domingo, 29 de agosto de 2010

Esboço para pregação - O QUE REALMENTE IMPORTA - Lucas 10.38-42

Leitura Complementar: Salmo 131

Hoje vamos falar de três pessoas. Pessoas que têm uma coisa em comum. Elas receberam Jesus em sua casa. O nome de duas das três você acaba de ler no trecho bíblico em que se baseia nossa meditação. São duas mulheres, irmãs, provavelmente solteiras, que moravam no povoado de Betânia, nas proximidades de Jerusalém. Seus nomes são Marta e Maria. E a terceira pessoa vive hoje. Seu nome? Não o conheço. Não sei se é homem ou mulher, jovem ou idosa. Mas isso não importa. O que importa, caro leitor, caro ouvinte, é que Deus o saiba e que você o descubra: a terceira pessoa é você. Porque, se não descobrir aquilo, receio que esteja perdendo o seu tempo ao tomar conhecimento destas palavras. Pois saiba que a Escritura Sagrada é um espelho. De início, neste espelho nós só enxergamos as imagens de outras pessoas: Pedro, Tiago, Maria, Marta e, quem sabe, Carlos, Dorli, Cláudio e Lúcia. E, de repente, passamos a enxergar nossa própria imagem. Então é que a coisa começa a ficar quente. Então é que a palavra de Deus começa a mexer conosco. Então ela deixa de escorrer que nem água em capa de náilon. Então penetra em nós, que nem pancada de chuva que cai em terra seca e sedenta. E isso é que a palavra de Deus quer. Só isso. Ela está à procura de terra sedenta. Porque Deus não costuma chover no molhado.

Falemos, pois, em primeiro lugar, de Marta. À primeira vista, parece uma mulher realizada. É ela que é a dona da casa, já que Lucas diz que hospedou Jesus em sua casa. Parece uma mulher ativa, trabalhadora, ordeira. Ela sabe o que está devendo a hóspede tão importante. Ela se mexe, agita-se de um lado para outro, ocupada com muitas coisas. Você sabe como é: lavar a louça, preparar a comida, limpar a casa: é um trabalho que não tem fim, que não permite tirar o corpo fora, que não permite entregar-se à preguiça ou ao relaxamento. E Marta não era preguiçosa nem relaxada. Vamos constatar isso como algo de bom e positivo. E tinha mais: Marta queria servir. Queria servir a Jesus. Estava querendo aproveitar a rara oportunidade de poder servir a um homem que ela venerava como sendo o Senhor! Não um senhor qualquer, mas o Senhor, o Cristo de Deus!

O que há de errado com Marta? Haverá alguma coisa de errado com ela? Já que a receita de Jesus não poderá ser "sombra e água fresca", Marta não será até um exemplo para nós todos? Nós, que tantas vezes procuramos fugir do serviço rotineiro, olhando televisão, escapando para a praia, jogando cartas, ou fazendo conversa "fiada"? Vejamos. Será preciso ver realmente. Não devemos olhar por cima. Se lermos ou escutarmos nosso trecho bíblico com atenção mesmo, notaremos uma coisa muito importante: Marta serve, serve com muito capricho até. Mas o seu serviço não a deixa feliz. Ela corre para cá e para lá, agitada, com a cabeça cheia de coisas que estão por fazer, mas este seu serviço não parece ter graça para ela. Mais grave ainda: parece que ela está cumprindo um dever imposto a ela, seja pela vontade de representar uma boa dona de casa, seja pela rotina do trabalho costumeiro, seja pelo"Eu" ainda não dominado (ou libertado) pelo evangelho. Em todo o caso, o seu serviço não tem nada de convidativo, de descontraído, de gracioso, de alegre e feliz. Ela serve com as mãos e os pés, mas o seu coração está revoltado. Revoltado contra Maria, sua irmã, e revoltado também contra Jesus, que parece estar cego para a realidade: "Senhor, não te importas de que minha irmã me deixe servir sozinha? Ordena-lhe que venha ajudar-me!"

Ordena-lhe! É isso. Jesus precisa ordenar. Precisa mandar a irmã passiva a pôr mãos à obra! Quem não quer cooperar, quem não quer engajar-se num serviço que nós achamos importante, precisa ser mandado. Precisa aprender a arrancar-se da passividade. Vamos mexer-nos, vamos lutar, vamos mudar as coisas ruins de nosso tempo! Para que serve uma fé passiva? O que importa é agir! O que importa é mudar as condições em que vivemos! Cada minuto é preciso! Maria precisa ser despertada para a ação! O Senhor a precisa despertar!

Jesus não condena a atividade de Marta. Sabemos que Jesus mesmo foi ativo, que se cansava até o esgotamento, caminhando pelas estradas poeirentas da Palestina, pregando e topando de frente os problemas de seu tempo. No entanto, é a única vez que, no Novo Testamento, nos vai sendo relatado que Jesus tenha pronunciado duas vezes seguidas o nome de uma pessoa com quem falava: "Marta,Marta"! É sinal de que aquela mulher trabalhadora e enérgica estava correndo um perigo muito grave. Seu serviço estava sendo envenenado por dentro, pela inquietação e pela preocupação. Seu coração ficara duro, enquanto ela servia. Sua atitude já não espelhava o evangelho, antes refletia a lei, a lei dura do dever, da moralidade, da conveniência: "Ordena-lhe pois que venha ajudar-me".

Marta, Marta! As palavras de Jesus indicam que ele está preocupado com esta mulher. Mas ele não lhe ordena parar de trabalhar e sentar aos seus pés. Não a manda mudar de atitude. Jesus sabe que isso não adiantará nada. Indica-lhe, porém, o remédio para a sua enfermidade; indica-lhe "uma coisa só", indispensável para um serviço iluminado e perpassado pela graça. Mas o que lhe indica está ligado à atitude de sua irmã, Maria. E essa é a segunda pessoa de que precisamos falar agora. Maria, que sentou aos pés de Jesus para ouvir sua palavra.

Não há muito a dizer. Não é correto o que se pode ler aqui e acolá, que Maria tenha sido um tipo meditativo, menos enérgico que sua irmã. Isso é pura fantasia. Provavelmente Maria foi uma mulher tão normal e tão trabalhadeira como sua irmã Marta. O que a distingue dela é que, neste preciso momento, ela quebra a rotina, fazendo uma coisa inesperada, até um pouco chocante. Querendo falar difícil, nós poderíamos dizer, hoje: ela coloca prioridades. Uma mulher, naquele tempo, era a criatura mais amarrada à rotina que se poderia imaginar! E essa rotina se chamava serviço caseiro, e nada mais. Veja o que Maria faz: ela, num momento em que todas a tradições de seu tempo exigiam dela que servisse ao seu hóspede, quebra as tradições. Ela distingue entre o mais importante e o menos importante. Entre as coisas primeiras e segundas. E decide-se pela única coisa que importa neste momento. Senta-se aos pés de Jesus, ouvin¬do os seus ensinamentos.

Por que será tão importante o que Maria faz? Por que Jesus afirma que ela escolheu a boa parte, a única que importa? Quer ele menosprezar a ação, dizendo que mais importa ouvir e meditar que servir e agir? Podemos ter certeza que ele não quer dizer isto. O Evangelho de Jesus não divorcia a ação da fé. Pelo contrário: ela casa a ação com a fé. O que Maria faz é importante por uma razão: ela sabe que todo o nosso serviço, toda a nossa obediência acaba se esgotando, acaba se ressecando e se envenenando por dentro, se não sentarmos com regularidade aos pés de Jesus para ouvirmos os seus ensinamentos. É o mesmo que parar junto a uma fonte para beber água, numa caminhada através de um campo poeirento, em tempo de seca. É o mesmo que abastecer o carro, parando num posto de gasolina. E o mesmo que recarregar a bateria, quase que esgotada por um curto-circuito. É consertar o próprio curto-circuito, que vai descarregando a bateria sem acender uma pequena luz sequer! Parar aos pés de Jesus não é nenhum tempo perdido. Martim Lutero chegou a dizer: "Hoje tenho muito a fazer. Preciso dedicar mais tempo à oração, senão não dou conta." Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada.

E agora falemos de você, a terceira pessoa de nosso texto, além de Jesus, é claro, que é a pessoa mais importante. Será que ainda é preciso falar de você? Ou será que Deus já iniciou a falar-lhe, à Sua maneira, como Jesus falou a Marta e Maria? Será que Deus já o (ou"a") levou a colocar prioridades, fazendo-o ler este sermão, apesar do trabalho e dos compromissos que o esperam? Eu só posso dizer, presumindo que você é uma pessoa ativa, como deve ser: neste momento, torne-se bem passiva, receba, beba da fonte da palavra de Deus. Abasteça o reservatório. Recarregue a bateria. Deixe-se aprofundar na comunhão de vida que Cristo estabeleceu com você. Você, que é uma pessoa ativa na comunidade de Cristo, você mesmo, sente-se aos pés de Jesus e ouça os seus ensina mento. Quer dizer: leia, escute, ore. É a única coisa que importa, agora. Sua vida vai mudar. Seu serviço vai mudar. O evangelho vai começar a refletir-se em seus atos, suas atitudes, até em seus gestos. Vai ser o fim do nervosismo e da agitação, da irritação, da amargura. O evangelho de Jesus vai penetrar em você, vai criar raízes, bem no centro do seu "EU" mesmo.

Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada. Você, que recebeu Jesus em sua casa, lendo este sermão, você não quer colocar o seu nome no lugar do de Maria, para receber a mesma promissão que Maria recebeu? Que Deus o permita!

Oremos: Senhor, o nosso serviço deixa-nos tantas vezes preocupados e irritados. É porque estamos servindo sem amor. Servimos sem viver em verdadeira comunhão contigo. Nós sabemos que precisamos sentar aos teus pés e ouvir os teus ensinamentos. Perdoa-nos, Senhor, o nosso relaxamento em nossa vida de oração e meditação, perdoa-nos por tantas vezes termos tentado dar conta do recado sozinhos. Tu és a fonte da paz e da alegria. Tu poderás transformar também o nosso serviço. Poderás transformar a nossa vida inteira. Louvado sejas, Senhor e Salvador. Amém.



Autor: Lindolfo Weingärtner

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Esboço para pregação - HOJE PRECISO ENTRAR EM TUA CASA - Lucas 19.1-10

Leitura Complementar: Salmo 97

Um homem pequeno, mas um homem rico e bem sucedido: eis o retrato falado do publicano Zaqueu. Tamanho não é documento, e ser pequeno não significa que a gente não possa vencer na vida. E Zaqueu tinha vencido. Era maioral dos publicanos, isto é, era funcionário público graduado, chefe dos coletores de impostos da cidade de Jericó. Tinha aproveitado bem as oportunidades que seu cargo lhe oferecia. Não há indício de que tivesse enriquecido roubando, ou, ao menos, roubando mais do que outros publicanos. É possível que, no mais, tivesse agido dentro das normas da lei e dos costumes daquele tempo. Mas a lei, já então, era uma rede com malhas bastantes grandes. O próprio governo sabia disto. O governo tinha feito um arranjo bem esperto com os coletores-chefes: alugava os impostos de uma cidade por um certo tempo, a um preço definido. Se o coletor pagava a devida soma ao governo, então o resto era problema dele. O governo não ligava ao que ele fazia. Ele podia empregar sub-coletores, podia cobrar pedágio em estradas e pontes, podia explorar aquele negócio mesmo, podia tirar o quanto desse, de comerciantes, de agricultores, de operários, de viajantes, e de quem mais tivesse dinheiro. Não admira que o povo não morria de amores por estes publicanos. Chamar alguém de "publicano" era quase como dizer nome feio: explorador, corrupto, sanguessuga. "Publicanos e pecadores", assim eles eram rotulados nas sinagogas, nos lugares de reunião dos judeus. Estes publicanos nem arriscavam ir à sinagoga ou ao templo. E não era sem motivo!

Por que será que Zaqueu, aquele homem rico e bem sucedido procurou ver Jesus, quando este passava por Jericó? Por que será que correu adiante da multidão, fazendo aquela coisa incrível, realmente imprópria para um homem rico, para um funcionário graduado como ele: subir naquele sicômoro, naquela figueira que ficava bem à beira da estrada? Veja que Zaqueu agiu que nem um rapaz de doze anos, que trepa em árvore para ver um visitante ilustre passar. Mas este próprio fato não é algo maravilhoso? A simples proximidade de Jesus basta para quebrar a rotina da vida de um homem rico, para fazê-lo correr diante da multidão e fazê-lo subir numa árvore! Bem que a gente queria que muito capitalista acomodado em seu apartamento de luxo, ou sentado em seu Omega (e também muito capitalista-mirim, capitalista de Fusca e Escort) fizesse o mesmo! Como faria bem para ele, correr! Não tanto para perder peso (isso vem depois), mas para sair da rotina escravizadora do ídolo "dinheiro". Para ir ao encontro da vida verdadeira, ao encontro de Jesus, que ensina a pessoa a viver. Ensina o rico e ensina o pobre. Porque ambos precisam ser ensinados.

