Mat. 16:18, "... e sobre esta pedra edificarei minha igreja..."
I. A IGREJA ESTÁ EDIFICADA SOBRE CRISTO.
A. Sobre a pessoa de CRISTO.
A palavra pedra, Mat. 16:18, (em grego, linguagem original) significa uma massa de rocha (literalmente ou simbolicamente). A palavra ‘Pedro’ (em grego) origem caldônico significa uma pedra oca (vazia); Cefas (João 1:42), vem desta palavra.
1. O ministério de Jesus começou com a pregação do "reino dos céus". Mat.4:17.
a. Depois Seu batismo por João. Mat. 3:13-17.
b. Com a autoridade de Deus, á autoridade foi vista no batismo, Mat.3:17; João 3:28-31; é vista na tentação; Mat. 4:1,7,11 "Espírito o conduziu" (v.1); "Ele se proclamou que era Deus" (v.7); "Os anjos ministravam á Ele" (v.11).
c. A pregação era de "arrependimento" por causa do "reino dos céus".Mat.4:17; Sem Cristo, a "salvação", não existe razão a arrepender-se, Mar. 1:14-15 , "Arrependei-vos, e crede no Evangelho". (Efés. 1:13 o Evangelho da nossa salvação). Mas há salvação por Cristo, por isso deve ser por arrependimento, abandone os pecados e abraça a Cristo – o Evangelho.
Nota: o que o João Batista pregou, e que Cristo pregou, e que os apóstolos pregaram – devemos também pregar agora.
2. O seu batismo era na mesma forma de João.
a. O batismo de Cristo era na mesma forma de João, mas o significado do batismo de Cristo era maior do que o de João. Luc. 3:16; 16:16; João 1:17. Cristo é esposo, João era o "amigo do esposo". João 3:28-29; Efés. 5:25-27 e 32. Cristo "vem do céu, vem de cima" João 3:31. O batismo de Cristo era para ser com "o Espírito e com fogo". Mat.3:11; Mar 1:8; Luc. 3:16. O batismo de João era só "de arrependimento e de água". Atos 19:4; 11:16.
b. Mais tarde este batismo foi dado aos discípulos, Atos 11:16. O Espírito acompanharia os discípulos como acompanhou o Senhor Jesus. Os discípulos agiram com o Espírito, Atos 11:12. Os discípulos lembraram que tal batismo era o sinal do batismo de Jesus, Atos 11:16. Para os apóstolos, o batismo por Jesus era com Espírito Santo (era completo), os sem o batismo de Jesus, no nome DELE, era sem o batismo certo, e sem o Espírito Santo na Sua plenitude (Atos 19:1-7) "era incompleto". Os discípulos tinham um batismo completo. Foi Jesus quem foi mandado por Deus após João. Jesus tinha o sinal do céu (O Espírito Santo) e portanto quem ministrava o batismo certo. Depois de João, o batismo certo era somente segundo a ordem de Cristo. O Batismo de João, depois que Cristo veio, era inválido. O Espírito Santo foi mostrado, naquela época, só com batismo verdadeiro. Atos 19:5-7.
c. Paulo, o apóstolo, falou do seu batismo, Rom.6:3-5. Depois da ressurreição de Cristo podemos entender que a formula que Jesus Cristo começou continuou.
d. Os apóstolos batizaram e isso era contado como o batismo de Jesus, João 4:1-2. O batismo dos discípulos e dos apóstolos era com a mesma autoridade como se estivesse feito pelo próprio Jesus, João 4:2. Todos reconheceram isso, João 4:1.
e. Não temos um relatório do batismo por imersão dos apóstolos, como não o temos do batismo de João o Batista. É certa que os discípulos, por nome, não estão constados como sendo batizados. Mas, João veio para preparar o caminho, veio pregando o Reino dos Céus, e batizando. Estes batizados expressaram pelo batismo a concordância de coração da mensagem de João. Quando Cristo veio, João O apontou. Os discípulos de João então seguiram Cristo. Destes discípulos de João, Jesus escolheu doze. Assim entendemos que os doze foram batizados (João 1:28-40). O que temos é que o batismo pela imersão na água pelos discípulos era reconhecido como sendo por Jesus, João 4:2. A maneira para receber a marca do batismo de Cristo é primeiramente ser um Cristão. A presença especial do Espírito Santo era a marca que este batismo era de Deus (Atos 19:2-7). Foi reconhecido assim até o dia de Pentecostes, quando a presença do Espírito Santo veio em geral sobre todos os Cristãos de todas as nações. O batismo ainda é a sua marca publica de crer em Cristo. João Batista não foi imergido, pois ele não foi membro da igreja, mas Jesus era batizado, os discípulos e apóstolos eram batizados e também os, no Novo Testamento, que vieram a Cristo com arrependimento e fé, foram batizados. Então podemos entender que Cristo, com autoridade, deu ordem de batizar aos discípulos e aos apóstolos e estes continuavam com o batismo. A Igreja verdadeira continua ainda hoje o que Cristo começou.
B. A mensagem é Cristo!
1. Primeira mensagem de João o Batizador: Mat. 3:2; "E dizendo: Arrependei-vos, porque é "chegado o reino dos céus."
2. Primeira mensagem de Cristo: Mat. 4:17, "desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: "Arrependei-vos porque é Chegado o reino dos céus".
3. Não temos outra coisa de pregar! Mar. 16:15, "...pregai o evangelho..."; I Cor. 15: 1-18, (v.1) "o evangelho..."; (v3). "...queCristo..."; I Cor. 2:2, "...só Cristo é Este crucificado..."
4. Ai do tal que mexe com outras coisas! Gal. 1:6-9, I Cor. 16:22; Apoc 2:4.
C. A igreja é o corpo de Cristo - feito "por Cristo".
1. A igreja não é um clube social, nem mesmo um clube cristão, mas o corpo de Cristo. Efés. 1:22-23; 3:6.
2. Mesmo que gostamos de ser juntos aqui, temos comunhão porque estamos ativos nEle, (I João 1:17) não vice-versa. o gozo é o efeito de obedecer, não a causa; o obedecer é a causa do gozo, não o efeito. Quando "andamos em Espírito temos o fruto do Espírito". Gal. 5:16 e 22. Quando reunimosnoSeu nome, Ele está em nosso meio, e não vice-versa. Mat. 18:20.
