terça-feira, 23 de novembro de 2010

Práticas Devocionais - PRÁTICA DA ALEGRIA

A prática da alegria é a arte de oferecer resistência à tristeza por meio do gozo proporcionado pela presença de Deus na vida daquele que o busca honesta e continuamente. Depende da descoberta e exploração das muitas e variadas minas de alegria que estão à margem do caminho em direção à vida eterna.

A alegria não é só uma opção de vida. É uma ordem de Deus ao seu povo. Em Cristo, é uma aberração não ser alegre. É um mau testemunho. É uma contra-evangelização. É uma falta de coerência. O mandamento da alegria está espalhado nas Escrituras Sagradas: nos livros da lei (Dt 16.11), nos Salmos (Sl 32.11), nos profetas (Zc 9-9), nos Evangelhos (Lc 10.20), nas Epístolas (Fp 4.4) e no Apocalipse (Ap 19.7).

A Bíblia ensina uma alegria teimosa, aparentemente arrogante, não-científica, baseada na fé, e não na instabilidade das circunstâncias de tempo e lugar, comprometida mais com a saúde da alma do que com o bem-estar físico. Esse tipo resistente e durável de alegria pode ser visto na famosa oração de Habacuque; "Embora as figueiras tenham sido totalmente destruídas e não haja flores nem frutos; embora as colheitas de azeitonas sejam um fracasso e os campos estejam imprestáveis; embora os rebanhos morram pêlos pastos e os currais estejam vazios, eu me alegrarei no Senhor! Ficarei muito feliz no Deus da minha salvação!" (Hc 3.17, 18, BV.)

É importante lembrar que Paulo estava em um cárcere quando escreveu a Epístola aos Filipenses, na qual enfatiza a prática da alegria: "Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, alegrai-vos" (Fp 4.4). Nessa mesma carta, o apóstolo declara ter aprendido a viver contente em toda e qualquer situação; "Tanto de fartura, como de fome; assim de abundância, como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece" (Fp 4.12-13).

GRITOS DE ALEGRIA

A Bíblia descreve o regozijo do povo de Deus no correr dos anos e não economiza palavras para mencionar a intensidade e a qualidade dessa alegria.

Fala-se em grande alegria (Lc 24.52; At 8.8; Fm 7), em alegria completa (Jo 16.24; l Jo 1.4; 2 Jo 12), em abundância de alegria (2 Co 8.2), em alegria transbordante (Mt 13.44; At 13.52), em plenitude de alegria (Sl 16.11), em alegria indizível (l Pe 1.8), em alegria eterna (Is 35.10) ou perpétua alegria (Is 51.11), em alegria em extremo (Jn 4.6) e até em gritos de alegria (Sl 42.4). As vozes da alegria provocada pela restauração e dedicação dos muros de Jerusalém na época de Esdras e Neemias foram ouvidas a uma grande distância (Ne 12.43). Salomão descreve a alegria do coração como um banquete contínuo (Pv 15.15). E Jesus faz questão de dizer que a alegria provocada por sua ressurreição seria permanente: "A vossa alegria ninguém poderá tirar" (Jo 16.22).

A alegria propicia o louvor: "Está alguém alegre? Cante louvores" (Tg 5.13). O salmo 42 lembra com saudades da multidão em festa por ocasião das procissões à casa de Deus, "entre gritos de alegria e louvor" (w. 4, 5). O povo comemorou a renovação da aliança na época do sacerdote Joiada "com alegria e com canto, segundo a instituição de Davi" (2 Cr 23.18). É muito difícil separar a alegria do louvor, o louvor da música e a música da expressão corporal (dança): "Louvai-o [a Deus] ao som da trombeta; louvai-o com saltério e com harpa, louvai-o com adufes e danças; louvai-o com instrumentos de corda e com flautas, louvai-o com címbalos sonoros; louvai-o com címbalos retumbantes" (Sl 150.3-5). Momentos de intensa alegria foram descarregados na música e na dança: por Miriã, logo depois da travessia do mar Vermelho (Êx 15.20-21); pela filha de Jefté, logo depois da vitória do pai sobre os filhos de Amom (Jz 11.34); e por Davi, logo depois da recuperação da arca do Senhor (2 Sm 6.14-15).

A FONTE PRIMEIRA

Na verdade, a maior fonte de alegria é a presença de Deus na vida diária do homem: "Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra delícias perpetuamente" (Sl 16.11). Daí a oração de Moisés: "Sacia-nos de manhã com a tua benignidade, para que cantemos de júbilo e nos alegremos todos os nossos dias" (Sl 90.14).