A Bíblia não diz se Zaqueu imaginava aonde poderia chegar com aquela corrida, com aquela subida à figueira. Não diz se ele queria mesmo aquilo que depois mudou tão drasticamente a sua vida. Diz apenas que queria ver quem era Jesus. Mas aquele "querer ver Jesus" não parece ter sido nenhum capricho momentâneo. Bastou para fazê-lo esquecer seu "status", sua dignidade, para fazê-lo correr e trepar numa árvore. Eu não tenho outra explicação para a estranha atitude deste homem a não esta: Jesus já deve ter agido na vida de Zaqueu antes deste se dar conta disso. Você vê que Zaqueu não precisava se apresentar. Jesus o conhece, chama-o pelo nome. É como um encontro programado: o caminho de Jesus, que vai a Jerusalém, rumo à cruz, passa por Jericó. É um caminho reto e claro. É o caminho da obediência. E o caminho de Zaqueu, caminho tortuoso, nada obediente, foi programado mesmo assim por Deus para cruzar o caminho de Jesus. Há coisas que tornam este encontro difícil: a pequena estatura de Zaqueu, a massa humana que rodeia Jesus (quantas vezes as pessoas que rodeavam Jesus não queriam permitir que dele se aproximassem os "indignos"! Veja Marcos 2,4 e 10,13). A chance de que Zaqueu realmente venha a ver Jesus é bem pequena. Mas o encontro acontece. Lá, junto àquela figueira, que também parece ter sido programada para esta hora! Sério: para que haja este encontro decisivo entre Jesus e uma pessoa de caminhos tortuosos, toda a criação tem que cooperar. Que pensamento empolgante aquele: por cinquenta anos, esta figueira teve que crescer, para que pudesse servir a Zaqueu. Incrível? Ora, eu creio que, visto da eternidade, o nosso caminho um tanto tortuoso pela terra, se apresentará cheio de tais coisas incríveis. Talvez algum leitor ou ouvinte ignorado entenda, por alguma experiência pessoal, o que quero dizer.

Jesus conhece Zaqueu, antes que Zaqueu conheça Jesus. E, apesar de o conhecer, ele não o rejeita. Não passa de largo por ele. Há muitos, hoje, que botam toda a culpa nos ricos. Não fazem diferença. Rico é rico, e, como dizem os marxistas, "toda propriedade é roubo". Logo, quem é rico, é rico porque roubou muito. Muitos acham ruim Jesus não ter feito frente contra os ricos. Não, não negam que ele foi amigo dos pobres. Mas, por que ele precisa comer na mesa dos ricos? Ele não se torna culpado com eles, comendo esta comida ganha com o suor dos oprimidos?

Sim, Jesus se torna culpado com eles, ricos e pobres. Ele não faz diferença. Encontra-se com ricos e pobres, sem perguntar por seu passado, sem lhes atribuir sua "classe", seu condicionamento social, seu muito ou pouco dinheiro. Ele entra na fila de pecadores e pobres, sem preconceitos. Sua única intenção é salvar a pessoa. Salvar é mais do que dar pão e casa. Salvar é mais do que distribuir a renda por igual. Salvar é tirar a pessoa da prisão do maligno e abrir-lhe a casa de Deus. Salvar é perdoar e dar nova vida. É por isso que Jesus também precisa entrar na casa dos ricos. É que eles também precisam de Salvador. Ou há alguém que ouse afirmar que não precisam?

"Quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa". Jesus não lhe impõe nenhuma condição. Dispensa quaisquer formalidades: "Desce depressa!" Zaqueu veio para ver quem era Jesus. Lá do alto ele está vendo. Mas não vê o suficiente. Precisa chegar mais perto dele. Precisa falar com ele. Mais: precisa receber Jesus em sua casa. Em sua casa? Então Jesus irá lá? Para aquela casa que já viu tanta coisa? Jesus será cego? Não, Jesus vê. Jesus olhou para cima e viu Zaqueu assim como ele era. Ele não olhou com olhos de pecador que trata de descobrir outro pecador para ter alguém que possa acusar. Jesus viu Zaqueu, assim como Deus o vê, com os olhos de Deus, por assim dizer. Olhou-o com amor, com graça, com vontade de aceitá-lo, de salvá-lo. E Jesus se convida a si mesmo para a casa de Zaqueu...

E Zaqueu? Por que não usa agora aquele velho ardil de Adão, escondendo-se entre as árvores do jardim? Teria sido tão fácil, sumir-se entre a folhagem da figueira e tirar o corpo fora deste jogo. Porque muito estava em jogo para Zaqueu nesta hora. Não só sua fortuna. Toda a sua vida estava em jogo. E Zaqueu, o pequeno homem rico, deve ter sentido isso. Mas, apesar disto entendeu Jesus. "Ele desceu depressa e o recebeu com alegria." Quem sabe, aquele homem rico estava faminto e sedento de alegria, de alegria que dinheiro não compra. Quem sabe, a alegria de participar do evangelho se tenha tornado tão grande que ele não se importava com mais nada. Quem sabe, o retrato falado de Zaqueu: "homem pequeno, rico e bem sucedido" nem era um retrato tão fiel assim. Quem sabe, Jesus tinha um retrato mais fiel de Zaqueu, e de você e de mim, do que o "retrato falado" que nos identifica na sociedade?

"Todos os que viram isto, murmuravam, dizendo que ele se hospedara com um pecador." Todos! É duro. Entre estes "todos" estavam também os discípulos. Este murmúrio não parou nunca, na igreja. Quando um pecador é atingido pela graça, o inferno protesta. E protestam todos os que não vêem o homem com os olhos de Deus, que o vêem com olhos de acusador. Jesus? Ele não diz nada. O que ele faz, diz tudo. Ele senta-se à mesa de Zaqueu e come com ele. Há atitudes e há gestos que falam mais claro do que palavras. Há atitudes e há gestos que são cópias tão fiéis de atitudes e de gestos de Deus, que o homem em questão se vê atingido por Deus mesmo. Foi o que aconteceu no caso de Zaqueu. Jesus pregou neste dia sem usar palavra. Pregou comendo, comendo na casa de um pecador.

"Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e se em alguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais." Isto deve ter sido que nem uma bomba naquela hora, você pode acreditar! E veja que Jesus não tinha exigido que Zaqueu fizesse aquilo. Zaqueu disse: "Eu resolvo." Mas note que este "eu resolvo" foi a primeira decisão realmente livre de sua vida. Antes, era o dinheiro que tinha mandado nele. Agora é ele quem manda no dinheiro. Com uma liberdade incrível, este homem rompe o quadro de seu retraio falado e age, não como um publicano, mas como um rei: um escravo libertado, feito senhor, que agora dispõe em sabedoria e com mão aberta de seu dinheiro, dinheiro que agora realmente é de Zaqueu, porque faz o que Zaqueu manda.

Dissemos há pouco que Jesus não fazia diferença entre ricos e pobres. Ele não fazia mesmo. Mas nunca deixava o pobre preso à sua pobreza, nem o rico preso à sua riqueza. Onde o evangelho não mexe com o "status" da gente, com o "retrato falado", com a fortuna, com seu relacionamento com o dinheiro, aí alguma coisa correu errada. Eu não acredito em conversão que converte só o coração. A carteira precisa ser convertida também. A carteira, e muitas outras coisas mais, que escravizam o homem. Há cristãos que querem levar uma vida santa, mas que não têm uma centelha de "espírito social", ignoram a pobreza que os rodeia e agradecem a Deus por tê-los abençoado com tantos bens. Que nos deixemos abalar por aquilo que Zaqueu fez! Fez, porque resolveu fazer!

Nada mais temos a acrescentar a este relato sobre o encontro de Jesus com um homem pequeno, que chegou a recebê-lo em sua casa. Apenas, o que o próprio Senhor diz. E queremos aplicá-lo a nós mesmos - você a si, e eu a mim: "Hoje houve salvação nesta casa, pois este também é filho de Abraão. Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o perdido".

Oremos as palavras de outro publicano, conforme a parábola de Jesus, e depois oremos em silêncio, abrindo-nos ao evangelho de Cristo: Tem piedade de mim, Senhor. Eu sou um pecador. Amém.



Autor: Lindolfo Weingärtner

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Pneumatologia - O ESPÍRITO SANTO - ADENDA DE ATOS 19:1-7

INTRODUÇÃO

Estas Escrituras têm sido um campo de batalha e controvérsia. Dois erros principais têm sido baseados nesta porção de Escritura.

A. O batismo de João não era válido para esta dispensação e, portanto, aqueles homens foram rebatizados.
B. Depois de uma pessoa estar salva ela tem que buscar uma segunda experiência na qual ela recebe o Espírito Santo.

I. INFORMAÇÃO HISTÓRICA.

Entender vs. 1-7, devem ser reconhecidos vários fatos:

A. Neste momento João Batista estava morto a mais de vinte anos.

B. Éfeso ficava longe da Judéia, onde foi difundido o ministério de João.

C. João, enquanto na terra, tinha recebido autoridade do Céu para batizar (João 1:6, Marcos 11:30). Esta autoridade não foi transmitida para os seus discípulos. Cristo e os apóstolos foram batizados por João e era Cristo quem dava a autoridade aos discípulos para que eles batizassem (João 4:1-2, Mateus 28:28-29).

D. Alguns dos que estiveram sobre a influência difundida por João não permaneceram para se tornarem discípulos de Cristo. Estes homens eram ignorantes (não sabiam) da vinda do Espírito (Atos 2) e de outras grandes verdades.

E. Alguns destes homens durante anos tentaram ensinar os outros, mesmo tendo, eles mesmos, uma compreensão imperfeita daquilo que sabiam. Alguns até puseram-se a batizar como João.

II. EXPOSIÇÃO DE VERSÍCULO POR VERSÍCULO.

A. Versículo 1 - Paulo veio para a grande cidade de Éfeso. Aqui foi iniciado um ministério que eventualmente afetou toda a Ásia Menor (verso 10).

B. Versículo 2 - Em Éfeso, Paulo conheceu certos homens que tinham sido erroneamente ensinados e tinham sido batizados sem a autoridade de alguém que professou ser um seguidor de João Batista (Apolo?). Estes homens obviamente não haviam conhecido a João porque eram ignorantes sobre o batismo com o Espírito e de outras verdades que João pregou (Mateus 3:11; João 1:26 - 30).

Paulo, ao encontrar-se com eles, notou que lhes faltava algo. A sua pergunta e a resposta que eles deram revelou uma ignorância de:

1. A pessoa do Espírito Santo que habita no coração dos crentes.
2. O sinal do batismo com o Espírito predito por João. Este já havia sido recebido pelos judeus crentes (Atos 2), os crentes de Samaria (Atos 8) e o Gentios (Atos 10).

[Os Pentecostais têm pervertido o significado mostrado por Paulo por ensinarem a segunda bênção. Tanto Jesus Cristo quanto Paulo ensinaram que o Espírito é recebido pela fé (João 7:38-39, Galátas 4:6). Os que conheciam o idioma grego, sabiam que a pergunta de Paulo implicaria em o Espírito vir habitar em nós no tempo que nós cremos e não em um dia posterior. O particípio refere-se ao mesmo tempo ao verbo.]

C. Versículo 3 - Todo o batismo está "em" doutrina e autoridade de alguém (I Coríntios 10:2). Com o batismo nós nos identificamos com alguém ou algum sistema de doutrina. Quando Paulo ouviu as respostas ignorantes dadas por eles perguntou-lhes em que foram batizados. Eles responderam que haviam sido batizados na autoridade e no ensino de João. Eles não estavam reivindicando terem sido batizados pessoalmente por João.

D. Versículo 4. - Paulo, então, explicou a aqueles homens que estavam mal informados. Eles não sabiam o propósito do batismo ministrado por João, pareciam ignorantes de tudo ou quase tudo concernente a Cristo.

E. Versículo 5 - Paulo não batizou a aqueles homens por considerar o batismo de João inválido. Jesus Cristo, a cabeça da igreja, tinha o batismo de João. Os apóstolos, originais, tiveram somente o batismo de João. A primeira igreja instituída por Cristo durante o Seu ministério terrestre, era composta por pessoas que tinham somente o batismo de João. Nenhum destes foi rebatizado. É verdade que a igreja naquele momento estava em um estado pouco desenvolvido. Contudo, não há nenhuma razão para rejeitar o batismo de João. Fazer isso seria o mesmo que anular o batismo de todas as igrejas verdadeiras. Nosso batismo veio de João, por Cristo. Estes homens foram rebatizados porque:

1. Eles haviam sido batizados por um administrador sem autorização.
2. batismo é um ato de obediência à verdade. Estes homens não conheciam a verdade. De acordo com o versículo 4 eles nem mesmo sabiam o propósito do batismo de João.