3. Não é obra de homem qualquer, "É por Cristo", "nEle".
a. ELE usa meios na Sua obras como profetas, discípulos, apóstolos, bispos, professores, doutores, diáconos, músicos, evangelistas, missionários, oração, suplicas, dízimos, ofertas, e a Igreja ......mas...... "dEle, e por Ele e para Ele, são todas as coisas; glória pois a Ele eternamente. Amém". Rom. 11:36; Apoc. 4:11.
b. Devemos então ser individualmente separados do mundo, e a igreja, coletivamente separado do controle das leis civis que interfiram ou entrem em conflito com a lei maior de Deus. Rom. 13:1-7; I Pedro 2:13-17; Atos 4:17:31.
D. A Igreja tem um começo: Não temos a data exata mas a Igreja começou durante a vida de Cristo aqui na terra, antes da Sua crucificação.
1. I Cor. 12:28- "primeiramente apóstolos " A chamada dos apóstolos já era durante a Sua vida na terra. Mat.10:1-4.
2. Tinha cargos na Igreja já antes da Sua crucificação: Tesoureiro, Mar.6:37; João 12:6; 13:29, e tinha Discípulos/Apóstolos, Mat. 10:1-4; Mar. 3:13-19.
3. Observaram as duas ordenanças antes da crucificação (Veja os capítulos que tratam destas ordenanças)
4. Foi um bom numero, logo após a crucificação. Atos 1:15-20 mostra um agrupamento esperando, antes da descida do Espirito Santo. Em Atos 2:40-44 "agregaram-se" depois da descida do Espírito Santo aumentou ao que já tinha. Nota: isso era somente 50 dias após da morte de Cristo
5. Reuniram antes da Sua morte, para observar a ceia, Mat. 26:17-30 e para ouvir e pregar mensagens, Mat. 23:1; 25:46.
6. Antes do dia de pentecostes, realizaram uma reunião para tratar os negócios da igreja Atos 1:15-26.
(1). Tinha ordem. v. 17-21.
(2). Foi necessário. v. 21
(3). Seguiram as qualificações de apóstolos v. 21, 22.
(4). Foi democrática. v. 23,26.
(5). Foi com oração. v. 24.
A igreja que Cristo estabeleceu nEle, foi antes da sua crucificação. Para conhecer se uma igreja existe hoje é uma que vem da igreja que Cristo estabeleceu, pode olhar na data que ela foi estabelecida.
E. A Igreja tem localidade:
Lembre-se:
A Igreja foi estabelecida por Cristo,
A Igreja foi estabelecida sobre Cristo,
A Igreja foi estabelecida antes da Sua crucificação,
A igreja foi estabelecida em Jerusalém.
1. Jerusalém – a primeira cidade mencionada de ouvir a pregação do João o Batizador. Mat.3:1-6; Mar. 1:5; João 1:19. Alguns foram convertidos, Mar. 1:5 e alguns duvidaram, João 1:9.
2. Jerusalém – na história de Israel era a cidade dos profetas, a cidade dos reis que eram descendentes do Rei Davi e, I Reis 14:21, "a cidade que o Senhor elegera de todas as tribos de Israel para por ali o Seu nome...". Nomes na bíblia que se refere a esta cidade: ( Jerusalém usada 600 vezes no Velho Testamento ).
a. Salém – Gên. 14:18; Ageu 2:9; Sal. 122:6, Isa. 66:12.
b. Sião – II Reis 19:21; Mat. 21:5; João 12:15; Romanos 9:33; 11:26; I Pedro 2:6; Apoc.14:1;
c. A Cidade de Davi – II Sam.5:7-9; 6:10-16; Neemias 3:15; 12:37; Isaías 22:9 (a cidade de Davi usada uma vez para referir á Belém, Luc.2:4-11 ).
d. A Cidade de Deus – Sal. 46:4; 48:1-8; 87:3; Heb. 12:22; Apoc.3:12.
e. A Cidade de Jeová – Isa. 60:14.
f. O monte do Senhor – Isa. 2:3; 30:29.
g. O monte do Senhor dos Exércitos – Zac. 8:3.
h. Meu Santo Monte – Isa. 66:20.
i. A cidade do Senhor, a Sião do Santo de Israel – Isa. 60:14.
j. "Minha Cidade" – Isa. 45:13 ( só em referencia á Jerusalém).
k. O monte da Minha Santidade – Isa.11:9; 65:25.
l. Santa cidade – Isa. 48:2; Mat. 4,5; Apoc. 11:2; 21:2; 22:19.
m, A nova Jerusalém-Apoc.21:2.
n. Hefzibá – O Senhor se agrada de ti; Beulá – a tuas terra, Isaías 62:4
o. Ariel – Talvez significa: "O Leão de Deus " Isa.29:1,2,7
p. Isa.1:10,26. Jerusalém sendo referida como sendo igual ao Sodoma e a Gomorra, e também sendo chamada, de justiça, cidade fiel. Nota: Antes da salvação somos como povo de Sodoma e como os de Gomorra: depravados, perversos, contra Deus, Rom. 3:10-18. Depois da salvação somos feitos a ser fiel, II Cor. 5:21, e como o povo na sua Jerusalém. Se Jerusalém é cidade Santade Deus, você tem direito a ir a Nova Jerusalém?
3. Jerusalém – Na história da Igreja .
a. Primeira cidade mencionada de ouvir a pregação do João o Batizador e ter os primeiros convertidos. Mat. 3:1-6 ( Mar.1:5; João 1:19).
b. A cidade onde uma grande parte das obras de Deus foi feita.
c. A apresentação de Jesus. Luc. 2:21-24.
d. Jesus com doze anos foi a festa da Páscoa em Jerusalém. Luc.2:41-52.
e. Jesus purificou o tempo pela primeira vez. João 2:13-15.
f. Cura dum paralítico. João 5:1-5.
g. Parábolas e dizeres sobre Jerusalém – Luc.10:30; 31-35.
h. Crucificação, Julgamento, Ressurreição, Mat.27:1-66, João 12:12-19:42.
i. Depois crucificação, o lugar para a Igreja esperar. Atos 1:4 e 12-13
j. Onde a Igreja foi empossada com o Espírito Santo. Atos 1:4; 2:1-6.