Davi e Salomão, pai e filho, confirmam essa verdade. Porque pecou e se retirou da presença de Deus, Davi perdeu a alegria, que lhe era uma experiência comum. É por essa razão que ele pede duas vezes no famoso salmo de confissão e arrependimento o retorno desse estado de espírito: "Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que exultem os ossos que esmagaste" e "Restitui-me a alegria da tua salvação" (Sl 51.8, 12). Já Salomão, seu filho, se distanciou de Deus por causa de suas mulheres estrangeiras (l Rs 11.1-8) e peregrinou atrás de alegrias duvidosas e efêmeras, entregando-se sem reserva a todos os seus desejos (Ec 2.10), tendo chegado por fim à feliz conclusão de que, separado de Deus, "quem pode alegrar-se?" (Ec 2.25.)

Essa lição foi duramente aprendida tanto por Davi como por Salomão. O primeiro confessou: "O Senhor, tenho-o sempre à minha presença" (Sl 16.8). O segundo escreveu um dos apelos mais convincentes e bonitos das Escrituras contra a frustração e o tédio e a favor da colocação de Deus na linha de frente do pensamento humano: "Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer" (Ec 12.1).

Quando se fala em alegria na Bíblia, repetidas vezes refere-se à alegria no Senhor. Vejam-se os salmos de Davi (9-2; 32.11; 63.11). a oração de Habacuque (He 3.18) e a Epístola de Paulo aos Filipenses (Fp 4.4).

MINAS DE ALEGRIA

A alegria não é tão difícil quanto os pessimistas pensam Ela é provocada por coisas simples sempre relacionadas com a pessoa de Deus. Basta lembrar que a alegria é fruto do Espírito (Gl 5.22), consequência inevitável para quem está em Cristo e anda no Espírito, e não na carne. Essa verdade é reforçada por mais este texto: "Vocês receberam a mensagem com aquela alegria que vem do Espírito Santo, embora tenham sofrido muito" (l Ts 1.6, BLH).

Outra fonte de alegria é a segurança do perdão e da salvação: "Alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e, sim, porque os vossos nomes estão arrolados nos céus" (Lc 10.20).

Todas as vezes que Deus se manifesta e aviva a sua obra no decorrer dos anos e a faz conhecida (He 3.2), há muita alegria: "Quando o Senhor restaurar a sorte do seu povo, então exultará Jacó, e Israel se alegrará" (Sl 14.7; 53.6). Talvez seja uma das mais poderosas fontes de alegria do povo de Deus (2 Cr 15.15; 29.36; 30.23-27; Ed 6.22; Ne 12.43). O crescimento quantitativo e qualitativo da igreja primitiva foi celebrado com muita alegria (At 15.3), justificando o provérbio de Salomão: "Quando se multiplicam os justos o povo se alegra, quando, porém, domina o perverso, o povo suspira" (Pv29.2).

O fruto do penoso trabalho também é fonte de alegria, até para Jesus: "Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma, e ficará satisfeito" (Is 53.11). Paulo correu risco de vida em Tessalônica (At 17.1-10), mas muito se alegrou com os resultados de seu trabalho naquela cidade e escreveu aos tessalonicenses: "Vós sois realmente a nossa glória e a nossa alegria!" (l Ts 2.20.) Na pequena epístola dirigida a Gaio, João se abre: "Não tenho maior alegria do que esta, a de ou¬vir que meus filhos [na fé] andam na verdade" (3 Jo 4).

As promessas de Deus são outra verdadeira fonte de alegria: "Alegro-me nas tuas promessas, como quem acha grandes despojos" (Sl 119.162). A esperança produz alegria antecipada e diminui sensivelmente o impacto da dor, como aconteceu com Paulo: "Para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória por vir a ser revelada em nós" (Rm 8.18). Os heróis da fé listados na Epístola aos Hebreus não obtiveram em vida a concretização da promessa, mas viveram debaixo da alegria e do entusiasmo daquilo que Deus prometeu fazer a seu tempo (Hb 11.39, 40). Entre Zacarias e o nascimento de Jesus, há pelo menos cinco séculos, mas o profeta anunciou à sua geração: "Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta" (Zc9-9).

Enquanto entre os secularizados a alegria depende do ter, e não do ser, de receber, e não de dar, entre os cristãos um dos segredos da alegria é a ordem inversa: "Mais bem-aventurado é dar que receber" (At 20.35). Essa palavra atribuída a Jesus é comprovada na experiência do povo de Deus tanto na época da construção do primeiro templo (l Cr 29.9) como na época da restauração da casa do Senhor, cerca de 150 anos depois (2 Cr 24.10). Em ambos os textos, se lê que o povo se alegrou por ter dado liberalmente a sua contribuição voluntária.