F. Versículo 6-7 - Tendo sido batizados por Paulo aqueles homens receberam o sinal do batismo com o Espírito. Lembre-se que aquele batismo era um sinal que tinha o intuito de provar que o Espírito tinha vindo ao um povo. Esta é a última instância de um grupo no livro de Atos que recebeu este sinal. Foi dado a estes doze homens como prova de que aquilo que Paulo havia lhes ensinado era a verdade. Então, aqueles homens verdadeiramente vieram a saber o que João pregou. Eles seguiram o Messias que João havia pregado e receberam o batismo com o Espírito como João havia profetizado.



Autor: Pr Ron Crisp
Fonte: www.obreiroaprovado.com

Pneumatologia - O DOM DE LÍNGUAS

INTRODUÇÃO

O interesse pelo dom de línguas tem tido um crescimento fenomenal nos últimos anos. Atualmente multidões reivindicam possuir este dom. Como sempre, os filhos de Deus "provam todas as coisas" (I Tessalonicenses 5:21) por um estudo cuidadoso da Palavra de Deus.

I. O REGISTRO DE LÍNGUAS NA BÍBLIA.

O dom de línguas é mencionado apenas em três livros do Novo Testamento (Marcos 16:17-20, Atos 2:1-13; 10:45-46; 19:6, I Coríntios 12:1 a 14:40). É informativo notarmos que poucos livros das Escrituras mencionam línguas. Entre vinte e uma epístolas do Novo Testamento, nas quais salvação, gozo Cristão, crescimento espiritual, qualificações ministeriais e o trabalho do Espírito de Deus são mencionados, contudo em uma única são mencionadas as línguas. É inexplicável o dom de línguas como é visto no movimento moderno de línguas. (Deveria ser notado que na ocasião em que foram mencionadas as línguas em uma epistola tratava-se de repreensão devido a elevação e o abuso sobre este dom.)

II. A NATUREZA DAS LÍNGUAS.

O dom de línguas era a habilidade sobrenatural de falar em um idioma que não se havia adquirido através de estudo. Não há nenhuma razão Bíblica para acreditar que este idioma era qualquer outra coisa além de um idioma humano existente. Em Atos 2:1-11, os discípulos falaram em idiomas nativos dos muitos judeus estrangeiros presentes em Jerusalém no Pentecostes. Em I Coríntios 14:16 e 23, os Coríntios são advertidos que os indoutos não podiam entender as línguas. Essas declarações seriam sem sentido se as línguas não fossem idiomas humanos já conhecidos por alguns. Em I Coríntios 14:21, Paulo cita uma profecia do Velho Testamento relativa ao propósito das línguas. Esta profecia trata-se do idioma humano que revela novamente a natureza da língua em Corinto.

O conceito moderno de línguas como um idioma divino, ou como fala extática tem uma dupla origem:

A. Quase toda forma de paganismo de tempos primitivos até o presente foi caracterizada como alguma forma de fala extática. Até mesmo em muitas das seitas que negaram os ensinamentos básicos do Cristianismo houve reivindicações para que tivessem o dom de falar em uma língua divina (os Mórmons, Shakers). É desnecessário dizer que os cristãos sempre viram estas atividades como demoníacas (Isaías 8:19).

B. O conceito de línguas Bíblicas como uma forma de fala extática foi introduzido em teologia Cristã pelos teólogos alemães racionalistas. Eles popularizaram a crença de que as línguas Bíblicas não eram idiomas humanos para eliminar a natureza milagrosa do dom.

III. O PROPÓSITO DAS LÍNGUAS.

Nosso Senhor deixa muito claro que as línguas eram um sinal (Marcos 16:17). Quando a igreja de Corinto começou a usar línguas como meio de auto-glorificação, foi-lhes falado que precisavam amadurecer e aprender que as línguas deveriam ser usadas como um sinal (I Coríntios 14:20-22). Deixe-nos examinar este ponto importante com detalhes.

Em I Coríntios 14:21, Paulo cita Isaías 28:11 como prova de que as línguas eram um dom de sinal. Em Isaías capítulo 28, achamos Isaías reprovando os anciões de Judá pelos pecados que eles haviam cometido. Eles não se arrependeram, mas zombaram da pregação de Isaías como se ela fosse inferior ao nível intelectual que eles possuíam (vs. 9-10). Sendo assim Isaías deu a profecia em que Deus falou a eles pelas línguas estrangeiras do exército assírio que estava invadindo. Com isto, Paulo conclui que as línguas são um sinal.

Nós também poderíamos mencionar que as línguas não eram um sinal a todos os incrédulos, mas para incrédulos judeus em particular. Isto é visto em Isaías capítulo 28, e também no Novo Testamento. Em todos os casos registrados no livro de Atos o dom de línguas era um sinal aos judeus. É interessante também lembrar-nos que a igreja em Corinto começou ao lado de uma porta de uma Sinagoga judia (Atos 18:7). Talvez isto explique em parte o destaque do dom naquela igreja.

Continuando nosso exame sobre o propósito das línguas deveríamos notar que as línguas agiram como um sinal de confirmação para pelo menos três verdades bíblicas diferentes.

A. A veracidade do evangelho.
As línguas eram dadas como uma confirmação da verdade do evangelho (Marcos 16:17-20, Hebreus 2:3-4). Vemos isto ilustrado em Atos 2:1-41.

B. A recepção dos Gentios no reino de Deus.
Em Atos 10:44-48, as línguas agiram como um sinal para confirmar a ocasião em que Deus havia concedido o arrependimento ao Gentios. Isto foi recebido até mesmo como prova pela igreja de Jerusalém (Atos 11:1-18).

Algumas pessoas podem questionar como as línguas poderiam ser um sinal aos crentes judeus levando em conta I Coríntios 14:22. A resposta é que embora aqueles judeus tenham crido em Cristo contudo as línguas agiram como um sinal de outra área na qual eles eram culpados de incredulidade (a Possibilidade da conversão dos Gentios).

C. O julgamento vindouro.
Em Isaías 28:11, as línguas eram um sinal de julgamento. Muitos crêem que as línguas foram uma advertência para Israel sobre a invasão Romana em 70 d.C. que levou a término a existência de Israel como nação durante quase mil e novecentos anos.

Tendo notado o verdadeiro propósito das línguas nós estamos agora em uma posição melhor para lidarmos com alguns dos erros cometidos referentes a este assunto. Nós poderíamos mencionar primeiramente que alguns ensinaram que as línguas foram dadas para auxiliar a pregação do evangelho. Não há nenhuma evidência para esta idéia no Novo Testamento. As línguas como um sinal vindicaram o evangelho, mas nunca foram usadas para auxiliar à pregar isso. Homens como Paulo, poliglotas, parecem não ter tido nenhuma dificuldade de comunicação no Império Romano. Até mesmo em Atos 2:1-41 não há nenhuma evidência de que o dom de línguas agiu diferentemente de um sinal. Veja em Atos 2:6-12, os judeus estrangeiros ficavam pasmos com o dom de línguas. Essas pessoas eram pelo menos bilingües. As línguas não eram dadas de forma que eles pudessem entender o evangelho mas, contrariamente, para que eles pudessem acreditar nele. Muitos daqueles foram convertidos e ficaram na igreja de Jerusalém, contudo a comunicação nunca foi um problema.

Outro conceito falso é o ensino moderno e popular de que as línguas são para a edificação íntima do usuário. Isso, é claro, contradiz o ensino Bíblico sobre o propósito de línguas e também a verdade que dons são sempre para o corpo de Cristo como um todo. É duro acreditar que Deus reteria de muitos (I Coríntios 12:11 e 30) meios de crescimento espiritual. Não há registro de uso particular de línguas no Novo Testamento.

Deixe-nos examinar alguns dos versículos usados para ensinar que as línguas devem ser usadas em oração e adoração privada.

I Coríntios 14:2 - Este versículo não está descrevendo oração. A razão pela qual a língua falada pelo homem e não interpretada, e que "ninguém entende", é tida como evidência de que ele está falando com Deus. Paulo não está discutindo a oração particular mas o erro de se utilizar línguas não interpretadas no culto da igreja. Se eu usasse Espanhol em uma igreja que fala Inglês somente Deus me entenderia e a igreja não seria ajudada.

I Coríntios 14:3-5 - Paulo está falando sobre a superioridade da profecia sobre as línguas em um culto público da igreja. Aquele que profetiza edifica a igreja enquanto que aquele que fala em línguas edifica a si mesmo. Não há aqui nenhum ato íntimo de devoção.

Se um inglês testemunhar em uma igreja russa o seu coração pode ser abençoado mas a igreja não fará proveito disso. Este mesmo princípio era usado no exercício das línguas. Note também que nos versos 4-5 Paulo está discutindo uma situação em que o locutor da língua poderia interpretar suas próprias palavras. O indivíduo que fala em uma língua a qual nem mesmo ele compreende não pode ser abençoado a não ser que alguém interprete-a.

I Coríntios 14:14-15 - Paulo está falando aqui sobre oração em uma língua desconhecida, mas apenas para reprovar a prática. A oração deve ser administrada com entendimento (vs. 15). Isso proibiria a idéia de orar em uma língua em que não se entende. A palavra battalogeo traduzida como "vãs repetições" em Mateus 6:7, são meios para "balbuciar sem pensar". A pessoa nunca deve orar desta maneira.

I Coríntios 14:27-28 - Paulo não está recomendando aqui a prática de falar em língua intimamente. O seu propósito é proibir o uso de línguas sem interpretação na igreja. Estes preceitos eram usados por homens de Deus em dias anteriores para reprovar a prática Católica Romana de administrar adoração religiosa em latim. Os homens podem orar em qualquer idioma que eles entendem em secreto. Eles não devem orar em um idioma que eles não entendem nenhum lugar. Em público eles devem falar em um idioma inteligível pela igreja ou então as suas palavras devem ser interpretadas.

O conceito pentecostal das línguas como sendo uma ajuda à devoção particular é contrário a tudo o que a Bíblia ensina sobre línguas.

IV. A REGULAMENTAÇÃO DAS LÍNGUAS.

As desordens acontecidas em Corinto fizeram que Paulo estabelecesse algumas regras. Esses regulamentos devem ser seguidos por todos os que pensam ser espirituais (I Coríntios 14:37-38).

A. Tudo deve ser feito de maneira ordenada - I Coríntios 14:32-33; 40.

B. As línguas não devem ser buscadas - I Coríntios 12:18.
A igreja, como um todo, deve desejar que os melhores dons (aqueles que edificam) possam ser encontrados entre os membros (I Coríntios 12:31). As línguas foram um dos menores dons (I Coríntios 14:5).

C. As línguas devem ser interpretadas - I Coríntios 14:28.

D. Só uma pessoa pode falar a cada vez - I Coríntios 14:27 e 30.

E. Em qualquer culto somente três pessoas podem falar em línguas - I Coríntios 14:27.

F. As mulheres não podem falar na igreja - I Coríntios 14:34-35.

G. Não devem ser proibidas as línguas - l Coríntios 14:39.
Paulo teve receio que o seu ensino sobre a inferioridade das línguas como um dos meios de edificação da igreja fizesse que elas fossem proibidas. (Este versículo obviamente não seria atual se as línguas houvessem cessado. As Igrejas Batista têm todo o direito de proibir a imitação moderna deste dom).

V. A CESSAÇÃO DAS LÍNGUAS.

Em I Coríntios 13:8, fomos instruídos que as línguas cessariam. Isto provavelmente aconteceu em 70 d.C., quando Israel como uma nação perdeu sua existência incorporada. O dom definitivamente cessou entre 95-96 d.C., quando as Escrituras foram completadas. (Para maiores informações veja a lição dos dons temporários).

VI. AS LÍNGUAS HOJE

Alguns podem estar perguntando-se como nós explicaremos o fenômeno moderno de falar em línguas encontrado no movimento Pentecostal. Por estas "línguas modernas" contradizerem a Bíblia no ensino relativo à sua natureza, propósito, duração, e regulamento elas não podem ser de Deus. Deus não contradiz a sua Palavra (I Coríntios 14:37, Mateus 5:17-18). A experiência moderna de línguas pode ter várias explicações.

