tinha 40 anos quando se casou e 60 quando nasceram os gêmeos Esaú e Jacó (Gn 25.19-26). No caso de Zacarias e Isabel, a demora foi muito maior. Quando ela concebeu, os dois eram "avançados em dias" (Lc 1.7, 18 e 36).

O DIREITO DA SÚPLICA

Peça sem constrangimento. Não é necessário substituir a súplica pelo louvor. É Deus quem abre a porta da oração e diz: "Pede-me o que queres que eu te dê" (l Re 3.5); "Invoca-me, e te responderei" (Jr 33.3); "Pedi, e dar-se-vos-á" (Mt 7.7); "Se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que porventura pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos céus" (Mt 18.19); "Tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis" (Mt21.22) e "Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei" (Jo 14.14). Se o amigo (Lc 11.5-8), o pai (Lc 11.11-13) e o juiz (Lc 18.4-5), mesmo sendo maus, dão alguma coisa aos que lhe pedem, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará boas coisas aos que lhe pedirem (Mt 7.11.)! Porém é preciso tomar alguns cuidados:

1. O motivo das orações deve ser constantemente burilado das tentações do egoísmo e do consumismo. Uma das razões do não-atendimento das orações é porque o objetivo delas está errado: "Vocês pedem coisas para usá-las para os seus próprios prazeres" (Tg 4.3, BLH).

2. Não se deve orar apenas por saúde, cura física, sucesso, prosperidade moderada, felicidade e família. Há certas carências muito sérias que podem ser supridas por meio da oração. Devemos partir daquele aviso de Tiago: "Se, porém algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida" (Tg 1.5). Se, em seu caso, a carência não é de sabedoria, mas de alegria, entusiasmo, humildade, paciência, amor, poder, pureza, ousadia, capacidade para o trabalho, equilíbrio, fé ou qualquer outra coisa, você tem o direito e o dever de levar insistentemente essa necessidade a Deus em oração. No raciocínio de Tiago, é para pedir o que não se tem. A posse desses valores extraordinários contribui para o seu bem total e para o progresso do evangelho. Esse tipo de oração segue de perto o modelo apresentado por Jesus Cristo, pois santifica o nome de Deus, promove o seu reino e implanta a sua vontade "assim na terra como no céu" (Mt 6.9-10).

O SIM E O NÃO

Deus diz sim a muitas de nossas orações. É animador listar os sins de Deus nas orações contidas na história bíblica. Isaque orou por sua mulher estéril, e Rebeca concebeu (Gn 25.21). Israel clamou contra a dura servidão de Faraó, e Deus ouviu o seu gemido e o tirou de lá com poderosa mão (Êx 2.23-25; Nm 20.14-16; Dt 26.5-9; At 7.34). Moisés intercedeu pelo povo, e o fogo do Senhor, que já havia consumido extremidades do arraial, se apagou (Nm 11.1-3). Manoá orou para que o anjo que anunciou o nascimento de Sansão viesse mais uma vez, e ele veio (Jz 13.8-9). Salomão implorou a bênção de Deus sobre o templo de Jerusalém, e Ele o ouviu (l Rs 9.3). Em vários Salmos, Davi tem prazer em testemunhar que o Senhor ouve as suas orações (Si 4.3; 5.3; 6.8, 9; 18.6; 31.22; 40.1). Ezequias orou ao Senhor por sua doença mortal, e Deus o curou (2 Rs 20.5). Jonas fez uma aflita oração no ventre do peixe, e este vomitou ò profeta numa praia do Mediterrâneo (Jn 2.1-10). Zacarias também orou em favor de sua esposa para que ela fosse fértil, e Isabel lhe deu João Batista (Lc 1.13).

Mas Deus diz não também a não poucas orações, mesmo que elas sejam proferidas por pessoas de cará ter e de fé. Moisés implorou ao Senhor permissão para passar o Jordão e ver a terra da promessa, e Deus lhe disse: "Basta; não me fales mais nisto" (Dt 3.23-29). Apesar de ter sido um homem de oração, Davi orou sentidamente pelo filho recém-nascido gravemente enfermo, e Deus levou a criança depois de uma semana de intensa oração e jejum (2 Sm 12.15-23). Paulo conta que em três ocasiões diferentes implorou a Deus para ficar livre do espinho na carne, e cada vez o Senhor lhe disse não (2 Co 12.7-9). O mesmo apóstolo deve ter orado pela saúde de Timóteo e de Trófimo, mas não há indicação de que eles tenham sido curados (l Tm 5.23; 2 Tm 4.20).