TEMPOS DE ALEGRIA

Por causa do pecado, por causa da depravação humana, por causa da ordem política e social injusta, por causa da incredulidade, por causa da atuação satânica, por causa do orgulho humano, por causa da fome e da miséria, por causa da enfermidade e da morte, por causa da rejeição do evangelho e por causa dos erros cometidos pela liderança civil e religiosa — nem todo tempo é tempo de alegria. A Bíblia ressalta esta verdade: "[Há] tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de saltar de alegria" (Ec 3.4).

O próprio Jesus, a fonte de toda a alegria, teve momentos de tristeza. Ele chegou a chorar ao ver Maria, irmã de Lázaro, em prantos por causa da morte do irmão (Jo 11.33-35). Chorou outra vez, na entrada triunfal em Jerusalém, ao ver, do alto do Monte das Oliveiras, a cidade impenitente e marcada para a completa ruína (Lc 19.41-44). A sua maior tristeza, porém, foi no jardim do Getsêmani, quando buscou a simpatia de Pedro, Tiago e João: "A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo" (Mt 26.38).

Em certas situações muito especiais, a tristeza torna-se virtude e a alegria torna-se pecado. Paulo se mostra virtuoso ao se preocupar com a incredulidade dos judeus, a despeito de todas as prerrogativas do povo eleito, seus irmãos e compatriotas segundo a carne: "Tenho grande tristeza e incessante dor no coração" (Rm 9.1-5). Jó também se mostra virtuoso porque não se alegrou com a desgraça daquele que lhe devotava ódio (Jó 31.29). Aliás, está escrito que "o que se alegra da calamidade não ficará impune" (Pv 17.5). Existem o "Alegra-te" (Zc 9.9) e o "Não te alegres" (Os 9.1). O "alegra-te" é para as coisas que Deus faz (Sl 118.24), e o "não te alegres" é para as coisas que o homem faz de errado (Tg 4.9). A tristeza tem de ser bem dosada. Tem de ser passageira. Tem de ser usada por Deus para provocar humildade, arre-pendimento e mudança de comportamento (2 Co 7.10). Tem de ser resolvida pela consolação das Escrituras (Rm 15.4) e pela consolação do Espírito (Jo 14.16). Tem de ser amenizada pela esperança cristã (l Ts 4.18). Tem de ser sucedida pela alegria, como se preconiza neste salmo: "Ao anoitecer pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã" (Sl 30.5). Tem de ser positiva como as dores da mulher que está para dar à luz, prontamente aliviadas ao nascer a criança (Jo 16.21-22). Tem de ser vencida e subjugada pela alegria do Senhor. Para tanto, é necessário recorrer a Deus: "Alegra-nos por tantos dias quantos nos tens afligido, por tantos anos quantos suportamos a adversidade" (Sl 90.15).


Autor: Elben M. L. Cesar

Práticas Devocionais - PRÁTICA DA ORAÇÃO

A prática da alegria é a arte de oferecer resistência à tristeza por meio do gozo proporcionado pela presença de Deus na vida daquele que o busca honesta e continuamente. Depende da descoberta e exploração das muitas e variadas minas de alegria que estão à margem do caminho em direção à vida eterna.


A alegria não é só uma opção de vida. É uma ordem de Deus ao seu povo. Em Cristo, é uma aberração não ser alegre. É um mau testemunho. É uma contra-evangelização. É uma falta de coerência. O mandamento da alegria está espalhado nas Escrituras Sagradas: nos livros da lei (Dt 16.11), nos Salmos (Si 32.11), nos profetas (Zc 9-9), nos Evangelhos (Lc 10.20), nas Epístolas (Fp 4.4) e no Apocalipse (Ap 19.7).

A Bíblia ensina uma alegria teimosa, aparentemente ar¬rogante, não-científica, baseada na fé, e não na instabilida¬de das circunstâncias de tempo e lugar, comprometida mais com a saúde da alma do que com o bem-estar físico. Esse tipo resistente e durável de alegria pode ser visto na famosa oração de Habacuque; "Embora as figueiras tenham sido totalmente destruídas e não haja flores nem frutos; embora as colheitas de azeitonas sejam um fracasso e os campos estejam imprestáveis; embora os rebanhos morram pêlos pastos e os currais estejam vazios, eu me alegrarei no Senhor! Ficarei muito feliz no Deus da minha salvação!" (He 3.17, 18, BV.)

É importante lembrar que Paulo estava em um cárcere quando escreveu a Epístola aos Filipenses, na qual enfatiza a prática da alegria: "Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, alegrai-vos" (Fp 4.4). Nessa mesma carta, o apósto¬lo declara ter aprendido a viver contente em toda e qualquer situação; "Tanto de fartura, como de fome; assim de abun¬dância, como de escassez; tudo posso naquele que me forta¬lece" (Fp 4.12-13).

GRITOS DE ALEGRIA

A Bíblia descreve o regozijo do povo de Deus no correr dos anos e não economiza palavras para mencionar a inten¬sidade e a qualidade dessa alegria.