A. Podem ser falsas.

B. Podem ser psicologicamente induzidas.
Ao contrário do Novo Testamento os defensores das línguas modernas ensinam as pessoas como falar em línguas. Muito disso parece ser uma forma de auto-hipnose, na qual o cérebro entra em curto circuito e começa a falar sem parar.

C. Podem ser de inspiração demoníaca.
Muitos são os acontecimentos em demônios falam através dos possuídos. Os cristãos sempre viram a fala extática dos pagãos como tendo procedência demoníaca. Quando a pessoa considera algumas das doutrinas e dos frutos do mal que saiu do Pentecostalismo fica óbvio que demônios realmente estão ativos. (Isaías 8:19).



Autor: Pr Ron Crisp
Fonte: www.obreiroaprovado.com

Pneumatologia - A SAÚDE E O DOM DE CURA

INTRODUÇÃO

Muitos têm errado ao incluir o assunto de cura divina, como um todo, sob o título "dons de cura" (I Coríntios 12:9). O dom de cura era temporário, e só compõe uma parte do assunto de cura divina. Devido a confusão ao redor do "dom de cura" e "cura divina" nós cobriremos ambos assuntos nesta lição.

Existem pessoas que ensinam que o "dom de cura" ainda está em operação, acusando os pregadores não radicais dizendo a eles que crêem que Deus não ouve as suas orações. Com certeza, isto é uma calunia proveniente daqueles que se recusam a estudar as Escrituras. As pessoas que sofrem pela dor, medo, morte, ou pesar por um doente amado estão freqüentemente à mercê desses homens que dizem ter o dom de cura. Não há dúvida nenhuma, de que todo crente precisa estar bem-fundamentado no ensino da Palavra de Deus relativamente a saúde e a cura.

I. A BÊNÇÃO DA SAÚDE.

Da mesma maneira que os cristãos desejam ver seus irmãos com boa saúde (III João 2), nosso Deus benevolente tem providenciado o bem-estar para o Seu povo. A obediência para com a Palavra de Deus geralmente trará uma melhor saúde. O crente deve evitar preocupação, tensão excessiva, temor, ódio, glutonaria e embriaguez. Todos estes ultrajes são inimigos da boa saúde. Veja a promessa de vida longa em um dos dez mandamentos (Êxodo 20:12).

Anos antes do descobrimento da ciência moderna a nação de Israel tinha um programa que objetivava dedicar uma melhor saúde para o seu povo. Os mandamentos de Deus a eles incluíam higiene, quarentena do doente, lavagem em água corrente e o Sábado sagrado de descanso. A proibição da imoralidade sexual era uma barreira às muitas doenças sociais que infestam nosso país hoje. Tudo isto revela que enquanto a santidade é o principal desejo de Deus para os seus filhos, contudo Ele também determinou o bem-estar físico dessas pessoas dando Seus mandamentos.

II. A RAZÃO PARA A DOENÇA

Nosso entendimento sobre o assunto de cura é afetado grandiosamente por nossos entendimentos em relação ao propósito da enfermidade. Os "curandeiros de fé" modernos diriam que nós temos que acreditar que toda doença é resultado de incredulidade e que nunca é preciso estar doente. Em um mundo onde o bem e o mal freqüentemente sofrem, esse ponto de vista contradiz nossa experiência como também a Bíblia. Olhando à Palavra de Deus compreendemos que a doença pode ter muitas razões.

A. A enfermidade pode ser um castigo de Deus.
Nós pensamos em algumas das pestes que caíram sobre Egito, ou o golpe da cegueira para o mágico pelo apóstolo Paulo. É interessante que nestes casos, a doença era um sinal assim como a cura em outros.

B. Pode ser permitida a enfermidade para a glória de Deus - João 9:1-3.
Deus permitiu que este indivíduo nascesse cego, de forma que Cristo fosse glorificado por sua cura. Não há dúvidas que Deus permite certas enfermidades para que Seu nome seja glorificado no exercício da paciência cristã nas aflições.

Note aqui que os apóstolos mantiveram um erro judeu de que enfermidade era sempre resultado de pecado pessoal. Igualmente os curandeiros modernos fazem do doente o responsável caso não encontrem a cura.

C. A enfermidade pode ser dada para que o cristão se mantenha humilde - II Coríntios 12:7-10.

D. A enfermidade pode ser dada como castigo para os santos - I Coríntios 11:29-31.

E. A enfermidade às vezes não é explicada - I Timóteo 5:23.
Muitas vezes o filho de Deus tem que reivindicar a promessa de Romanos 8:28, enquanto ele não tem nenhum conhecimento das razões de sua enfermidade.

F. A enfermidade às vezes é produzida pelas circunstâncias.
Em Filipenses 2:30, nós conhecemos um homem que ficou doente por colocar a importância do trabalho de Deus sobre sua própria saúde.

G. A enfermidade pode ser de Satanás.
Em Lucas 13:16, nós achamos uma mulher que Satanás tinha prendido com enfermidade. Outras Escrituras falam de demônios que causam debilidades físicas e mentais.

III. O DOM DE CURA.

O dom de cura era a habilidade de curar à vontade pelo poder de Deus. Este era um dom de sinal para aqueles que desacreditavam da pregação de Cristo e de seus discípulos (Mateus 11:2-5, Marcos 16:17-18, Atos 2:22, Atos 4:29-30, Hebreus 2:3-4). Os primeiros apóstolos, pela manhã, pregaram o evangelho e curaram. A cura trazia a atenção para que se verificasse a veracidade do evangelho (não é igual aos curandeiros modernos que enfatizam e pregam a própria cura como sendo uma finalidade da pregação).

O dom de cura cessou quando a Bíblia se completou e a mensagem foi completamente crida. Assim como a entrega da lei no Monte Sinai, o evangelho não necessita ser reafirmado continuamente. Nos livros mais recentes do Novo Testamento nós vemos uma diminuição de citações de curas e um aumento de enfermidades não cuidadas (I Tim 5:23; II Tim 4:20; Fil. 2:25-30). É interessante notarmos nesta consideração que no Novo Testamento os cristãos sempre viam a cura como um sinal e nunca como uma mera benção pessoal. Até mesmo a igreja em Corinto, tão proeminente por apresentar Sinais estava cheia de pessoas doentes sendo castigadas (I Coríntios 11:30).

Deus nunca prometeu ao Seu povo saúde perfeita aqui neste mundo (Apocalipse 21:4). Aqueles que reivindicam possuir atualmente o dom de cura não só fazem uma falsa reivindicação, como também exibem uma séria ignorância sobre a natureza e o propósito deste dom. Ensinar que Deus sempre cura é um tormento cruel e um engano para os que sentem dor e confunde o crente que está sofrendo de acordo com a vontade de Deus.

IV. OS ARGUMENTOS DE CURANDEIROS DE FÉ.

Aqueles que reivindicam ter o dom de cura, e os que ensinam que é sempre a vontade de Deus curar tem vários argumentos para apoiar suas doutrinas. Satanás sempre esteve apto a citar as Escrituras. Deixe-nos examinar alguns destes argumentos.

A. A cura foi comprada pela expiação de Cristo.
É uma grande verdade dizer que Cristo morreu para redimir nossos corpos mortais, contudo também é verdade que nós ainda não temos recebido essa redenção do corpo (Romanos 8:23, I Coríntios 15:22-54). Algumas das bênçãos da nossa salvação são futuras e nenhuma quantia de fé (ou de presunção) mudará isto. Os cristãos continuarão adoecendo e morrendo até que Cristo volte.

Note também que aqueles versículos que ensinam que a expiação traz a cura no presente têm sido mal aplicados.

Compare Isaías 53:4 com Mateus 8:16-17 (Este trecho de Isaías cumpriu-se durante o ministério terrestre de Cristo).
Compare Isaías 53:5 com I Pedro 2:24-25 (Este trecho de Isaías refere-se à cura da alma em pecado).

B. Cristo nunca muda - Hebreus 13:8.
Hebreus 13:8, afirma que Cristo é sempre o mesmo na Sua natureza divina e no Seu maravilhoso amor. De nenhuma maneira isto prova que o programa de Cristo é o mesmo para todas as épocas. Aqueles que citam estes versículos para provar que o dom de cura ainda existe se esquecem que durante os primeiros trinta anos da vida terrestre de Cristo Ele não curou ninguém. Nós também notamos que o precursor de Cristo nunca curou ninguém (João 10:41).

V. DEUS AINDA CURA?

O crente que conhece a Palavra de Deus rejeita pelo desgosto as reivindicações de curandeiros modernos, contudo o autor nunca conheceu um crente que tenha negado que Deus ainda cura. Os dias dos sinais e dos dons de sinais são passados, contudo Deus sempre permanecerá operando milagres. Nós estamos alegres por afirmar que Deus pode e ainda cura todas as formas de enfermidades. Nós nem sempre podemos saber se é ou não a vontade de Deus curar, porém nós nunca devemos duvidar de Sua capacidade. Muitos podem testemunhar tendo experimentado o poder de cura de Deus.

VI. NOSSO DEVER EM RELAÇÃO A NOSSA SAÚDE.

A. Nós deveríamos fazer considerações devidas ao nosso bem-estar físico.
Danificando a nossa saúde estaremos tentando a Deus.

B. Nós deveríamos orar a Deus quando doentes - II Coríntios 12:7-9, II Crônicas 16:12.

C. Nós deveríamos examinar nosso coração pelo pecado quando estivéssemos doentes.
Às vezes a enfermidade é resultado de castigo pelo pecado. I Coríntios 11:30-31, Tiago 5:16,

D. Nós deveríamos chamar outras pessoas para orar por nós quando estivéssemos doentes (Tiago 5:14-16). (Note que foram chamados anciões e não curandeiros de fé. A enfermidade aqui em questão parece ser o resultado de um castigo.)

E. Nós deveríamos usar meios formais para curar - I Timóteo 5:23, Colossenses 4:14, Lucas 10:33-34.

F. Nós deveríamos submeter-nos à vontade de Deus.

Deus nem sempre cura Seu povo. Às vezes é dado a eles a oportunidade de glorificar a Deus exibindo um verdadeiro comportamento cristão durante as aflições (I Tessalonicenses 5:18, II Coríntios 11:27 e 12:7-10). Note que a verdadeira fé pode ser evidenciada em presença de enfermidades tão bem quanto em presença de curas (Compare Hebreus 11:33-35a com Hebreus 11:35b-39).



Autor: Pr Ron Crisp
Fonte: www.obreiroaprovado.com

Pneumatologia - OS DONS TEMPORÁRIOS

INTRODUÇÃO

Os batistas acreditam historicamente que alguns dons espirituais (e ofícios) pertenceram à infância da igreja do Senhor. Esse foi um resultado natural de posicionamento em relação a Bíblia. Eles a asseguraram como "única regra de fé e prática". Esta posição também foi defendida por protestantes ortodoxos.

Por outro lado o Catolicismo e a maioria dos cultos sempre reivindicaram possuir dons milagrosos. Profetas inspirados, novas revelações, curas milagrosas e sinais sempre foram ostentados por estes grupos. Em tempos recentes um movimento religioso chamado "renovação carismática" tem reivindicado que os dons milagrosos estão sendo re-restabelecidos em seu âmbito. Este movimento é agora interdenominacional e tem experimentado um crescimento tremendo.

Quando a ênfase moderna para milagres é examinada, pensamos que o caminho está sendo preparado para a vinda do Anticristo (II Tessalonicenses 2:8-12). A sua vinda será durante um tempo de grande ênfase aos milagres (Mateus 24:24; 7:22-23). Convém às pessoas de Deus examinar tudo com o holofote da Palavra de Deus.

I. OS NOVE DONS TEMPORÁRIOS.

Em I Coríntios 12:8-10, nós temos listados nove dons que foram possuídos peculiarmente pelas igrejas apostólicas. Estes dons (assim como o oficio de apóstolo e profeta) foram temporário. Nosso plano é definir primeiramente estes dons e então provar que eles não foram dados por Deus como um dom permanente.

A. A palavra de sabedoria.
Esta era a habilidade sobrenatural de tomar decisões ou não falar baseando-se em estudo ou premeditação, mas pelo trabalho direto do Espírito Santo na mente (Atos 6:8-10, Mateus 10:19-20). [Por que aqueles que reivindicam possuir este presente contratam advogados quando se envolvem em litígio?]

B. A palavra de conhecimento.
Esta era a habilidade de saber fatos e compreender situações em virtude de uma revelação direta pelo Espírito Santo (Atos 5:1-10, II Reis 5:25-26).

C. O Dom da fé.
Isto é o que nós chamaríamos de "fé milagrosa" (I Coríntios 13:2, Atos 3:1-9). Esta fé não era possuída por todos os crentes, mas era soberanamente dada por Deus segundo o Seu querer (I Coríntios 12:11). Não deve ser confundida com a fé salvadora, comum a todos os crentes.