F. A Igreja tem Membros atuais, é visível e local. A igreja foi estabelecida por Cristo, nEle, com pessoas num lugar atual. A Igreja, desde começo era num Local e Visível. Ela tinha reuniões e pessoas atuais num lugar real. Quando essa Igreja estabeleceu outras, aquela outra era chamada "Igreja", e as duas chamadas "Igrejas" (I Cor. 7:17) significado que cada uma era uma igreja independente num Local e feita de pessoas Visíveis.
1. É local pois tinha um lugar exato (Romanos 16:1; Col. 4:15; Apoc 1:11 e as sete igrejas na Ásia; Atos 13:1); podia ouvir um assunto por completo (Mat. 18:17; Atos 15:4); tem o seu próprio pastor (Atos 20:28; Apoc 1:20; I Tim 3:5); era chamada por termos que distinguem uma soma de muitos num lugar só (rebanho – Atos 20:28; irmãos – Atos 15:36; corpo – Col. 1:18; castiçal – Apoc 1:20) e pode fazer ações diferentes em tempos diferentes bem como Atos 13:3, uma igreja pus as mãos sobre Barnabé e Saulo sem que todas elas fizeram isso no mesmo tempo e Atos 15:22, uma igreja elegeu irmãos para uma obra sem que todas delas fizeram isso na mesma hora.
2. É Visível pois a palavra "igreja" no grego é igual à palavra hebraica traduzida "congregação"(Sal. 22:22; Hebreus 2:12) e tem membros em particular com nomes (Atos 13:1; 5:1,11) e com pessoas particulares (Atos 8:3). Quando os membros são juntos é a "igreja" (I Cor. 11:18,22) e um membro pode ser cortado da assembléia (Mat. 18:17; III João 1:10). A igreja é visível por ter os seus ministrantes particulares (Apoc 1:20) e por ser chamada por termos de algo visível: corpo (Col. 1:18); rebanho (Atos 20:28), irmãos (Atos 15:36); castiçal (Apoc 1:20); vos (Romanos 16:16; I Cor. 1:1-3) uns aos outros (Romanos 16:16); esposa (Apoc 22:17); casa (I Tim 3:5,15); inscritos (I Tim 5:9,16), um relacionamento de marido e esposa (Efés. 5:23-25); deu assistência financeira (Atos 15:3; Fil. 4:15,16) em qual uma deu e a outra recebeu (Romanos 16:5).
3. Existem casos na Bíblia em quais a palavra igreja é determinada como uma instituição. Estes casos são poucas e são definidos em particular: Mat. 16:18; Efés. 1:22; 3:10; I Cor. 10:32; II Cor. 8:18,19,23). Mas mesmo como instituição se ajuntaram num local e eram visíveis.
Nota: Pode conhecer a Igreja de Cristo existente hoje pela sua doutrina, sim, pela doutrina se a Igreja é Local e Visível.
G. A Igreja é evangelistica - quer dizer que ela tem o propósito de levar as verdades da palavra de Deus às outras pessoas no mundo: Atos 13:3; Mat. 28:19-20; Mar. 16:15; Luc. 24:47; João 20:21; Atos 1:8. Para ser as testemunhas corretas, só pode ser com o Espírito Santo.
H. A Igreja é Independente – I Cor. 6:4. A igreja não é um corpo legislativo mas somente é livre de executar a vontade de Deus como ela é revelada na Palavra de Deus. Cristo é a cabeça, então Ele que governa ela. Uma outra organização humana ou angélica não tem esse direito.
II. COMO AGIR NA IGREJAS QUE CRISTO ESTABELECEU?
A. Sua presença – Heb. 10:25.
1. Preparada:
Corpo pronto. Sal. 122:1.
Família pronta. Deut. 11:18-21.
Coração pronto. Sal. 139:23.
2. Testemunhando:
Atos 1:8; João 4:39.
B. Seu dinheiro:
O Deus Soberano, Todo Poderoso, Uniciente, não precisa de nós; mas, ELE nos usa e até ordenou que a manutenção da Sua casa e as despesas de proclamar o Evangelho seja feita com os dízimos e ofertas da Igreja. Mal. 3:10; Fil. 4:10 e 15-19.
É a maneira também de Ter as bençãos. Mal. 3:10-12.
C. Suas orações:
Em prol do Pastor. II Cor. 11:28; Heb. 13:17.
Em prol membros. I Ped. 4:8; Heb. 10:25.
Em prol de você mesmo. Mat. 26:41; I Ped. 4:7.
Em prol dos outros. Mat. 9:35-38.
Deus usa as orações como um instrumento para fazer a Sua Obra aqui na terra. Quando você ora, você está sendo usado por Deus na Sua Obra. Seja disposto a ser usado na mão de Deus nessa Obra Grande DELE aqui na terra, usando a sua presença, bens e orações para o desenvolvimento dela.
Isso nos dá o sentimento de servo, pois dar glória a Deus é a razão de estarmos aqui.
Este Estudo foi preparado em 1989 enquanto o Pastor Calvin G. Gardner trabalhava de missionário na Zona Leste de São Paulo. Depois a obra foi expandida para incluir outros aspectos da igreja, especialmente sobre as ordenanças.
Autor: Pastor Calvin Gardner
Fonte: www.obreiroaprovado.com
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Estudo Bíblico - O JEJUM BÍBLICO
Numa época em que os restaurantes e churrascarias se multiplicam, o jejum parece estar, a cada dia, mais fora de moda. Por esta razão e por ignorar o que as Escrituras ensinam sobre o assunto, muitos cristãos tornaram-se cépticos com relação ao jejum. Decorrente dessa onda de ceticismo, com frequência surgem as seguintes perguntas: É bíblico jejuar? O jejum é uma prática recomendada ao cristão em nossos dias? O que é jejuar?
I. O ENSINO BÍBLICO SOBRE O JEJUM
1. Muitas das pessoas mencionadas na Bíblia jejuaram. Dentre essas, destacam-se Moisés (Êx 34.28), Ana (l Sm 1.7), Davi (2 Sm 1.12; 12.22), a nação de Israel (Lv 23.27), Jesus (Mt 4.2), os discípulos de João Batista (Mc 2.18; Lc 5.33), Paulo (At 9.9) e tantos outros.
2. Por toda a história da Igreja, grandes homens de Deus buscaram seu poder e bênção através do jejum. Dentre esses, destacam-se Lutero, Calvino, João Knox, João Wesley, João Nelson Hyde, João Bunyan, Daniel Berg e Gunnar Vingren. Jonathan Edwards jejuou 24 horas antes de pregar o seu famoso sermão Pecadores nas mãos de um Deus irado, cuja influência é sentida ainda hoje.