Fala-se em grande alegria (Lc 24.52; At 8.8; Fm 7), em ale¬gria completa (Jo 16.24; l Jo 1.4; 2 Jo 12), em abundância de alegria (2 Co 8.2), em alegria transbordante (Mt 13.44; At 13.52), em plenitude de alegria (Si 16.11), em alegria indizível (l Pé 1.8), em alegria eterna (Is 35.10) ou perpétua alegria (Is 51.11), em alegria em extremo (Jn 4.6) e até em gritos de alegria (Si 42.4). As vozes da alegria provocada pela restaura¬ção e dedicação dos muros de Jerusalém na época de Esdras e Neemias foram ouvidas a uma grande distância (Ne 12.43). Salomão descreve a alegria do coração como um banquete contínuo (Pv 15.15). E Jesus faz questão de dizer que a ale¬gria provocada por sua ressurreição seria permanente: "A vossa alegria ninguém poderá tirar" (Jo 16.22).

A alegria propicia o louvor: "Está alguém alegre? Cante louvores" (Tg 5.13). O salmo 42 lembra com saudades da multidão em festa por ocasião das procissões à casa de Deus, "entre gritos de alegria e louvor" (w. 4, 5). O povo comemorou a renovação da aliança na época do sacerdote Joiada "com alegria e com canto, segundo a instituição de Davi" (2 Cr 23.18). É muito difícil separar a alegria do louvor, o louvor da músi¬ca e a música da expressão corporal (dança): "Louvai-o [a Deus] ao som da trombeta; louvai-o com saltério e com har¬pa, louvai-o com adufes e danças; louvai-o com instrumen¬tos de corda e com flautas, louvai-o com címbalos sonoros; louvai-o com címbalos retumbantes" (Sl 150.3-5). Momen¬tos de intensa alegria foram descarregados na música e na dança: por Miriã, logo depois da travessia do mar Verme¬lho (Êx 15.20-21); pela filha de Jefté, logo depois da vitória do pai sobre os filhos de Amom (Jz 11.34); e por Davi, logo depois da recuperação da arca do Senhor (2 Sm 6.14-15).

A FONTE PRIMEIRA

Na verdade, a maior fonte de alegria é a presença de Deus na vida diária do homem: "Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra delícias perpetuamente" (Si 16.11). Daí a oração de Moisés: "Sacia-nos de manhã com a tua benigni¬dade, para que cantemos de júbilo e nos alegremos todos os nossos dias" (Sl 90.14).

Davi e Salomão, pai e filho, confirmam essa verdade. Por¬que pecou e se retirou da presença de Deus, Davi perdeu a alegria, que lhe era uma experiência comum. É por essa ra¬zão que ele pede duas vezes no famoso salmo de confissão e arrependimento o retorno desse estado de espírito: "Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que exultem os ossos que esmagaste" e "Restitui-me a alegria da tua salvação" (Sl 51.8, 12). Já Salomão, seu filho, se distanciou de Deus por causa de suas mulheres estrangeiras (l Rs 11.1-8) e peregrinou atrás de alegrias duvidosas e efêmeras, entregando-se sem reser¬va a todos os seus desejos (Ec 2.10), tendo chegado por fim à feliz conclusão de que, separado de Deus, "quem pode alegrar-se?" (Ec 2.25.)

Essa lição foi duramente aprendida tanto por Davi como por Salomão. O primeiro confessou: "O Senhor, tenho-o sem¬pre à minha presença" (Si 16.8). O segundo escreveu um dos apelos mais convincentes e bonitos das Escrituras con¬tra a frustração e o tédio e a favor da colocação de Deus na linha de frente do pensamento humano: "Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer" (Ec 12.1).

Quando se fala em alegria na Bíblia, repetidas vezes refe¬re-se à alegria no Senhor. Vejam-se os salmos de Davi (9-2; 32.11; 63.11). a oração de Habacuque (He 3.18) e a Epístola de Paulo aos Filipenses (Fp 4.4).

MINAS DE ALEGRIA

A alegria não é tão difícil quanto os pessimistas pensam Ela é provocada por coisas simples sempre relacionadas com a pessoa de Deus. Basta lembrar que a alegria é fruto do Espírito (Gl 5.22), consequência inevitável para quem está em Cristo e anda no Espírito, e não na carne. Essa verdade é reforçada por mais este texto: "Vocês receberam a mensa¬gem com aquela alegria que vem do Espírito Santo, embora tenham sofrido muito" (l Ts 1.6, BLH).

Outra fonte de alegria é a segurança do perdão e da salvação: "Alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e, sim, porque os vossos nomes estão arrolados nos céus" (Lc 10.20).