D. Dons de cura.
Esta era a habilidade de curar à vontade (Atos 9:32-35). A cura foi executada como um sinal (João 10:38, Atos 4:29-30).

E. Operar os milagres.
Esta era a habilidade de fazer milagres como um sinal ou a confirmação de que a mensagem era de Deus (Hebreus 2:3-4).

F. Profecia.
Esta era a habilidade de receber e comunicar à outras pessoas mensagens ou doutrinas que vinham da revelação direta de Deus. A Bíblia foi escrita por profetas.

G. Discernir de espíritos.
Esta era a habilidade de discernir se aqueles que reivindicavam exercitar dons espirituais eram de Deus ou de Satanás. As igrejas primitivas não tinham um Novo Testamento completo para examinar os ensinos dos profetas.

H. Línguas.
Esta era a habilidade sobrenatural de falar em idiomas que não haviam sido adquiridos através de estudo (Atos 2:1-11). Isso aconteceu como um sinal (I Coríntios 14:22).

I. Interpretação de línguas.
Esta era a habilidade sobrenatural de interpretar aqueles que falavam em línguas (I Coríntios 14:27).

II. FATOS QUE PROVAM A NATUREZA TEMPORÁRIA DESTES DONS

Nesta seção desejamos provar a afirmação de que alguns dons eram temporários. Dizendo isto, precisa ser entendido que nós não estamos tentando provar que Deus não cura, faz milagres, ou conduz e ilumina o Seu povo. Todo crente regozija-se quando Deus ouve as suas orações. Há uma diferença, porém, entre Deus que cura em resposta a oração e em um homem que tem o dom de cura como um sinal. O que nós estamos afirmando é que esses dons que tinham a finalidade de autenticação ou revelação eram temporários. Deixe-nos olhar agora a algumas das razões e o por quê esta posição realmente é verdadeira.

A. As igrejas primitivas tinham necessidades especiais.
As igrejas apostólicas tiveram algumas necessidades que não são encontradas nas igrejas hoje, muito obviamente.

1. Ela não tinha o Novo Testamento completo, então teve a necessidade de várias revelações divinas.
2. Ela precisava de sinais para autenticar as revelações recebidas (Hebreus 2:3-4).

Nenhuma das razões dadas pelos Pentecostais modernos para nossa suposta necessidade de dons milagrosos são Bíblicas. Eles afirmam que estes dons farão da igreja mais espiritual, porém os dons necessariamente não tiveram este efeito na igreja apostólica (Compare I Coríntios 1:7 com I Coríntios 3:1-3). Eles reivindicam que: como as pessoas de Deus ainda adoecem, ainda precisamos de dons de cura. Isto revela a falta de entender que os dons de cura agiam como um sinal para os incrédulos. Deus ainda cura de acordo com a Sua própria vontade mas não como um sinal. Não há nenhuma razão Bíblica para que as igrejas com um completo e totalmente autêntico Novo Testamento necessitem destes nove dons milagrosos.

B. O testemunho da história da igreja.
A história da igreja confirma o ensino de que estes dons milagrosos foram limitados a tempos apostólicos (Hebreus 2:3-4). João Chrysostom (345-407 A.D.) o famoso pregador de Antioquia dizia em relação a I Coríntios capítulo 12. Este trecho todo é muito obscuro: mas a obscuridade é produzida por nossa ignorância sobre os fatos referidos e por sua cessação, sendo que os que aconteciam já não mais acontecem.

Os Pentecostais reivindicam que a carnalidade e a falta de fé são os responsáveis para que os dons deixem de existir. Isto porém contradiz vários fatos:

1. A igreja em Corinto era carnal (I Coríntios 3:1-3) contudo tive abundância de dons .
2. Os dons são soberanamente dados por Deus (I Coríntios 12:11). Se eles cessaram tratou-se da vontade de Deus que eles cessassem e não porque faltou fé nos crentes.
3. Cristo sempre teve igrejas sãs e elas teriam recebido estes dons se elas fossem disponíveis (Mateus 16:18).

C. O testemunho do Apóstolo Paulo.
Em I Coríntios 13:1-13, Paulo está revelando a importância do amor e a sua superioridade sobre outros dons. Provando a superioridade do amor ele declara algumas verdades interessantes relativas à natureza temporária dos dons milagrosos. Vejamos alguns destes fatos.

1. Em I Coríntios 13:10, é anunciado um princípio básico. Somos ensinados que o incompleto será substituído com a vinda daquilo que é perfeito. A revelação incompleta do vs. 10 será obviamente os dons milagrosos (vs. 9), e nós acreditamos que a Bíblia é perfeita. Sendo assim o vs. 10 ensina obviamente que o cânon completo do Novo Testamento seria superior e traria o fim dos dons milagrosos. Alguns tentaram evitar esta lógica dizendo "o que é perfeito" referindo-se à vinda de Cristo. Esta interpretação será rejeitada pelas seguintes razões:
a. "Perfeito" é aplicado a um objeto neutro. É difícil acreditar que Paulo referira-se a Cristo como um "o que".
b. O contexto não está tratando do retorno de Cristo mas diferentes graus para se completar a revelação:
(1) Revelação parcial dos dons espirituais (vs. 9)
(2) Revelação completa da palavra de Deus
(3) A escritura deve ser interpretada de acordo com seu contexto.
c. Em Tiago 1:25 a Bíblia é tida como "perfeita".

2. Em I Coríntios 13:11, temos a insinuação de que os dons milagrosos foram para os tempos da infância da igreja.


3. Em I Coríntios 13:8-13, Paulo parece comparar a permanência relativa da fé, esperança e amor com os dons milagrosos.
a. O amor nunca falha (vs. 8). Esta é uma graça que nós desfrutaremos até mesmo no Céu para sempre.
b. A fé e a esperança continuam, quando comparadas aos dons milagrosos (vs. 13, 8-10). Lembremo-nos porém que o amor ainda é superior a fé e a esperança, pois elas serão desnecessárias após o retorno de Cristo (Romanos 8:24).
c. Os dons milagrosos foram temporários (vs. 8). Eles não serão eternos como o amor e não continuarão até o retorno de Cristo como a fé e a esperança.

CONCLUSÃO

Uma vez entendido o real propósito dos dons milagrosos o estudante não deveria ter mais problemas para entender a natureza temporária dos dons temporários. Hoje em dia não há nas igrejas dons que envolvam uma revelação direta de Deus. Igualmente os dons de sinais que serviam para a confirmação de novas revelações têm cessado. Aqueles que acreditam que estes dons ainda estão em operação não podem dizer: "A Bíblia é exclusivamente nossa regra de fé e prática". Para eles a Bíblia é uma revelação em aberto. As igrejas Bíblicas acreditam por outro lado que a Bíblia é a completa revelação de Deus.



Autor: Pr Ron Crisp
Fonte: www.obreiroaprovado.com

Pneumatologia - OS DONS DO ESPÍRITO

INTRODUÇÃO

I. DEFINIÇÃO DE DONS ESPIRITUAIS

Os dons do Espírito são capacidades e talentos dados a alguém pela operação interna do Espírito Santo (I Coríntios 12:4-11). Eles devem ser distinguidos do dom inicial do próprio Espírito (Atos 2:38; 10:45; 11:17, I Coríntios 12:4). Os dons espirituais também não devem ser confundidos com habilidades ou talentos naturais. A pessoa nasce com certas capacidades que podem ser desenvolvidas. Dons espirituais não são, por outro lado, um produto de nascença mas do poder do Espírito Santo.

II. TIPOS DE DONS ESPIRITUAIS.

São listados dons espirituais nas seguintes passagens: Romanos 12:5-8, Efésios 4:11-12, I Coríntios 12:8-10, 28-29. Várias classificações têm sido sugeridas:

A. Administrativo - funcional - sinal.
B. Edificação - autenticação.
C. Permanente - temporário.

Alguns dos dons foram determinados como sinais (Línguas, Milagres, Cura, etc..). Outros dons permitem a igreja operar de forma mais ordenada (ajudas, governos), ou abençoa a alguns com suprimentos especiais (mostrando misericórdia, etc.). Um grande número de dons concernentes ao ministério da palavra (ensino, profecia, etc.). Aqueles dons, dados unicamente para suprir as necessidades das igrejas apostólicas eram obviamente temporários. Isso inclui todos os dons de sinais e qualquer dom que envolva a revelação direta aparte da Bíblia.

Notando os vários tipos de dons espirituais deveríamos mencionar também que certos homens talentosos estão na lista (I Coríntios 12:28-29). Os homens que ocupam estas posições têm que possuir indubitavelmente mais do que um dom que leve a cabo os seus trabalhos. Eles próprios são dons à igreja (Efésios 4:7-12). Alguns destes ofícios como Apóstolo e Profeta eram temporários.

III. A FONTE DOS DONS DO ESPÍRITO

Os dons do Espírito têm uma dupla origem.

A. Eles foram dados por Cristo - Efésios 4:7-11.
B. Eles são dados pelo Espírito - I Coríntios 12:4-11.

Estes dois pontos podem ser reconciliados entendendo que o Espírito foi dado à igreja por Cristo. O Espírito foi chamado "o dom" da ascensão de Cristo para a igreja (Atos 2:33, João 7:39). O Espírito, tendo assim sido enviado, produz dentro de nós habilidades espirituais necessárias.

IV. OS DONS DO ESPÍRITO FORAM DADOS A QUEM?

Todos os crentes têm dons espirituais (I Pedro 4:10, I Coríntios 12:7), contudo é correto dizer que os dons foram dados à igreja. Nem todos os cristãos são membros de uma das igrejas do Senhor, mas é vontade de Deus que eles sejam. A igreja é o lugar apropriado para o exercício dos dons do Espírito. Os dons foram dados à igreja para seu desenvolvimento espiritual (Efésios 4:8-12; note o versículo 12; I Coríntios 12:14-31; note os versículos 27- 28). Os dons são dados aos santos individualmente, de forma que a assembléia como um todo seja abençoada.

A relação dos dons do Espírito para com a igreja pode ser vista no conceito do Novo Testamento onde se vê a igreja como o Templo de Deus, e como o Corpo de Cristo. Enquanto a regeneração "faz-nos pedras vivas" (I Pedro 2:5), são os dons do Espírito que fazem com que estas "pedras vivas" venham a formar o templo de Deus que é "bem ajustado" (Efésios 2:21). Da mesma maneira que um corpo humano tem muitos membros que contribuem para o bem-estar geral do todo, assim é a igreja local, como o corpo de Cristo, provida de toda função necessária, pela variedade de dons dentro de sua comunidade (I Coríntios 12:12-28., Efésios 4:16). À igreja foram dados dons do Espírito porque Ela é a responsável por promover o crescimento espiritual das pessoas {Efésios 4:11-16}.

Talvez este seja um bom lugar para mencionar o conceito Pentecostal (veja nota do tradutor) em que as pessoas recebem dons espirituais para serem pessoalmente abençoadas e esta é uma concepção falsa. Cada dom é para o corpo de Cristo como um todo. Nós não recebemos os dons para o nosso próprio benefício, mas para o benefício do corpo. Assim como o corpo humano há uma interdependência entre os membros. O bem do corpo deve ser o fator controlador no exercício de qualquer dom espiritual. Este é o tema central em I Coríntios capítulos 12-14.

V. O REGULAMENTO DOS DONS DO ESPÍRITO.

Considerando que os dons espirituais são dados para o benefício do corpo, e eles devem ser regulados de maneira que esta finalidade seja alcançada. Enquanto são determinadas regras específicas (I Coríntios 14:27-35), o preceito geral é permitir que o amor para com os outros controle as nossas ações. O amor é tão importante no exercício de dons espirituais que a maior exposição de amor na Bíblia é encontrada em meio a uma discussão sobre dons espirituais (l Coríntios 13:1-13).

Mencionando o regulamento dos dons espirituais notaremos que isto implica em aqueles que possuem dons espirituais poderem controla-los(I Coríntios 14:32-33). Aqueles que perturbam os cultos de adoração com ações descontroladas não podem atribuir o seu comportamento ao poder do Espírito de Deus.

VI. DEVEM SER BUSCADOS OS DONS ESPIRITUAIS?

Atualmente muitos estão sendo ensinados a orar buscando vários dons espirituais. Este é um erro perigoso e tolo. A pessoa que ensina às outras dessa maneira mostra uma total falta de compreensão em relação aos dons do Espírito. Considere os seguintes fatos:

1. Ninguém nas Escrituras foi ensinado a buscar ou a orar para receber dons espirituais.
2. Todos os cristãos têm um ou mais dons espirituais (I Coríntios 12:4-11).
3. Estes dons são dados pelo Espírito Santo de acordo com Sua vontade soberana (I Coríntios 12:11). A igreja, como o corpo humano, é projetada por Deus (I Coríntios 12:18-28). Nós não escolhemos nosso próprio lugar no corpo de Cristo.
4. Os membros do corpo de Cristo têm diferentes dons (I Coríntios 12:14-20). Como é tola a idéia de que todos devem buscar o mesmo dom.
5. Os cristãos são instruídos a ficar contentes com o seu dom (I Coríntios 12:14-16, 29-30).