3. Carlos Finney, famoso evangelista americano do começo do séc. XVIII, muitas vezes interrompia os cultos de avivamentos quando percebia que os seus ouvintes se mostravam indiferentes à sua pregação, e imediatamente proclamava um período de jejum e oração. Quando notava que Deus começava a despertar os corações, reiniciava as suas reuniões.
II. TIPOS DE JEJUM BÍBLICO
De acordo com o estudo das Escrituras, existem pelo menos três tipos de jejum: o típico, o completo e o parcial.
1. O jejum típico. Não implica em abstinência de líquidos, mas apenas de alimentos sólidos. Após o jejum de 40 dias e 40 noites no deserto, lemos que Jesus "teve fome" (Mt 4.2). Como seria fisicamente impossí¬vel uma pessoa normal jejuar por tanto tempo sem ingerir líquidos, grande número de estudiosos da Bí¬blia acredita que Jesus bebeu água; absteve-se apenas de alimento sólido.
2. O jejum completo. Também chamado de jejum absoluto, consiste na abstinência de alimento sólido e líquido (At 9.9). Deve ser praticado cercado de cautela, e não pode ser muito prolongado, devido aos riscos para a saúde.
3. O jejum parcial. É caracterizado pelo que se come e pela frequência com que se ingere. Em primeiro lugar, o jejum parcial significa abster-se de certos alimentos. Alguns estudiosos das Escrituras interpretam a atitu-de de Daniel de não comer do manjar do rei (Dn 1), como jejum parcial. Em segundo lugar, implica em abster-se de certos alimentos durante um período de tempo.
III. A DURAÇÃO DO JEJUM
1. Na maioria das vezes, o jejum bíblico durava apenas um dia. Ia de um pôr-do-sol a outro. Isto é, a pessoa não comia algo desde o anoitecer até o fim da tarde do dia seguinte. Só então ela podia ingerir algum tipo de alimento (Jz 20.26; l Sm 14.24; 2 Sm 1.12; 3.35). Apenas Moisés, Elias e o Senhor Jesus são indicados na Bíblia como os que jejuaram 40 dias seguidos.
2. Independentemente de qualquer determinação normativa quanto à duração do jejum, o interessante é que cada um busque a orientação divina neste sentido.
IV. OS PERIGOS DO JEJUM
Talvez lhe cause estranheza a afirmação de que existem alguns perigos na prática indiscriminada do jejum. Talvez seja por isso que a Bíblia não tenha um mandamento explícito com respeito à melhor ocasião para o jejum e a duração dele. Dentre os principais perigos que cercam a sua prática, destacam-se os seguintes:
1. Perigos de natureza física, quando praticado abusivamente e sem orientação específica.
2. Jejum sem oração é mera privação de alimento, e não terá qualquer valor perante Deus.
3. Um dos grandes perigos do jejum é o problema da hipocrisia que às vezes cerca essa questão (Mt 6.16; Lc 18.12).
4. O legalismo é outro grande perigo relacionado com o jejum.
• A credibilidade do jejum não está na abstinência pura e simples de alimentos, mas na sinceridade da pessoa que manifesta sua fé, ao privar-se de alimentos. O fato de algumas pessoas o praticarem apenas por legalismo, não invalida o jejum. Quando alguém crê que Deus será louvado pela consagração de seu corpo pelo tempo passado em oração e pela abstinência de alimentos, seu jejum torna-se um ato de fé.
V. POR QUE JEJUAR?
O jejum distingue-se da greve de fome, cujo propósito é adquirir poder político ou atrair a atenção para uma boa causa. Distingue-se também da dieta de saúde, que acentua a abstinência de alimento para propósitos físicos e não espirituais.
1. Devemos jejuar pela nossa nação. É público e notório que a nossa pátria vive uma crise política, social e espiritual sem precedente. Os meios de comunicação de massa transformam os lares brasileiros em verdadeiras lixeiras, com suas programações recheadas pelo feiticismo, espiritismo e demais formas de ocultismo, que têm feito do Brasil um centro de ação das forças do Inferno. Urge, pois, jejuarmos e orarmos a Deus e pedir que Ele sare a nossa nação (2 Cr 7.14).
• Quando um número suficiente de pessoas entende corretamente do que se trata, as convocações nacionais à oração e jejum podem ter resultados benéficos. Em 1756 o rei da Inglaterra convocou um dia solene de oração e jejum por causa da ameaça de invasão por parte dos franceses. João Wesley registrou este fato em seu diário, no dia 6 de fevereiro: "O dia de jejum foi um dia glorioso, tal como Londres raramente tem visto desde a Restauração. Cada igreja na cidade estava mais do que lotada, e uma solene gravidade estampa-se em cada rosto. Certamente Deus ouve a oração, e haverá um alongamento da nossa tranquilidade".
• Em uma nota ao pé da página, Wesley escreveu: "A humildade transformou-se em regozijo nacional e a ameaça da invasão francesa foi impedida".
2. Devemos jejuar pêlos nossos próprios problemas. Certamente a Igreja no Brasil perdeu muito da força do seu testemunho. A sua presença hoje quase não é notada como uma influência positiva junto à comunidade da qual é parte. É o sal que perde o seu sabor e é pisado pêlos homens (Mt 5.13). Por que isso acontece? Devido à ausência do poder espiritual na vida do cristão como indivíduo.
• Deveríamos agir como Daniel que, quando se achava diante de obstáculos espirituais aparentemente intransponíveis, jejuava e orava (Dn 10.2,3). Por isso o Senhor atendia-lhe a petição (Dn 10.12).
• O jejum disciplina o corpo e torna-o um instrumento útil para Deus e seu serviço na Terra (l Co 9.27). Quando jejuamos, afirmamos que o estômago não é o nosso deus (Fp 3.19).
3. Devemos jejuar em tempos de aflição. Israel fez isso muitas vezes. Jejuou face a uma iminente guerra com os benjamitas (Jz 20.26), bem como antes duma terrível batalha contra os filisteus (l Sm 7.6). Na sua aflição, quando em busca de um filho, Ana "chorava e não comia" (l Sm 1.7). Davi demonstrou a sua intensa dor face à trágica morte de Abner, pelo jejum (2 Sm 3.32-35).