Todas as vezes que Deus se manifesta e aviva a sua obra no decorrer dos anos e a faz conhecida (He 3.2), há muita alegria: "Quando o Senhor restaurar a sorte do seu povo, então exultará Jacó, e Israel se alegrará" (Si 14.7; 53.6). Talvez seja uma das mais poderosas fontes de alegria do povo de Deus (2 Cr 15.15; 29.36; 30.23-27; Ed 6.22; Ne 12.43). O crescimento quantitativo e qualitativo da igreja primitiva foi celebrado com muita alegria (At 15.3), justificando o provér¬bio de Salomão: "Quando se multiplicam os justos o povo se alegra, quando, porém, domina o perverso, o povo suspira" (Pv29.2).

O fruto do penoso trabalho também é fonte de alegria, até para Jesus: "Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma, e ficará satisfeito" (Is 53.11). Paulo correu risco de vida em Tessalônica (At 17.1-10), mas muito se alegrou com os resultados de seu trabalho naquela cidade e escreveu aos tessalonicenses: "Vós sois realmente a nossa glória e a nos¬sa alegria!" (l Ts 2.20.) Na pequena epístola dirigida a Gaio, João se abre: "Não tenho maior alegria do que esta, a de ou¬vir que meus filhos [na fé] andam na verdade" (3 Jo 4).

As promessas de Deus são outra verdadeira fonte de ale¬gria: "Alegro-me nas tuas promessas, como quem acha gran¬des despojos" (Si 119.162). A esperança produz alegria ante¬cipada e diminui sensivelmente o impacto da dor, como acon¬teceu com Paulo: "Para mim tenho por certo que os sofri¬mentos do tempo presente não são para comparar com a glória por vir a ser revelada em nós" (Rm 8.18). Os heróis da fé listados na Epístola aos Hebreus não obtiveram em vida a concretização da promessa, mas viveram debaixo da alegria e do entusiasmo daquilo que Deus prometeu fazer a seu tempo (Hb 11.39, 40). Entre Zacarias e o nascimento de Je¬sus, há pelo menos cinco séculos, mas o profeta anunciou à sua geração: "Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, hu¬milde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta" (Zc9-9).

Enquanto entre os secularizados a alegria depende do ter, e não do ser, de receber, e não de dar, entre os cristãos um dos segredos da alegria é a ordem inversa: "Mais bem-aventurado é dar que receber" (At 20.35). Essa palavra atribuída a Jesus é comprovada na experiência do povo de Deus tanto na época da construção do primeiro templo (l Cr 29.9) como na época da restauração da casa do Senhor, cerca de 150 anos depois (2 Cr 24.10). Em ambos os textos, se lê que o povo se alegrou por ter dado liberalmente a sua contribuição voluntária.

TEMPOS DE ALEGRIA

Por causa do pecado, por causa da depravação humana, por causa da ordem política e social injusta, por causa da incredulidade, por causa da atuação satânica, por causa do orgulho humano, por causa da fome e da miséria, por causa da enfermidade e da morte, por causa da rejeição do evange¬lho e por causa dos erros cometidos pela liderança civil e religiosa — nem todo tempo é tempo de alegria. A Bíblia ressalta esta verdade: "[Há] tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de saltar de alegria" (Ec 3.4).

O próprio Jesus, a fonte de toda a alegria, teve momentos de tristeza. Ele chegou a chorar ao ver Maria, irmã de Lázaro, em prantos por causa da morte do irmão (Jo 11.33-35). Cho¬rou outra vez, na entrada triunfal em Jerusalém, ao ver, do alto do Monte das Oliveiras, a cidade impenitente e marcada para a completa ruína (Lc 19.41-44). A sua maior tristeza, porém, foi no jardim do Getsêmani, quando buscou a sim¬patia de Pedro, Tiago e João: "A minha alma está profunda¬mente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo" (Mt 26.38).

Em certas situações muito especiais, a tristeza torna-se virtude e a alegria torna-se pecado. Paulo se mostra virtuoso ao se preocupar com a incredulidade dos judeus, a despeito de todas as prerrogativas do povo eleito, seus irmãos e compatriotas segundo a carne: "Tenho grande tristeza e incessante dor no coração" (Rm 9.1-5). Jó também se mos¬tra virtuoso porque não se alegrou com a desgraça daquele que lhe devotava ódio (Jó 31.29). Aliás, está escrito que "o que se alegra da calamidade não ficará impune" (Pv 17.5). Existem o "Alegra-te" (Zc 9.9) e o "Não te alegres" (Os 9.1). O "alegra-te" é para as coisas que Deus faz (Sl 118.24), e o "não te alegres" é para as coisas que o homem faz de errado (Tg 4.9). A tristeza tem de ser bem dosada. Tem de ser passageira. Tem de ser usada por Deus para provocar humildade, arre-pendimento e mudança de comportamento (2 Co 7.10). Tem de ser resolvida pela consolação das Escrituras (Rm 15.4) e pela consolação do Espírito (Jo 14.16). Tem de ser ameniza¬da pela esperança cristã (l Ts 4.18). Tem de ser sucedida pela alegria, como se preconiza neste salmo: "Ao anoitecer pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã" (Sl 30.5). Tem de ser positiva como as dores da mulher que está para dar à luz, prontamente aliviadas ao nascer a criança (Jo 16.21-22). Tem de ser vencida e subjugada pela alegria do Senhor. Para tanto, é necessário recorrer a Deus: "Alegra-nos por tantos dias quantos nos tens afligido, por tantos anos quantos suportamos a adversidade" (Sl 90.15).