Alguns concluíram falsamente que I Coríntios 12:31e 14:1 ensinam que devemos buscar os dons espirituais. Paulo está dizendo que esses dons que são uma bênção para outros devem ser considerados, pela igreja, superiores. Em lugar de desejar a auto-glorificação, os crentes deveriam desejar possuir esses dons, com os quais podem abençoar aos outros. Na igreja de Corinto nem todos podiam ser profetas (I Coríntios 12:29), mas este dom era desejado ou invejado, pois era uma bênção aos outros. A igreja, como um todo, deveria alegrar-se por aqueles dons que edificam¹. Que benção seria se todo mundo tivesse essa atitude.

¹Em I Coríntios 12:31 e 14:1, Paulo parece estar falando com a igreja conjuntamente. A idéia parece ser que: a igreja, como um corpo, deveria desejar que Deus levantasse homens que pudessem ser uma bênção a todos.

VII. O PERIGO DOS DONS ESPIRITUAIS.

Enquanto os dons do Espírito forem dados com o objetivo de ser uma bênção eles poderão ser abusados. Contrários aos frutos do Espírito, eles podem produzir orgulho. Às vezes aonde há uma multidão de dons espirituais pouco existe da graça (Compare I Coríntios 1:7 com 3:1-3). Considere os seguintes pontos.

1. Os dons espirituais são dados a alguém para benefício de outros. Portanto, é notório que a aquisição de um dom espiritual não assegura uma bênção pessoal.
2. Os dons espirituais não são nenhuma marca segura que alguém é filho de Deus. Judas e Balaão receberam dons espirituais.
3. A possessão de dons espirituais, ao contrário da possessão do fruto do Espírito, de maneira nenhuma prova que a nossa vida Cristã está agradando a Deus (I Coríntios 13:1-3). Aqueles que manifestam o fruto do Espírito estão caminhando perto de Deus. O mesmo, nem sempre pode ser dito daquelas pessoas que possuem dons espirituais.
4. Os dons espirituais podem expor-nos a certas tentações quando não são regulados pelo amor. Os Coríntios usaram os dons como meio de auto-glorificação.

Não é minha pretensão, de maneira nenhuma, menosprezar os dons espirituais, mas, contudo, pretendo advertir aqueles que abusam dos dons ou confiam neles como prova de aceitação pessoal para com Deus.



Autor: Pr Ron Crisp
Fonte: www.obreiroaprovado.com

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Pneumatologia - O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

INTRODUÇÃO

"O que é o batismo com o Espírito Santo?" "Eu deveria buscar esta experiência?" Estas perguntas tornam-se cada vez mais comuns ao passo que muitas igrejas modernas propagam seus pontos de vista conflitantes acera desta doutrina. Com certeza, todo filho de Deus deveria desejar voltar à Bíblia para rever este assunto.

I. O REGISTRO DA BÍBLIA.

A Bíblia não contém tanto sobre o batismo com o Espírito Santo quanto alguns podem supor. Existem vários casos de profecia em que o nosso Senhor batizaria com o Espírito e cumpriu-se um registro desta profecia no livro de Atos. As epistolas doutrinárias do Novo Testamento não ordenam que alguém busque está experiência e, de fato, nunca menciona isso. Isso obviamente ilumina este assunto para aqueles que acreditam que todo crente deve buscar esta experiência.

Procurando o registro na Bíblia deveríamos notar que o Novo Testamento contém cinco menções da profecia em que nosso Senhor batizaria com o Espírito Santo (Mateus 3:11-12, Marcos 1:8, Lucas 3:16-17, João 1:33, Atos 1:4-5). É interessante notar que esta profecia é mencionada uma vez em cada um dos livros históricos do Novo Testamento¹. (Mateus, Marcos, Lucas, João, Atos)

¹Um erro comum assegurado por muitos professores modernos da Bíblia é a reivindicação que I Coríntios 12:13 refere-se ao batismo com o Espírito. Basta somente alguém ler o verso e a loucura desta reivindicação fica exposta. No batismo com o Espírito:


1) Cristo está fazendo o batismo.
2) O Espírito é o " elemento " pelo qual o batismo termina.


Em I Coríntios 12:13:
1) o Espírito faz o batismo.
2) o corpo de Cristo é o " elemento " pelo qual somos batizados.
O contexto de I Coríntios 12:13 é a igreja local. Pessoas com vários e diferentes dons espirituais são somadas a igreja local que pode funcionar como um corpo. Paulo usa o corpo humano assim como muitos membros para ilustrar como a igreja local opera. O batismo pelo qual os membros são recebidos pela igreja local é obviamente o "batismo nas águas." Isto não pode ser contraditório ao estabelecido em I Coríntios 12:13 aonde o Espírito batiza. Em João 4:1 somos assegurados de que Cristo batizou e o verso 2 vai explicar que o ato atual de batismo foi desempenhado pelos apóstolos. João em sua essência Disse que o batismo foi levado adiante pela liderança e autoridade de Cristo. Igualmente em I Coríntios 12:13 refere-se ao batismo nas águas sendo administrado pela liderança do Espírito. Somente Ele pode, através do novo nascimento, fazer um candidato para o batismo, e somente Ele pode conduzir uma igreja para batizar tal pessoa.

No livro de Atos temos quatro instâncias de grupos que foram batizados com o Espírito Santo. Em Atos 2:1-11, temos um evento que pode ser identificado claramente como batismo com o Espírito (Atos 1:5, 2:33). Também podem ser vistos os eventos de Atos 10:44-46 como um batismo com o Espírito levando em conta as palavras de Pedro para à igreja de Jerusalém (Atos 11:15-17). Asseguramos também os eventos de Atos 8:14-17 e Atos 19:1-7 por serem da mesma natureza. Examinando o registro na Bíblia é fácil notar que em cada caso as circunstâncias eram muito diferentes. O som de um vento impetuoso, as línguas repartidas como fogo somente foram manifestadas no Pentecostes (Atos 2). Em Atos capítulos 2, 10 e 19 eles falaram em línguas mas não em Atos capítulo 8. Em Atos capítulos 8 e 19, o batismo está associado ao colocar as mãos mas em Atos capítulos 2 e 10 não acontece isso. A circunstância em comum em cada caso era o Espírito sendo derramado sobre um grupo, distinto e diferente. Todos os derramamentos foram acompanhados por sinais que confirmaram o recebimento do Espírito Santo por aquele grupo em particular. vamos, agora, examinar o propósito daquele batismo.

II. O "BATISMO", UMA NOVA DISPENSAÇÃO² DO ESPÍRITO.

²A palavra "Dispensação" é usada de diferentes modos em teologia, para explicar melhor estamos usando a palavra de acordo com seu significado primário que é "dispensando ou distribuição."

O batismo com o Espírito foi a dispensação inicial do Espírito pelo poder e bênçãos do Novo Testamento aos vários grupos mencionados nas Escrituras (Lucas 24:49). João Batista ensinou que somente o Messias poderia batizar com o Espírito (Mateus 3:11). Procedeu-se desta forma porque o dom do Espírito tinha que ser comprado para nós pelo Senhor Jesus. O trabalho do Espírito Santo em nossos corações é uma grande parte da salvação por Cristo. A vinda do Espírito foi à prova de que o trabalho remissório por Cristo estava acabado e aceito pelo Pai, e que Cristo Jesus foi glorificado no Céu (Atos 2:33, Gálatas 3:13-14).

Em cada caso de batismo com o Espírito registrou-se que um grupo diferente recebeu esta bênção. Em Atos 2 foi dado aos judeus crentes. Em Atos 8 foram batizados os crentes Samaritanos. Os Samaritanos foram menosprezados pelos Judeus por que eram mestiços. Em Atos 10 os Gentios receberam o batismo com o Espírito. Atos 19 registrou como Ele veio sobre aqueles que sabiam somente sobre o batismo de João³.

³Veja a adenda.

III. O "BATISMO" COMO UM SINAL.

O batismo com o Espírito não era apenas uma ação em que o Espírito era dado como também um sinal importante. João Batista afirmou claramente que eles podiam reconhecer o Messias pela sua capacidade de batizar com o Espírito. Como já mencionava, o batismo com o Espírito provou que Jesus era o ressuscitado e glorificado Senhor (Atos 2:33).

Note, agora, que o batismo com o Espírito não só verificou as reivindicações de Cristo como também a autoridade da igreja local. No dia de Pentecostes (o banquete das primícias), reuniram-se judeus de toda a parte o Império romano para adorar a Deus em Jerusalém (Atos 2:1-11). Lá eles encontraram a primeira igreja composta pelos discípulos humildes de Cristo. O Templo judeu que tinha sido a casa do Pai (Mateus 21:13, Mateus 23:38) permaneceu destituído por Deus como um aspecto espiritual. A assembléia Cristã passava a ser a Casa de Deus (I Timóteo 3:15). Comparado à grandeza do Templo de Herodes o pequeno grupo de discípulos não era impressionante. Quem acreditaria que esta pequena assembléia era, agora, o lugar divinamente ordenado?

O batismo desta primeira igreja com o Espírito certamente verificou suas reivindicações. O som do vento impetuoso dava uma evidência audível do Espírito vindo para a igreja. O aparecimento de fogo era um símbolo da presença de Deus. As línguas também eram um sinal para os judeus não convertidos (I Coríntios 14:21-22). Estes sinais deram credibilidade à igreja do Senhor e deixaram os judeus inescusáveis caso eles rejeitassem as afirmações concernentes ao evangelho (Heb 2:1-4)4.

4A autenticação da igreja do Senhor pelo batismo com o Espírito pode ser claramente ilustrada comparando-se a história da igreja com o templo de Salomão.
1) Davi juntou o material para o Templo - João Batista preparou o material para a igreja.
2) Salomão construiu o Templo - Cristo edificou a igreja.
3) Salomão dedicou o Templo com um sacrifício - Cristo redimiu a igreja pelo sacrifício de Si mesmo.
4) Após a dedicação o símbolo da presença de Deus veio manifestar a aceitação do Templo e demonstrando a Sua intenção de habitar nele. Depois da morte de Cristo o Espírito desceu no dia de Pentecostes, manifestando que a igreja era a casa de Deus.

O Batismo com o Espírito em Atos 8:14-17 e Atos 10:44-46 foi o derramamento do Espírito sobre os Samaritanos e os Gentios. Novamente o batismo agiu como um sinal mas dessa vez para os judeus salvos. Isso foi necessário porque até mesmo naquela época os judeus Cristãos limitavam a salvação ao seu povo. O Batismo dos Samaritanos e dos Gentios com o Espírito provou divinamente que eles também poderiam ser salvos e somados às igrejas de Cristo sem que se tornassem prosélitos dos judeus. Isto é visto claramente na defesa de Pedro sobre suas ações antes da igreja de Jerusalém (Atos 11:1-19). Ele usou o batismo com o Espírito em Atos, capítulo 10, como prova que os Gentios foram participantes das mesmas bênçãos que os judeus Cristãos tinham recebido. Se a casa de Cornélio tivesse recebido o Espírito da mesma maneira que nós recebemos hoje nem Pedro e nem a Igreja de Jerusalém teriam sido convencidos de que eles eram participantes das bênçãos do evangelho. Nesta consideração vemos que as línguas não foram apenas um sinal aos incrédulos e não salvos como também aos Judeus que não acreditaram na salvação e no enxerto dos Gentios.

CONCLUSÃO

Concluindo poderíamos resumir alguns dos pontos citados nesta lição e também poderíamos declarar algumas das deduções que podem ser tiradas destes pontos.

1. O batismo com o Espírito foi o derramamento do Espírito sobre vários povos.
2. A dispensação do Espírito foi possível devido o trabalho que Cristo concluiu. Realmente foi Cristo quem fez o batismo (Atos 2:33).
3. O batismo não foi dado diariamente aos indivíduos, mas a um grupo distinto, em um momento distinto.
4. Uma vez terminada esta experiência não se repetiu porque a vinda do Espírito a qualquer grupo era permanente. Os sinais que cercaram o batismo em particular foram suficientes para dar credito a aquele grupo definitivamente (Atos 11:15-18). O autor nunca buscaria por exemplo ser batizado com o Espírito porque os Gentios receberam isto há mais de mil e novecentos anos, como está registrado em Atos, capítulo 10. Isso foi atestado suficientemente através de Sinais naquele momento.
5. Ninguém buscou esta experiência e também não foram estimulados a buscar. O batismo foi dado por Deus em seu tempo. (Veja nos capítulos 8 e 10 de Atos como Filipe e Pedro foram abordados por Deus para um certo trabalho em um momento particular em relação ao batismo).
6. Esta experiência não é possível hoje, a menos que alguém possa provar a existência de uma classe particular o gênero humano que nunca recebeu o batismo com o Espírito. Como os Cristãos judeus, Gentios e Samaritanos já receberam o batismo isto seria impossível.