• Evitemos jejuar na aflição apenas como forma de dar atestado de compaixão por nós mesmos. O mérito do jejum em período de grande aflição consiste em que ele fere de morte o ego, torna a nossa oração mais eficaz e aciona o livramento divino.
4. Devemos jejuar antes de tomarmos grandes decisões. Antes de começar o seu ministério público, Jesus jejuou 40 dias e 40 noites (Mt 4.2). O envio de Saulo e Barnabé como missionários da igreja em Antioquia, foi precedido dum período de jejum e oração (At 13.2).
• Quando jejuamos antes de tomarmos grandes decisões, testificamos das nossas limitações pessoais, bem como demonstramos a nossa firme decisão de confiar nas possibilidades e promessas de Deus. Esta é uma forma humilde e dependente de chamar o Senhor a intervir em nosso favor. Devemos jejuar na esperança da vinda de Cristo. Face à pergunta dos discípulos de João Batista: "Por que jejuamos nós e os fariseus muitas vezes, e os teus discípulos não jejuam?", Jesus respondeu: "Podem porventura andar tristes os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias, porém, virão em que lhe será tirado o esposo e então jejuarão" (Mt 9.14,15). Noutras palavras: enquanto Jesus estivesse com os seus discípulos, era compreensível que eles não jejuassem; porém, tão logo Ele (o esposo) voltasse ao Céu, os seus discípulos jejuariam.
• A mais natural interpretação dos dias em que os discípulos de Jesus jejuariam é a presente época da Igreja, especialmente à luz de sua intrincada conexão com a afirmativa de Cristo sobre os novos odres do Reino de Deus, que vem logo em seguida (Mt 9.16-18). Arthur Willis argumenta que Cristo se refere ao momento presente da Igreja, e não apenas ao período de três dias antes de sua morte e ressurreição. Ele conclui seu argumento com estas palavras: "Somos, portanto, compelidos a relacionar os dias de sua ausência com o período desta época, desde o tem-po em que Ele ascendeu ao Pai até que volte do Céu. Foi assim, evidentemente, que os apóstolos entenderam suas palavras, pois somente após a sua ascensão ao Pai é que lemos que eles jejuaram (At 13.2,3). Antes do Noivo deixar a Igreja, Ele prometeu que voltaria de novo para recebê-la. Ela ainda aguarda o grito da meia-noite: 'Eis o noivo! Saí ao seu encontro' (Mt 25.6). Esta época da Igreja foi que nosso Mestre se referiu quando disse: 'e nesses dias hão de jejuar'. O tempo é agora!"
• Contemporâneos dessa ausência física temporária do Esposo, devemos jejuar na esperança e na expectativa de sua manifestação triunfal, orando ansiosamente: "Vem depressa, amado meu..." (Ct 8.14). "O Espírito e a esposa dizem: Vem..." (Ap 22.17).
VI. COMO JEJUAR?
Já dissemos que jejuar é muito mais que abster-se de alimentos. O Antigo Testamento define-o como "afligir a alma" (Is 58.3). Desse modo, para que o jejum tenha algum valor perante Deus, é necessário que tenha um objetivo espiritual específico.
Quanto à maneira correta de jejuar, atente para as seguintes recomendações práticas, algumas extraídas do ensino do próprio Senhor Jesus.
1. Determine previamente o tempo de duração do jejum. Não é bom iniciá-lo sem a decisão prévia quanto ao tempo de duração. Para o crente que não tem o costume de jejuar, o melhor é começá-lo em espaços menores, e aumentar o tempo de duração à medida que tenha experiência no jejum.
2. Comece abstendo-se de alimentos apenas sólidos. Já mostramos o risco do corpo permanecer por muito tempo sem ingerir líquidos, principalmente nas primeiras experiências do jejum. Porém, à medida que você adquire o hábito de jejuar, deve abster-se de líquido também.
3. Planeje algum tempo de oração durante o jejum. Como dificilmente podemos nos dar à meditação e à oração enquanto trabalhamos, seria pouco recomendável jejuar durante o exercício de nossas ativi-dades diárias. Jejum e oração estão interligados.
4. Dê lugar ao arrependimento no seu coração. Em Davi temos o exemplo dum homem humilde dian te de Deus. Ele mesmo diz: "Chorei, em jejum está a minha alma, e isso se me tornou em afrontas" (SI 69.10). O jejum que não torna o nosso coração manso e humilde, acessível ao arrependimento, tem menos valor que uma greve de fome.
5. Escolha alguns versículos bíblicos para meditação. Dentre outros, o jejum tem a propriedade de aprofundar a meditação. Portanto, nada melhor para meditar do que na Palavra de Deus. Devemos meditar nos versículos que se tornam ponto de apoio para nossas petições durante o jejum.
6. Jejue com um propósito específico. Ester e as suas companheiras jejuaram para que os filhos de Israel fossem poupados da tirania de Hamã (Et 4.16,17). Jesus jejuou 40 dias e 40 noites com o propósito de vencer o adversário e inaugurar o seu ministério terreno de forma triunfal (Lc 4.1-21). De igual modo nós devemos ter um propósito especificamente em mente ao tomarmos a decisão de jejuar.
7. Jejue com uma atitude de perdão. Ira, amargura, ciúme, discórdia e medo - se estiverem dentro de nós, aflorarão durante o jejum. A princípio racionalizaremos que a ira é devido à fome; depois descobriremos que estamos irados por causa do espírito de ira e a ausência duma atitude de perdão, que há dentro de nós.
8. Jejue, não como os hipócritas (Mt 6.16). Como jejuam os hipócritas? Nos dias de Jesus eles o praticavam contristados, com rostos desfigurados, como forma de dar a entender aos homens que jejuavam. Uma prática frequente dos fariseus era jejuar nas segundas e quintas-feiras, porque estes eram os dias de merca-do e assim haveria maior audiência para ver e admirar a piedade deles.
9. Jejue divorciado da falsa piedade (Mt 6.17,18). Ao contrário dos fariseus hipócritas que revestidos duma piedade superficial jejuavam para chamar a atenção dos homens, Jesus recomenda-nos: "Porém tu, quando jejuares, unge a tua cabeça e lava o teu rosto. Para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em oculto; e teu Pai, que vê em oculto, te recompensará" (Mt 6.17,18).
• Embora os aspectos físicos do jejum deixem-nos tantas vezes curiosos, jamais devemos nos esquecer de que a principal obra do jejum bíblico está no reino espiritual.