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Práticas Devocionais - PRÁTICA DA VONTADE

A prática da vontade é a arte de gerir o dom do livre-arbítrio com inteligência, responsabilidade e acerto, submetendo cada desejo ao crivo da exaltação do nome de Deus, na certeza de que Ele pedirá conta de todas as coisas.

O homem não se dirige apenas por instinto, mas por livre escolha. Nesse sentido, ele é imagem e semelhança de Deus. A vontade faz parte da natureza humana e é algo imprescindível: a vontade de viver, a vontade de trabalhar, a vontade de amar, a vontade de dar, a vontade de ser bem-sucedido, a vontade de agradar a Deus, e até mesmo a vontade de "deixar esta vida e estar com Cristo" (Fp 1.23, BLH). O dom da vontade, outorgado por Deus, facilita muito a vida, torna tudo agradável e transfere uma dose enorme de responsabilidade ao indivíduo.

VONTADES CONTRADITÓRIAS

O homem tem simultânea ou sucessivamente vontades opostas entre si. Ele tem uma vontade agora e outra depois, ou ambas ao mesmo tempo. Do ponto de vista teológico, ele é dominado por duas vontades igualmente fortes: a vontade de acertar e a vontade de errar.

1. A vontade de acertar

É a vontade de rejeitar o mal e abraçar o bem. É a vontade de levar a sério o Decálogo, o Sermão da Montanha e a santidade de vida. É a vontade de obedecer, de amar a Deus de todo o coração, de agradar a Deus, de negar-se a si mesmo dia a dia, de crucificar a carne, de andar no Espírito, de não arredar o pé do caminho apertado, que conduz à vida. Não obstante nobre, essa vontade encontra sérios obstáculos.

O primeiro obstáculo é a pecaminosidade latente, fruto da queda. O homem carrega consigo, no mais interior de seu ser, esse fardo incômodo, do nascimento à morte. É por essa razão que Jesus explicou: "O que sai da pessoa é o que a faz impura" (Mc 7.20, BLH). Daí a descoberta de Paulo: "O pecado que habita em mim" (Rm 7.20).

O segundo é a estrutura pecaminosa da cultura ou da sociedade no meio da qual se vive: "Tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai. mas procede do mundo" (l Jo2.l6).

O terceiro é a atuação das forças espirituais do mal: "O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar" (l Pe 5.8). Os três obstáculos aparecem juntos na Epístola de Paulo aos Efésios: o curso deste mundo, o príncipe da potestade do ar e as inclinações da carne (Ef 2.1-3).

2. A vontade de errar

É a vontade de satisfazer os desejos da carne, de andar segundo o curso deste mundo, segundo a liderança do mal. Essa vontade de errar também encontra sérios obstáculos, especialmente quando a pessoa é educada no temor do Senhor e comprometida com Jesus Cristo.

O maior de todos os obstáculos é a atuação do Espírito Santo na vida do crente: "O Espírito milita contra a carne" (Gl 5.17). Uma porção de outros elementos se juntam ao Espírito no afã de dificultar e impedir a realização da vontade de errar. Entre eles estão a noção da santidade de Deus, o não-conformismo da nova natureza implantada pela educação religiosa e em virtude da regeneração, os compromissos anteriormente assumidos com a luz, a consciência devidamente alimentada, a visão mais profunda e mais sábia da vida, a lembrança das miragens e frustrações anteriores, o patrimônio moral e espiritual até então acumulado, a repreensão da igreja e dos irmãos e o temor do castigo da desobediência.

VONTADE ALHEIA

Da infância ao fim de seus dias, o homem está sujeito à vontade alheia e dela recebe constante e forte bombardeio. A vontade alheia usa desde a propaganda subliminar até a propaganda ostensiva: a literatura e as artes, o discurso e a persuasão, a insistência e a saturação, a mentira e o engano, a chantagem e a manipulação. Todavia, a decisão final está no exercício da vontade própria.