Autor: Pr Ron Crisp
Fonte: www.obreiroaprovado.com

Pneumatologia - PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO

INTRODUÇÃO

Cada Pessoa da Santa Trindade tem um trabalho distinto a fazer no grande plano da redenção. Devido a serem diferentes o seu trabalho e a forma de manifestação, nós achamos que o pecado pode ser perpetrado contra as Pessoas da Trindade em separado (Mateus 12:32).

O Espírito Santo tem o trabalho particular de operar nos corações dos homens fazendo com que eles recebam os benefícios salvadores do trabalho de Cristo. Ele habita nos crentes e está presente nas igrejas do Senhor. Ele também condena o não salvo e luta contra os pecadores. Devido o Seu trabalho em nossas vidas e em nosso meio, a Bíblia menciona certos pecados que são cometidos contra Ele, enquanto Ele leva a cabo o Seu trabalho especial. Que Deus possa usar esta lição para fazer de cada um de nós mais sensível ao perigo de desagradar o Espírito de Deus.

I. MENTINDO PARA O ESPÍRITO SANTO.

Em Atos 4:34-5:11, nós temos a história de Ananias e Safira que mentem para o Espírito Santo. O pecado que eles cometeram não foi devido a segurarem parte do dinheiro mas a pretensão de dizerem que haviam dado tudo, de forma que recebessem honra por um sacrifício que não fizeram . Eles são os pais de todos os que buscam elogio por uma consagração que não possuem.

Levar tal decepção à igreja é um pecado contra o Espírito Santo. Tentar enganar a igreja é o mesmo que tentar enganar o Espírito, Que é o administrador onisciente da assembléia. Os homens se esquecem que mexer com a casa de Deus é o mesmo que mexer com o próprio Deus. Levando a cabo o seu pecado Ananias e Safira estavam tentando a Deus (Atos 5:9), e o seu destino é uma advertência para os que seguiriam os seus passos.

II. ENTRISTECENDO O ESPÍRITO SANTO

Em Efésios 4:30 Paulo nos instrui para que não entristeçamos o Espírito Santo de Deus. O fato de o Espírito pode ser entristecido implica em Ele amar o povo de Deus. Nós podemos entristecer somente aquele cujo amor e generosidade nós desprezamos.

Esta idéia do amor do Espírito é usada por Paulo como um motivo para não O entristecermos. O fato de Ele nos selar revela o Seu amor e faz com que Ele habite em nós, ajudando-nos e abençoando-nos. O fato de Ele nos selar até o dia da redenção revela que Ele nunca nos abandonará. Levando em conta tal amor e generosidade desejaríamos pecar ou entristecê-lo?

O Espírito Santo é entristecido através do pecado na vida dos crentes. Nossos corpos são o Seu templo e nós deveríamos estar alertas para não nos sujarmos. Ele é perfeitamente santo e o pecado ofende a Sua pessoa. São mencionados modos particulares pelos quais o Espírito pode ser entristecido no contexto de Efésios 4:30.

A. Palavras pecaminosas - Efésios 4:29, 31; e 5:4.
B. Atitudes pecaminosas - Efésios 4:31.
C. Atos pecaminosos - Efésios 5:3.

Que Deus possa nos ajudar a caminhar prudentemente enquanto lembrarmos de Sua presença.

III. EXTINGUINDO O ESPÍRITO SANTO.

Em I Tessalonicenses 5:19, nós somos advertidos contra extinguirmos o Espírito. Isso um crente pode fazer durante um certo tempo endurecendo o seu coração contra a liderança do Espírito.

Devemos estar prevenidos para não abafarmos a voz do Espírito de Deus. Homens como Davi, Abraão e Jonas parecem ter extinguido o Espírito durante algum tempo e pagaram caro por isso. Este pecado seguramente traz castigos e deixa-nos suscetíveis a cometermos muitos enganos. Modos pelos quais o Espírito é extinguido são os seguintes:

A. Rebelar-se contra a Palavra inspirada de Deus como é registrada na Bíblia ou a palavra cedida de forma oral pelos profetas (I Tessalonicenses 5:20).
B. Abafando as repreensões do Espírito quando nós O entristecemos.
C. Resistindo à liderança interna do Espírito em nossas vidas.

IV. RESISTINDO O ESPÍRITO SANTO.

Em Atos 7:51, Estevão acusou os judeus por resistirem o Espírito Santo como fizeram os seus pais (Hebreus 3:7-10, e Isaías 63:10). Em Gênesis 6:3, Deus fala do Espírito contendendo com as pessoas antes do dilúvio. Alguns tentaram interpretar estas Escrituras como se estivessem apenas se referindo a rebelião das pessoas contra a Palavra de Deus. Eles concluem falsamente pensando que o seu trabalho nos eleitos significa que ele nunca trabalha nos corações daqueles que não serão salvos. Embora a rebelião contra a palavra de Deus resisti o Espírito Santo, contudo não há nenhuma razão para negar que Ele lida pessoalmente com aqueles que nunca são salvos. Como outras das bênçãos da graça comum (a chamada do evangelho) o trabalho do Espírito com o não eleito só não é eficaz devido a depravação dos seus corações.

V. BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO.

Em Mateus 12:22-32, nós temos a história de algumas pessoas que cometeram o pecado imperdoável. Algumas fariseus acusaram a Cristo de estar operando pelo poder de Satanás. Fazendo isso eles blasfemaram contra o Espírito Santo sendo que Cristo trabalhava pelo Seu poder (Atos 10:38). Nosso Senhor proclama este pecado como imperdoável.

Tudo isso é bastante simples contudo quando os homens começam a aplicar estes preceitos nos dias de hoje isso resulta em uma grande confusão. Alguns afirmaram que o pecado imperdoável não pode ser cometido hoje e outros definiram isto como somente a morte sem Cristo (esta visão posterior confunde o assunto pois o pecado imperdoável é imperdoável neste mundo como também no vindouro). O autor tem freqüentemente se perguntado o porquê nós não aceitamos a afirmação de Cristo que diz que o pecado imperdoável é de blasfema consciente (profanar abusando e insultando) contra o Espírito Santo. Os homens não salvos, cheios do mal e contra o Espírito de Deus nunca serão regenerados pelo poder do Espírito.



Autor: Pr Ron Crisp
Fonte: www.obreiroaprovado.com

Pneumatologia - O FRUTO DO ESPÍRITO

INTRODUÇÃO

Em Gálatas 5:17, nós encontramos que dentro do crente existem dois poderes contrários. O Espírito de Deus habitando em todos os crentes os conduz (vs. 18) no caminho da retidão. A carne (velha natureza) está claramente em oposição ao Espírito Santo e a nova natureza. Isto produz uma batalha constante na vida de todos os cristãos (Romanos 7:15-23), e os faz almejar a liberação da carne (Romanos 7:24-25; 8:23).

Paulo ensina que ambos poderes produzirão certas características e obras na vida de um indivíduo que se submete a eles (Gálatas 5:19-23). Mesmo que o "trabalho da carne" e o "fruto do Espírito" possam ser produzidos pela vida do crente, Paulo frisou claramente que os crentes são caracterizados pelos frutos do Espirito. A carne de um cristão não está morta mas foi crucificada (Gálatas 5:24). A "crucificação" e a "mortificação" são usadas na Bíblia para descrever a morte lenta e debilitada do poder da carne na vida de um Cristão. Aqueles cujas vidas são exibições constantes de trabalhos da carne não entrarão no reino de Deus (Gálatas 5:21).

I. A FONTE DOS FRUTOS DO CRISTÃO

Os crentes, as vezes, perguntam-se o porquê eles permanecem lutando contra a carne nesta vida. Não é Deus Quem nos ensina que todos o bens espirituais são dEle? Nossa velha natureza não produz nada além de espinhos e roseiras bravas. Tudo o que agrada a Deus em um Cristão deve ser chamado de "fruto do Espírito."

O Cristão pode produzir bons frutos somente em submissão ao Espírito Santo. Enquanto nós nos rendemos a Ele estas características são produzidas em nossa vida. Esta verdade é ilustrada pelo Salvador em João 15:4-5, pois Ele fala de Sua Pessoa como a "videira" e a dos cristãos como as "varas". Sem uma união espiritual com Cristo através do Espírito não haveria fluxo de vida para os filhos de Deus.

II. A IMPORTÂNCIA DO "FRUTO DO ESPÍRITO"

A importância do "fruto do Espírito" na vida de um Cristão pode ser vista comparando-os aos "dons do Espírito". Ambos são produzidos por Deus, contudo está claro que o "fruto do Espírito" são muito mais importantes, como prova da verdadeira espiritualidade.

A. Os "dons do Espírito" não oferecem nenhuma prova da salvação, porque em algumas ocasiões eles foram praticados até mesmo pelos não salvos - (Balaão, Judas). Os "Fruto do Espírito" porém, podem ser produzidos apenas pelas vidas daqueles que são guiados pelo Espírito Santo.

B. Os "dons do Espírito" podem ser usados como meio de glorificação pessoal ao invés de edificação. A natureza dos "Fruto do Espírito" previnem-se de abusos de fins egoístas (I Cor 12-14).

C. Os "dons do Espírito" são soberanamente dispensados por Deus, enquanto que todo Cristão pode produzir o "fruto do Espírito". Às vezes dons espirituais são colocados em vidas de orgulhosos e egoístas, enquanto que os frutos espirituais somente podem ser produzidos por consagração Cristã e submissão.

D. Amor (um Fruto do Espírito) é claramente visto como superior aos "dons do Espírito". (I Coríntios 12:31-13:13). Os "dons do Espírito" devem ser regulados pelo amor, ou eles não atingirão a sua finalidade determinada, que é edificar o povo de Deus.

Não deve ser interpretado que estamos desprezando os dons espirituais. Eles têm um propósito determinado por Deus. O ponto a ser lembrado é que os " frutos do Espírito" revelam nossa relação com Deus e formam nosso caráter Cristão. Sem a produção do Espírito de Cristo em nós pela submissão a Deus, tudo o demais tornar-se-ia em vão e nosso testemunho seria inútil.

III. A NATUREZA DO "FRUTO DO ESPÍRITO"

Em Gálatas 5:22-23, nós encontramos nove graças que são manifestadas como "frutos do Espírito".

A. Amor.
O amor é um afeto para com Deus e o homem. É produzido pelo novo nascimento (I João 4:7-8), e descrito por Paulo em I Coríntios 13:1-8. Somente quando somos controlados pelo Espírito de Deus podemos verdadeiramente amar.

B. Gozo.
Esse gozo santo vem por conhecer a Deus e crer em suas promessas. É necessário para o serviço cristão (Deuteronômio 28:47; Salmos 51:12-13), e é um atributo de cristãos cheios do Espírito.

C. Paz.
Essa é uma calma disposição da mente e do coração vinda da certeza de termos sido perdoados e sabermos que Deus pode satisfazer todas as nossas necessidades (Filipenses 4:6-7).

D. Longanimidade.
Essa é uma característica cristã que se caracteriza por não se sentir ofendido ou provocado facilmente.

E. Benignidade
Esse é um espírito amável e benevolente visto naqueles que caminham com Deus.

F. Bondade.
Esta é uma moral geral e excelente que não tem motivos secundários.

G. Fé.
Toda fé verdadeira é produzida pelo Espírito de Deus, seja a fé salvadora ou a fé exercida diariamente nas promessas de Deus quando surgem necessidades ou aflições.

H. Mansidão.
Esta é a disposição de conter-se em conseqüência de um reconhecimento de nossa própria depravação (Mateus 5:4-5).

I. Temperança.
Baseia-se no autocontrole e na moderação encontrados naqueles que vivem somente para a glória de Deus.

IV. A UNIDADE DO "FRUTO DO ESPÍRITO"

O autor lembra-se de ver um questionário aonde foi perguntado para os cristãos quais do "fruto do Espírito" eram manifestados nas suas vidas. Esta pergunta tem algumas implicações errôneas. Os crentes podem ter um dom espiritual, contudo nunca é o caso do "fruto do Espírito". Cristãos cheios do Espírito terão todos os "frutos do Espírito" porque a "mente de Cristo" (Filipenses 2:5) está neles. Assim que eles são controlados pelo Espírito de Deus tornar-se-ão como Cristo em todas as áreas do seu caráter.