ORAÇÃO E AÇÃO

A oração não elimina a ação, nem esta elimina aquela. Ninguém melhor que Neemias soube valorizar uma e outra, como se pode observar nesta informação do próprio punho do governador da Palestina na época da reconstrução de Jerusalém: "Todos eles procuravam atemorizar-nos, dizendo: As suas mãos largarão a obra, e não se efetuará. Agora, pois, ó Deus, fortalece as minhas mãos". (Ne 6.9)

Dois grandes cristãos do século XVI, um, protestante e alemão, e o outro, católico e espanhol, escreveram frases semelhantes sobre o equilíbrio entre a ação e a oração. O mais velho, Lutero (1483-1546), dizia: "É preciso orar como se todo trabalho fosse inútil e trabalhar como se todo orar fosse em vão". O mais novo, Loyola (1491-1556), afirmava: "Devo orar como se tudo dependesse de Deus, trabalhar como se tudo dependesse de mim".

A FREQUÊNCIA DA ORAÇÃO

Quantas vezes se deve orar? Só aos domingos, na igreja? Todos os dias, na hora de levantar ou na hora de dormir? Somente para dar graças na hora das refeições? Só em caso de fome, doença e morte? A Bíblia tem respostas para essas indagações.

1. Períodos rígidos de oração

Porque a oração é de grande importância e porque o homem é naturalmente indisciplinado, é bom que haja algum horário fixo de oração, como acontece até hoje entre judeus e muçulmanos. Daniel se obrigava a orar de joelhos três vezes ao dia (Dn 6.10). O próprio Davi fazia o mesmo em intervalos regulares de, talvez, seis horas: "À tarde, pela manhã e ao meio-dia, farei as minhas queixas e lamentarei: e Ele ouvirá a minha voz" (Sl 55.17). Em Atos, encontramos duas referências à hora nona de oração (três horas da tarde), tanto no templo (At 3.1) como em casa do centurião romano que absorveu esse costume dos judeus (At 10.30).

2. Períodos especiais de oração

Os horários fixos e diários de oração não dispensam algo como um dia inteiro de oração, uma noite de oração, três dias de oração e jejum (como aconteceu aos judeus que se achavam em Susã na época de Ester), uma semana de reuniões de oração etc. Jesus tinha o hábito de passar uma noite inteira "orando a Deus" (Lc 6.12). Os dias seguintes eram para Ele de grande importância: a escolha dos doze apóstolos (Lc 6.12-16), a cura do jovem possesso (Lc 9.37-43), o encontro com a mulher adúltera (Jo 8.1-11) e a sua prisão, julgamento e morte (Mt 26.36-27.56).

3. Oração conforme a necessidade

Não é preciso esperar a "hora nona de oração" para orar. Você é livre para orar em qualquer lugar, momento e situação. Depende da sua necessidade e de sua vontade. Você pode orar na rua, no trabalho, atrás de uma junta de bois, numa quadra de esportes, ao volante de um carro, numa fila de banco e assim por diante. Neemias é formidável quanto a isto: quando Artaxerxes se dispôs a ajudá-lo e perguntou-lhe como fazer isso, na mesma hora Neemias fez uma oração relâmpago para pedir a direção e a bênção de Deus, sem fechar os olhos, sem se expressar em voz alta e sem sair da presença do rei. (Ne 2.4.) Estando em agonia, Jesus orava mais intensamente ali no Getsêmani (Lc 22.44).

4. Oração contínua

O "orai sem cessar" de Paulo (l Ts 5.17) significa uma abertura total à oração. É como se você vivesse vinte e quatro horas por dia dentro de uma oração. É a manutenção pura e simples do espírito de oração em todas as coisas, mesmo sem se ajoelhar e sem falar. O que caracteriza este tipo nobre de oração é o sentimento constante de suas carências, a per-manente dependência de Deus e a cuidadosa manutenção de uma confiança total em Deus. A oração contínua é mais do que a oração noite e dia daquela viúva de 84 anos que não deixava o templo de Jerusalém e que estivera casada apenas 8,3% de seus dias (Lc 2.36-37).



Autor: Elben M. Lenz César

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