A vontade própria é tão determinante que tanto o bem como o mal a respeitam e tentam atraí-la e dobrá-la. No Éden, tanto Deus como a serpente respeitavam a vontade da mulher. Deus não pôs uma grade em torno da árvore da ciência do bem e do mal, nem a serpente enfiou o fruto proibido na boca da mulher. Foi ela quem tomou o fruto e o comeu (Gn 3.6). A vontade própria é uma barreira tremenda ora para as forças do mal ora para as forças do bem.

A ESCOLHA FINAL

De um lado, há a vontade de provar o fruto proibido, a vontade de deitar com a mulher de Urias, a vontade de ser amada pelo marido de outra mulher, a vontade de furtar uma barra de ouro, a vontade de não levar desaforo para casa, a vontade de não repartir coisa alguma, a vontade de ajuntar tesouros exclusivamente sobre a terra, a vontade de espalhar uma informação mentirosa, a vontade de matar o desafeto. De outro lado, há a vontade de pagar o mal com o bem, a vontade de ser sal da terra e luz do mundo, a vontade de ser limpo de coração, a vontade de crucificar o eu e espancar a carne, a vontade de seguir a Jesus até à prisão ou até à morte, a vontade de evangelizar, a vontade de distribuir todos os bens com os pobres. No meio dessas vontades fortes e opostas está o dom do livre-arbítrio.

A VONTADE DE DEUS

A única maneira de não satisfazer a vontade alheia, a concupiscência da carne, o curso deste mundo que jaz no maligno e as insinuações dos demônios é fazer um alinhamento da vontade própria com "a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" (Rm 12.2). Então o resultado será "amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio" (Gl 5.22, 23).


Autor: Elben M. L. Cesar

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Práticas Devocionais - PRÁTICA DO PODER

A prática do poder é a arte de se apropriar continuadamente, por meio da fé, do poder de Deus, colocado à disposição do crente que reconhece suas tremendas limitações e deseja permanecer fiel a Deus e servi-lo de maneira abundante na medida de seu chamamento e dons.

Existe poder aquisitivo, poder público, poder temporal, poder moderador, poder naval, poder negro, poder jovem, poder político, poder internacional, poder mental. Existe também poder espiritual, que difere substancialmente de qualquer outro poder e reúne uma porção enorme de valores relacionados com a vida em estreita e permanente comunhão com Deus. Tais valores são: aptidão, autoridade, capacidade, eficácia, energia, entusiasmo, força, influência, meios, possibilidades, recursos e vigor.

No sentido profano, o poder pode depender da posição social, das vantagens pessoais, da capacidade, do dinheiro, da propaganda, da política, do voto, da força, da tirania, da opressão, do suborno. No sentido cristão, a origem do poder é totalmente diversa e tem propósitos também diversos. Só os que se fazem pequenos têm direito ao revestimento do poder de Deus: "O poder se aperfeiçoa na fraqueza" (2 Co 12.9). Enquanto na vida secular o poder em quase todos os casos é exercido em benefício próprio, o poder ou-torgado por Deus é exercido em benefício da expansão do reino de Deus.

O PODER PERTENCE A DEUS

Aqui está o testemunho do salmista Davi: "Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: que o poder pertence a Deus" (Sl 62.12). O mesmo Davi volta a proclamar essa solene verdade na oração feita perante toda a congregação de Israel, pouco antes de morrer: "Tua, Senhor, é a grandeza, o poder, a honra, a vitória e a majestade [...] Teu, Senhor, é o reino, e Tu te exaltaste por chefe sobre todos [...] Na tua mão há força e poder; contigo está o engrandecer e a tudo dar força", (l Cr 29.11, 12.)

Embora a última frase da oração dominical não esteja em todos os textos gregos, os cristãos do mundo inteiro repetem há quase dois mil anos a bela doxologia, que pode ter sido tomada da oração de Davi acima citada: "Teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém." (Mt 6.13.)

É de todo saudável consagrar a declaração de que o poder pertence a Deus. E esse poder é imenso, suficiente para "subordinar a si todas as coisas" (Fp 3.21).

ESPÍRITO SANTO E PODER

Desde o Velho Testamento, o Espírito Santo é o instrumento do poder que promana de Deus. Faraó percebeu que José era um homem possuído pelo Espírito de Deus (Gn 41.39). Bezalel foi cheio do Espírito de Deus para ter habilidade e inteligência para elaborar desenhos e trabalhar na construção do tabernáculo (Êx 31.1-5; 36.1). Os juízes Otniel (Jz 3.10), Gideão (Jz 6.34), Jefté (Jz 11.29) e Sansão (Jz 13.25; 14.6, 19; 15.14) foram homens especialmente capacitados pelo Espírito de Deus para subjugar reinos e tirar força da fraqueza (Hb 11.32-35).