Autor: Raimundo de Oliveira
sábado, 18 de setembro de 2010
Esboço para pregação - A GRANDEZA DE CRISTO E O AMPLO CONVITE DO EVANGELHO - Mateus 11.25-30
Poucas passagens existem, nos quatro evangelhos, que sejam mais importantes do que esta. Há poucos trechos bíblicos que contenham, em tão poucos versículos, tantas e tão preciosas verdades. Que Deus nos dê olhos para ver e coração para apreciar o grande valor destas verdades!
Em primeiro lugar, aprendemos quão excelente é a atitude mental de ser simples e despretensioso como uma criança, e estar pronto a receber a instrução. Em oração, nosso Senhor disse a Deus Pai: "Ocultaste estas cousas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos".
Não nos compete tentar explicar por que razão alguns recebem e crêem no evangelho, enquanto outros não o fazem. A soberania de Deus quanto a isso é um profundo mistério, de maneira que não somos capazes de sondá-la. Mas, seja como for, há algo na Bíblia que se destaca como uma grande verdade prática, e da qual jamais nos deveríamos esquecer. O evangelho geralmente está oculto daqueles que são "sábios a seus próprios olhos, e prudentes em seu próprio conceito" (Is 5.21). O evangelho geralmente é revelado aos humildes e despretensiosos, que estão dispostos a aprender. As palavras da virgem Maria estão se cumprindo constantemente: "Encheu de bens os famintos, e despediu vazios os ricos" (Lc 1.53).
Vigiemos nosso coração quanto ao orgulho, em todas as suas manifestações — o orgulho intelectual, o orgulho das riquezas, o orgulho em face de nossa própria bondade, o orgulho de nossos próprios méritos. Coisa alguma tende por manter um homem fora do céu, impedindo-o de ver a Cristo, mais do que o orgulho. Enquanto imaginarmos que somos alguma coisa, jamais seremos salvos. Oremos pedindo humildade, e então a cultivemos. Procuremos conhecer a nós mesmos de maneira correia, descobrindo a nossa verdadeira condição diante de um Deus santo. O início do caminho para o céu é quando sentimos que estamos no caminho do inferno, e então nos dispomos a ser ensinados pelo Espírito Santo. Um dos primeiros passos no caminho da salvação é perguntar, como fez Saulo de Tarso: "Que farei, Senhor?" (At 22.10). Dificilmente há outra afirmação de nosso Senhor que seja tão frequentemente repetida quanto esta: "...o que se exalta, será humilhado; mas o que se humilha, será exaltado" (Lc 18.14).
Em segundo lugar, aprendamos, com base nestes versículos, a grandiosidade e a majestade de nosso Senhor Jesus Cristo. A linguagem de nosso Senhor quanto a este assunto é profunda e maravilhosa. Disse Ele: "Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai; e ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar". Ao ler estes versículos, bem podemos dizer: "Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim: é sobremodo elevado, não o posso atingir". Podemos vislumbrar um pouco da perfeita união existente entre a primeira e a segunda pessoa da Trindade. Vemos algo da incomensurável superioridade do Senhor Jesus, sobre todos os que não passam de meros homens. Não obstante, depois de havermos dito tudo isso, devemos confessar que existem alturas e profundidades neste versículo, que estão muito além da nossa débil compreensão. Podemos apenas admirá-las no espírito de crianças pequenas. Contudo, ainda assim, sentimos que metade dessas coisas jamais se contou ao mortal.
Entretanto, que nós vejamos nestas palavras de Jesus a grande verdade prática de que todo poder e autoridade, em tudo quanto diz respeito à salvação de nossas almas, está nas mãos de nosso Senhor Jesus Cristo. "Tudo me foi entregue por meu Pai." Ele tem a chave. Para ir ao céu, precisamos ir até Ele. Ele é a porta: precisamos entrar por intermédio dEle. Ele é o pastor das ovelhas: precisamos ouvir a Sua voz e segui-Lo, se não quisermos perecer no deserto. Ele é o médico das almas: precisamos consultá-lo, se quisermos ser curados da praga do pecado. Ele é o pão da vida: precisamos nos alimentar dEle, se quisermos que as nossas almas sejam satisfeitas. Ele é a luz: devemos andar após Ele, se não nos quisermos desviar para as trevas. Ele é a fonte da vida: precisamos lavar-nos no seu sangue, se quisermos ser purificados e preparados para o grande dia da prestação de contas. Benditas e gloriosas são estas verdades! Se temos a Cristo, temos todas as coisas (l Co 3.22).
Em terceiro lugar, com base nesta passagem, aprendemos como é amplo e pleno o convite do evangelho de Cristo. Os últimos três versículos do capítulo, que encerram essa lição, são realmente preciosos. Eles vêm ao encontro do trêmulo pecador, que indaga: "Cristo revela o amor do Pai para alguém como eu?" Estes versos são um precioso encorajamento, e merecem ser lidos com especial atenção. Por quase dois mil anos eles têm sido uma bênção para o mundo, e têm beneficiado a milhões de pessoas. Não há uma única sentença, nestes versículos, que não contenha preciosos pensamentos.
Observe quem são aqueles a quem Jesus convida. Ele não se dirige àqueles que se sentem justos e dignos em si mesmos. Ao contrário, dirige-se a "todos os que estais cansados e sobrecarregados". Essa é uma descrição bastante ampla. Abrange multidões neste mundo cansativo. Todos os que sentem um peso no coração, todos quantos desejam tornar-se livres de alguma carga do pecado, de alguma carga de tristeza, de alguma carga de ansiedade ou de remorso — todos estão convidados a virem a Cristo, não importa quem sejam ou o que já tenham sido na vida.
Note, em seguida, a graciosa oferta que Jesus faz. "Eu vos aliviarei... e achareis descanso para as vossas almas." Quão animadoras e confortantes são tais palavras! A falta de tranquilidade é uma das grandes características do mundo. A pressa, o vexame, o fracasso e os desapontamentos nos confrontam por todos os lados. Mas há esperança. Existe uma arca de refúgio para o cansado, tal como houve para a pomba solta por Noé. Em Cristo encontramos descanso — descanso para a consciência e para o coração, descanso fundamentado no perdão de todo pecado, descanso que é resultado da paz com Deus.