Pode ser vista a unidade do "fruto do Espírito" pelo fato de que todos os frutos podem ser incluídos junto ao primeiro que é "amor". Em Romanos 13:8-10, achamos que o amor cumpre a lei. Todos os deveres do homem podem ser incluídos sob o comando de amar a Deus e o homem. Seria um estudo proveitoso para o estudante da Palavra de Deus meditar na descrição de Paulo sobre o amor em I Coríntios 13:1-8. O aluno logo veria que todos o "fruto do Espírito" são manifestados pelo amor.

CONCLUSÃO

A proximidade de nossa relação com o Espírito Santo é facilmente julgada pela manifestação do "fruto do Espírito" em nossas vidas. Ou a carne ou o Espírito está formando a base de nosso caráter no nosso dia-a-dia.



Autor: Pr Ron Crisp
Fonte: www.obreiroaprovado.com

Pneumatologia - O ENCHER-SE DO ESPÍRITO SANTO

INTRODUÇÃO

Todo filho de Deus está sob a ordem de "encher-se do Espírito" (Efésios 5:18). Então não fiquemos contentes somente por aprendermos esta doutrina, mas por estarmos em obediência, e de fato experimentarmos este "Encher".

I. O QUE NÃO É ENCHER-SE DO ESPÍRITO

A. Não está recebendo mais do Espírito.
Todo filho de Deus é habitado pelo Espírito Santo. O Espírito de Deus é uma pessoa e seria loucura dizer que Ele pode ser recebido em proporções.

B. Não é crescimento espiritual.
Os cristãos podem ser cheios do Espírito em todas as suas fases de maturidade. Um bebê em Cristo pode ser cheio do Espírito enquanto que um crente maduro pode estar falhando nesta área. O viver " cheio do Espírito " deveria ser visto como uma posição de boa saúde espiritual. A saúde pode ser experimentada em qualquer idade, contudo a falta de uma boa saúde é um impedimento ao crescimento formal, tanto no reino físico quanto espiritual.

C. Não deve ser confundido com outros trabalhos do Espírito.
As experiências de "encher-se do Espírito" e "ser batizado com o Espírito" têm sido freqüentemente confundidas. Como esperado, o enchimento acompanhou o batismo em Atos 2, mas confundi-los é um sério erro que acaba pervertendo ambas as verdades. O batismo com o Espírito foi determinado para o dia de Pentecostes enquanto as pessoas estavam cheias do Espírito, mesmo antes do nascimento de Cristo. Somos instruídos a que sejamos cheios do Espírito, mas ninguém, nenhuma vez, foi instruído a que fosse batizado com o Espírito. São experiências distintamente diferentes.

II. O QUE É ENCHER-SE DO ESPÍRITO

Para ser cheio do Espírito, basta render-se a Ele em todas as áreas de sua vida. Comparada a embriaguez essa experiência é freqüentemente direta ou indireta (Efés 5:18; Lucas 1:15; Atos 2:13). Assim como o vinho controla o bêbado fazendo dele uma pessoa evidente, o indivíduo cheio do Espírito fica sob domínio do Espírito Santo. Ele torna-se evidente espiritualmente e capaz de testemunhar do Seu Senhor.

A experiência daqueles que estiveram cheios do Espírito parece muito variável. Na vida cristã normal o crente enche-se do Espírito enquanto confessa seus pecados e rende-se a Deus. Em uma certa instância o encher-se já não é tanto uma experiência emocional porém uma continuação de comunhão com Deus. Em outras ocasiões, o enchimento não foi procurado e veio com sinais especiais. Por favor, note nos seguintes versículos que a ocasião de encher-se era cercada de várias circunstâncias: Lucas 1:15;1:41;1:67;4:1, Atos 2:4;4:8; 4:31; 7:55; 9:17; 11:24; 13:9; 13:52

As escrituras mostram claramente que a experiência de ser cheio do Espírito Santo não segue um padrão em relação as circunstâncias antes e depois do Pentecostes, com ou sem sinais visíveis, e em muitos tipos diferentes de servos de nosso Senhor até mesmo uma criança ainda no ventre. A experiência está associada a louvor, evangelização e julgamento (no caso de Barjesus).

Tomando nota de tudo isso devemos ter o cuidado de relembrar que apesar dos eventos circunvizinhos, o encher-se é simplesmente o Espírito de Deus tomando controle de uma vida. Em nossa vida podemos ter tempos cheios do Espírito que se parecem como estar no topo de uma montanha enquanto que em outros momentos o render-se a Deus produz apenas alegria e paz na vida quotidiana do crente. Apesar da presença ou ausência de certas experiências devemos estar assegurados de que todo crente pode ser cheio do Espírito todo dia. Deus sabe o trabalho particular que precisa ser feito e então Ele pode determinar as circunstâncias do nosso Encher diário.

III. CONDIÇÕES PARA QUE ALGUÉM SEJA "CHEIO DO ESPÍRITO"

Devido a sermos instruídos a que sejamos "cheios do espírito" (Efésios 5:18) é óbvio que há certas condições que devem ser preenchidas em situações normais. O crente que deseja estar cheio do Espírito deve notar o seguinte:

A. Não extinguir o Espírito - I Tessalonicenses 5:19.
B. Não entristeçais o Espírito - Efésios 4:30.
C. Andar com o Espírito - Gálatas 5:16. Render-se ao Espírito e não ao poder da carne.
D. Orar - Atos 4:31, Lucas 11:13. Todo crente deve orar diariamente para um relacionamento mais íntimo com Deus para ter uma maior presença do Espírito em sua vida.

Como é triste para qualquer filho de Deus desonrar o Senhor permitindo que a carne arruine o seu testemunho (I Coríntios 3:3). Deus usa os que estão "cheios do Espírito" (Atos 6:3; 11:24).

IV. OS RESULTADOS DE SER CHEIO DO ESPÍRITO.

A. Ousadia na pregação - Lucas 1:15-16, Atos 4:8, Atos 4:31, Atos 9:17-20, Isaías 61:1,.
B. Gozo - Atos 13:52, Efésios 5:18-19.
C. União - I Coríntios 3:1-3, Efésios 4:3.
D. Louvor - Efésios 5:19-20.
E. Crescimento espiritual - Quando Deus está no comando de nossa vida podemos esperar crescermos diariamente na graça e no conhecimento de nosso Senhor (II Pedro 3:18).
F. O comportamento formal em nossas relações para com os outros - Em Efésios 5:21-6:9 Paulo fala sobre os vários deveres do marido, esposa, filho, pai, empregado e empregador. Note que o texto fala sobre o encher-se do Espírito (Efésios 5:18). Paulo não está ensinando com isso que podemos preencher nossas várias responsabilidades corretamente somente pelo poder do Espírito de Deus?

CONCLUSÃO

Tomara que cada um de nós tome como dever solene ser cheio do Espírito Santo. Ser cheio do Espírito deve ser visto como uma experiência norma da vida cristã e não um privilégio de poucos selecionados.



Autor: Pr Ron Crisp
Fonte: www.obreiroaprovado.com

Pneumatologia - O ESPÍRITO SANTO COMO PROFESSOR

INTRODUÇÃO

Das muitas religiões existentes no mundo somente o Cristianismo requer um professor sobrenatural. Nenhuma qualificação terrestre pode permitir a alguém entender a verdade de Deus. Que esta lição seja usada por Deus para nos lembrar de nossa grande necessidade de um professor Divino, e do privilégio de termos o Espírito Santo como tal Professor. Ele verdadeiramente é o "Espírito da Verdade" (João 15:26).

I. A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA.

A Bíblia como nosso livro de ensino infalível de fé e prática foi inspirada pelo Espírito Santo. Certamente a inspiração do Novo Testamento foi uma grande parte da promessa de Cristo relativa à vinda do Espírito como nosso professor (João 14:26).

II. REGENERAÇÃO.

Os homens não regenerados estão em um total estado de ignorância espiritual (II Coríntios 4:3-4, João 3:3, Efésios 4:18). A Bíblia descreve-os como encobertos, adormecidos, tolos, e cheios de escuridão. Essa condição não deve ser vista somente como uma ausência de conhecimento, mas também como uma falta de habilidade natural para apreciar, compreender e receber a verdade espiritual. Os pecadores podem ser ótimos conhecedores da Bíblia e mesmo assim podem nunca terem discernido verdadeiramente as coisas de Deus (I Coríntios 1:18-21; 2:9-16).

Uma grande parte do trabalho do Espírito na regeneração consiste em trazer ao eleito um verdadeiro conhecimento sobre assuntos espirituais (Colossenses 3:10, I Coríntios 1:23-24). O novo nascimento é comparado por Paulo à criação da luz (Gênesis 1:3, II Coríntios 4:6). Os crentes foram chamados das trevas para a "maravilhosa luz." (I Pedro 2:9). Todos os crentes são ensinados pessoalmente por Deus (João 6:45). Muitos testemunhariam que eles se assentaram nas igrejas (ou até mesmo pregaram no púlpito) durante anos, sendo, ainda, encobertos espiritualmente até que Deus os salvou.

NOTA: Talvez o pensamento mais triste conectado a esse tópico seja o de que os não regenerados são desavisados de sua própria cegueira. Inclusive os cegos tentarão guiar outros cegos (Mateus 15:14).

III. A VIDA CRISTÃ.

Os cristãos têm uma unção e isso lhes ensina o que não pode ser aprendido dos homens. (I João 2:20 e 27, II Coríntios 1:21 - Por favor, note que "unção" e "ungir" têm o mesmo significado). Essa unção é a comunicação do Espírito para com eles (Compare Isaías 61:1 com Hebreus 1:9). Somente através do ensinamento pelo Espírito alguém pode viver uma vida Cristã.

A. Ele abre as Escrituras.
O Espírito Santo ilumina a mente dos crentes para que eles possam entender as Escrituras. Cristo prometeu aos apóstolos que embora Ele estivesse partindo, o Espírito viria e lhes ensinaria (João 14:26). A realização desta promessa é vista de vários modos:

1. No livro de Atos, vemos que os apóstolos vieram a entender muitos dos ensinos de Cristo para os quais eram cegos, durante Seu ministério terrestre.
2. Na escritura do Novo Testamento, a manifestação do dom da profecia no período apostólico.
3. Na iluminação dada aos crentes hoje, quando estudam a Palavra de Deus.

B. Ele conduz o crente.
O Espírito Santo guia o crente e permite que ele saiba qual é a vontade de Deus (Romanos 8:14, Provérbios 3:5-6).

C. Ele glorifica a Cristo.
O Espírito Santo em Seus ensinamentos tem o propósito de glorificar a Cristo. O Espírito nos ensina sobre Cristo, e O faz precioso para nós (João 15:26; 16:14-15).

Nota: É muito importante que nós entendamos que o Espírito de Deus não veio para chamar a atenção ou trazer glória a si. O Espírito não busca adoração a si (embora seja um objeto de adoração), mas leva-nos a adorar a Cristo. Em Seu ensino Ele revela as verdades ensinadas anteriormente por Cristo (João 14:26; 16:13-14) e glorifica a Cristo como o grande professor. Podem ser encontradas as sementes de toda a verdade no Novo Testamento em os ensinos de Cristo.

O leitor, não deve pensar, com isso, que o Espírito Santo é inferior ao Filho de Deus. Nós entendemos que na época da graça cada Pessoa da Trindade tem um trabalho diferente a fazer na salvação. O Espírito veio apontar os homens para Cristo.

D. Ele protege o crente dos erros.
O crente está seguro em Cristo porque o Espírito, ilumina-o para que ele veja o perigo. Ao invés de serem seduzidos pelo anticristo, os crentes continuam fieis ao Salvador porque são ensinados pelo Espírito (I João 2:18-20 e 26-27).

E. Ele ensina o crente concernente a sua bem-aventurança em Cristo.
O Espírito Santo revela aos crentes a grandeza de sua herança, as maravilhas do amor de Deus e o poder manifestado na salvação (I Coríntios 2:9-16, Efésios 1:15-19; 3:14-19).

CONCLUSÃO

Como cristãos é nosso dever estudar a Palavra de Deus e escutar a sua pregação. Porem, não devemos nos esquecer de olhar ao Espírito Santo para termos uma real compreensão.

"Nós escutamos o pregador
A verdade, por ele, foi mostrada;
Mas, nós queremos um Professor Maior,
Do trono perpétuo:
A aplicação
É somente a obra do Divino."


Autor: Pr Ron Crisp
Fonte: www.obreiroaprovado.com

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