Essa concessão de poder torna-se mais notória e mais universal depois da ascensão de Jesus. Ele mesmo ordenou aos discípulos que não se ausentassem de Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder (Lc 24.49) e acrescentou: "Recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo" (At 1.8). Na oração de Paulo em favor dos efésios, o apóstolo roga a Deus que eles sejam "fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior", isto é, no íntimo (Ef 3.16). Uma vida, pois, que não entristece (Ef 4.30) nem apaga (l Ts 5.19) o Espírito, anda no Espírito (Gl 5.16), semeia para o Espírito, e não para a carne (Gl 6.8), e busca a plenitude do Espírito (Ef 5.18) — será também cheia de poder (At 6.8).

PODER PARA QUÊ?

O poder não é dado para deleite próprio nem para promoção pessoal. Isso precisa ficar bem claro. Simão, o mago de Samaria, assustou os apóstolos Pedro e João quando revelou a sua ignorância sobre a natureza do poder do Espírito Santo, ao oferecer dinheiro para comprar o dom de Deus (At 8.9-24).

Deus nos reveste de seu poder para:

1. Fazer frente ao pecado. O pecado tem uma força tremenda e "o corpo é fraco" (Mt 26.41, BLH). Para não ter uma vida de fracasso, você precisa do auxílio sobrenatural do Espírito. É por meio do poder do Espírito que você vai mortificar os reclamos da sua natureza humana (Rm 8.13).

2. Exercer o ministério para o qual fomos chamados. No caso de Sara, ela recebeu poder para ser mãe, não obstante fosse uma mulher estéril e idosa (Hb 11.11). No caso de Maria, ela recebeu poder para ser a mãe de Jesus, não obstante fosse uma mulher virgem (Lc 1 .35). No caso dos apóstolos e dos setenta, eles receberam poder para expulsar demônios e realizar curas (Lc 9.1; 10.9). No caso de Paulo, ele recebeu poder para levar o evangelho de Jerusalém ao Ilírico (Rm 15.18-21; l Co 2.1-5).

3. Testemunhar a morte e a ressurreição de Jesus "tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra" (At 1.7, 8-, Lc24.49). O derrame espetacular e geral do Espírito Santo no dia de Pentecostes tinha esse propósito. Por essa razão, imediatamente depois da descida do Espírito, a pequena comunidade cristã de Jerusalém passou a falar em outras línguas as grandezas de Deus (At 2.11). Em apenas trinta anos de missões, a igreja primitiva alcançou os mais importantes e populosos centros urbanos do mundo de então e neles se estabeleceu.

DESGASTE E RENOVAÇÃO

A manutenção do compromisso cristão e o exercício continuado de qualquer atividade em favor da expansão do reino de Deus importam em sensíveis desgastes. Em parte porque estamos sempre nadando contra a correnteza (Ef 2.1-3). Em parte porque a seara é enorme e os trabalhadores são poucos (Mt 9.35-38). Em parte porque o sofrimento que nos rodeia é intenso e variado. O desgaste é uma experiência natural e constante, como se pode ver no caso de Paulo: "Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol das vossas almas" (2 Co 12.15). Ou no caso de Davi: "A tristeza tem encurtado a minha vida; as lágrimas têm diminuído a minha existência. Estou fraco por causa das minhas aflições; até mesmo os meus ossos estão se gastando!" (Si 31.10, BLH.) Qualquer ato de amor implica desgaste. O bom samaritano gastou energia, tempo e dinheiro para salvar o semimorto da morte (Lc 10.33-35). As curas operadas por Jesus provocavam nele um desgaste de poder (Lc 6.19). Embora muitos das multidões o apertassem (Lc 8.42), o caso da mulher hemorrágica foi diferente. Por isso Jesus insistiu com Pedro: "Alguém me tocou, porque senti que de mim saiu poder" (Lc 8.46).

Porque há desgaste, a renovação do poder é uma necessidade constante. Daí este conhecido texto bíblico: "Os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos caem, mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam" (40.30,31). Esta renovação de forças não tem nada a ver com a idade cronológica nem com o desgaste físico: "[Ele é] quem farta de bens a tua velhice, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia" (Sl 103.5). É como Paulo escreveu aos coríntios: "Ainda que o nosso corpo vá se gastando, o nosso espírito vai se renovando dia a dia" (2 Co 4.16, BLH).

Pela prática do poder, o crente se abastece outra vez de força no mesmo momento em que despende alguma energia para fazer frente à tentação, ao sofrimento, à renúncia e ao desempenho de suas obrigações de amar a Deus e ao próximo. É extremamente necessário deixar a água entrar novamente todas as vezes que o nível do reservatório começar a baixar. Ele precisa permanecer sempre cheio: "Buscai o Senhor e o seu poder; buscai perpetuamente a sua presença" (Sl 105.4).

Autor: Elben M. L. Cesar

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