Veja quão simples é o pedido que Jesus faz aos que estão cansados e sobrecarregados. "Vinde a mim... tomai sobre vós o meu jugo... aprendei de mim..." Jesus não interpôs nenhuma condição difícil de ser atendida. Ele nada fala sobre obras a serem realizadas, ou de merecimentos, para que alguém possa receber os seus dons. Ele somente nos pede para irmos até Ele como estamos, com todos os nossos pecados, entregando-nos aos seus cuidados, como criancinhas dispostas a receber o seu ensino. É como se Jesus dissesse: "Não busqueis alívio nos homens. Não espereis que vos apareça alguma ajuda, vinda de outra direção. Tais e quais sois, neste mesmo dia, vinde a mim".
Observe, igualmente, quão encorajadora descrição Jesus faz de si mesmo. Ele diz: "Sou manso e humilde de coração". Quão verazes são essas palavras é algo que todos os santos de Deus têm frequente-mente experimentado. Maria e Marta, em Betânia, Pedro após a sua queda, os discípulos após a ressurreição, Tomé depois de sua fria incredulidade — todos eles provaram da "humildade e gentileza de Cristo". Este é o único lugar em toda a Escritura, onde se faz menção ao "coração” de Jesus. Esta é uma declaração que nunca deveríamos esquecer.
Em último lugar, observe a encorajadora consideração que Jesus dá ao serviço prestado a Ele. Ele diz: "O meu jugo é suave e o meu fardo é leve". Sem dúvida que existe uma cruz para ser carregada se seguimos a Cristo. Indubitavelmente existem provações e testes a serem enfrentados, e batalhas a serem travadas. Mas, os consolos do evangelho ultrapassam em muito o peso da cruz. Comparado com o serviço ao mundo e ao pecado, comparado com o jugo das cerimônias judaicas e com a escravidão às superstições humanas, o serviço prestado a Cristo é muitas vezes mais leve e fácil. O jugo de Cristo não é carga maior do que as penas o são para a ave que as possui. Os mandamentos de Cristo "não são penosos" (1 Jo 5.3). "Os seus caminhos são caminhos deliciosos,e todas as suas veredas paz" (Pv 3.17).
Agora vem a solene pergunta: Já aceitamos, pessoalmente, esse convite? Acaso, não temos pecados a serem perdoados e nem tristezas a serem removidas? nem feridas de consciência a serem saradas? Se temos, ouçamos atentamente a voz de Jesus Cristo. Ele fala conosco como falou aos judeus. "Vinde a mim..." Esta é a chave para a verdadeira felicidade. Eis o segredo de ter um coração leve. Tudo depende e gira em torno da aceitação desta oferta que Cristo faz.
Que jamais estejamos satisfeitos, enquanto não soubermos e sentirmos que já fomos a Cristo pela fé, buscando nEle o descanso, e que cada dia estamos indo até Ele em busca de novos suprimentos da graça divina! Se fomos até Ele, aprendamos a nos apegar a Ele ainda mais intimamente. Mas, se ainda não fomos até Ele, então que o façamos agora mesmo. A palavra de Cristo jamais falhará: "O que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora" (Jo 6.37).
Autor: J. C. Ryle
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Práticas Devocionais - PRÁTICA DA RESTAURAÇÃO
A prática da restauração é a arte de se colocar contritamente nas mãos do divino Oleiro para que ele refaça o vaso quebrado e lhe dê a forma e a beleza anteriores, depois de qualquer crise ou desastre de ordem religiosa. A restauração depende da submissão ao tratamento dispensado soberanamente por Deus e baseia-se na sua imensa misericórdia.
São os vasos quebrados que precisam parar nas mãos do Oleiro para serem outra vez modelados. Embora igualmente desintegrados e esvaziados de seu resplendor antigo, nem todos os vasos partidos têm a mesma história. Certamente eles se enquadrarão em um ou mais de um dos seguintes danos ou ocorrências:
1. Perda do primeiro amor
Você está no fundo do poço porque perdeu gradativamente o entusiasmo, perdeu o gosto pela leitura da Bíblia, perdeu a vontade de orar, perdeu o gozo da comunhão com Deus, perdeu a força da esperança cristã, perdeu a capacidade de crer, perdeu o poder da fé. Tornou-se frio, insensível, incrédulo e apático. Você trocou a Casa do Senhor (Sl 122.1) pela sua casa.
2. Perda das obrigações morais
Você está no fundo do poço porque se desobrigou gradativamente dos mandamentos de Deus. Você se soltou. Fez concessões à carne, ao mundo e ao diabo. Em vez de não se conformar com este mundo (Rm 12.2), você passou a não se conformar com a obrigação imposta por Jesus de negar-se a si mesmo (Lc 9.23). Você trocou o fruto do Espírito pelas obras da carne (Gl 5.16-24).
3. Perda da pureza doutrinária
Você está no fundo do poço porque foi se distanciando gradativamente do compromisso doutrinário. Tudo começou quando você perdeu a noção da autoridade da Palavra de Deus. A partir daí você passou a crer no Jesus histórico, e não no Verbo que se fez carne (Jo 1.14). Você passou a crer na reencarnação dos vivos, e não na ressurreição dos mortos. Você passou a sobrecarregar cada vez mais os homens e a dispensar cada vez mais o concurso de Deus. Você trocou a glória de Deus pela glória dos homens, trocou a fé pelas obras.
4. Perda do senso de dependência
Você está no fundo do poço porque se envaideceu gradativamente até ao ponto de acreditar que não precisa mais da sabedoria de Deus, da sua graça, do seu poder, da sua presença. Você pode tudo, você dá conta de tudo, você está sempre certo, a última palavra é sua. Você não é a vara, mas a própria videira (Jo 15-5). Você trocou a plenitude de Deus pela plenitude do seu próprio eu.
A CAPACIDADE DO RESTAURADOR
Basta passar os olhos na história da redenção para você descobrir ou redescobrir a capacidade sem medida do Restaurador. Não importa o tamanho dos estragos. Nem as diferentes áreas em que se deram os estragos.
1. Restauração física
Deus restaura a saúde ao doente (Is 38.16), a vista ao cego (Lc 18.42), a fala ao mudo (Mc 7.35) e o juízo ao endemoninhado (Mc 5.15.) Devolve à posição ereta a mulher por dezoito anos encurvada (Lc 13.13). Restaura a mão até então ressequida (Lc 6.10.).
2. Restauração espiritual
Deus restaura o homem da queda e do pecado, justificando-o, santificando-o e glorificando-o. Ressuscita-o de entre os mortos. Dá-lhe corpo novo, revestido de incorruptibilidade e de imortalidade (1 Co 15.53). Torna-o igual a Jesus Cristo (Rm 8.29-30; 2 Co 3.18; Fp 3.20-21; 1 Jo 3.2).
3. Restauração do culto
Deus restaura o altar, o tabernáculo, o templo, os muros e a cidade de Jerusalém, as tribos de Israel e a glória de Jacó (Ne 2.2). Restaura a sorte de Judá e de Israel, edificando-os como no princípio (Jr 33.7).
4. Restauração ecológica
Deus restaura o planeta que o homem poluiu e estragou. Estende outra vez a camada de ozônio. Despolui rios, lagos, mares, praias e oceanos. Replanta a flora e recria a fauna. Cria novos céus e nova terra (2 Pe 3.13). Redime a criação do cativeiro da corrupção "para a liberdade da glória dos filhos de Deus" (Rm 8.21).
5. Restauração final
Deus em Cristo tira o pecado do mundo, refaz o que o homem fez de errado. A história não termina com a notícia de que "por um só homem entrou o pecado no mundo" (Rm 5.12), mas com a notícia de que Jesus é "o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1.29).
A RESTAURAÇÃO DE DAVI
É quase inacreditável que um homem como Davi, a quem se atribui a autoria de 73 dos 150 salmos e que possuía certos traços de caráter muito especiais (1 Sm 24.6; 26.8-11; 2 Sm 23.13-17: 1 Cr 21.18-27), tenha descido tanto e cometido pecados tão grosseiros depois de uma carreira acentuadamente bem-sucedida e depois de conquistar a admiração de todo o povo. Os pecados desse "mavioso salmista de Israel" (2 Sm 23.1) não foram banais. Davi cometeu adultério com Bate-Seba, cujo esposo não era judeu, mas teria abraçado o judaísmo. Nessa ocasião, Urias, o heteu, mencionado como um dos trinta e sete valentes de Davi (2 Sm 23.39), achava-se ausente do lar por estar a serviço do exército de Israel no assédio à Rabá (2 Sm 11.1). O segundo grande pecado de Davi foi o assassinato de Urias, "com a espada dos filhos de Amom" (2 Sm 12.9). Ele matou um homem virtuoso, que não aceitava privilégios se outros estivessem privados deles (2 Sm 11.6-13). Curiosamente, neste sentido, Urias era muito parecido com o rei — Davi também não quis beber a água do poço de Belém porque ela quase custou a vida de seus amigos (2 Sm 23.13-17). O terceiro grande pecado de Davi foi a conexão dos dois primeiros pecados com a hipocrisia. Ele não estava interessado no bem-estar de Urias quando mandou buscá-lo na frente da batalha e trazê-lo para Jerusalém. O rei queria apenas que ele se deitasse com a mulher para que a gravidez dela fosse atribuída ao esposo. O presente que Davi lhe deu era um instrumento para beneficiar o rei, e não o valente oficial do exército. Mais grave ainda foi a encenação de Joabe e de Davi para justificar a morte de Urias perante a opinião pública. Foi um caso de extrema corrupção, da qual Bate-Seba não parece estar isenta (2 Sm 11.6-27).
Ora, depois de tanta miséria, o autor do salmo que descreve a onisciência e a onipotência de Deus (Sl 139) ficou em pandarecos (Sl 6.2, 3), sob o peso esmagador da mão de Deus (Sl 32.4) e dentro de um tremedal de lama (Sl 40.2). Ele gastou pelo menos nove meses para reconhecer e confessar tudo de errado que havia feito (2 Sm 12.13, 14; Sl 32.5). Suplicou a misericórdia de Deus na forma de perdão para o pecado (Sl 6. 1-7) e na forma de purificação para a injustiça (Sl 51. 1-12). Aceitou a morte da criança, o incesto de Amnon, as trapalhadas de Absalão, a provocação de Simei, a maldade de Aitofel, a morte de Absalão e a sedição de Seba — como consequências diretas ou indiretas de seu mau exemplo. (2 Sm 12.10-12.)
O processo de restauração tinha de incluir todos esses acontecimentos e demorou mais de dez anos. Ao cabo de tudo, Davi recuperou o prestígio, a autoridade, o trono, a comunhão com Deus, a delicadeza de seu caráter, as bênçãos de Deus e a experiência de que "onde abundou o pecado, superabundou a graça" (Rm 5.20). É ele mesmo quem conta; "De todos os meus filhos, porque muitos filhos me deu o Senhor, escolheu Ele a Salomão para se assentar no trono do reino do Senhor sobre Israel" (1 Cr 28.5). Ora, esse Salomão era filho "da que fora mulher de Urias" (Mt 1.6). Criado pelo profeta Nata (2 Sm 12.25), o mesmo que acusou Davi de adultério, Salomão foi também escolhido por Deus para edificar o Templo do Senhor em Jerusalém (1 Cr 28.6). O ponto mais alto da graça de Deus, porém, está na presença de Davi e Bate-Seba na árvore genealógica de Jesus Cristo, ao lado da virtuosa Maria e de algumas mulheres (Tamar, Raabe e Rute), que jamais estariam ali se não fosse a maravilhosa e soberana graça de Deus (Mt 1. 1-17). A Bíblia registra também que Davi "morreu em ditosa velhice, cheio de dias, riquezas e glória" (1 Cr 29.28). Talvez este seja o mais extraordinário exemplo de restauração de toda a Escritura!
A RESTAURAÇÃO DE PEDRO
A maneira como Jesus restaurou a vida de Pedro é uma verdadeira aula de psicologia e terapia pastoral. O apóstolo havia cometido vários erros: não levou a sério o aviso de Jesus de que o negaria por três vezes consecutivas, não se lembrou de que a temperatura do ambiente espiritual não é obrigatoriamente a mesma em circunstâncias diferentes (a diferença era enorme entre o Cenáculo e o Getsêmani) e emitiu cheques de valores muito altos sem o necessário suprimento: "Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei" (Mt 26.35). Por causa dessa falta de avaliação adequada e justa, Pedro negou o Senhor as três vezes consecutivas e ficou arrasado: "E, caindo em si, desatou a chorar" (Mc 14.72). Logo ele, a quem Jesus havia dito na presença de todos: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja" (Mt 16.18).
A pública restauração de Pedro se deu a menos de quarenta dias depois da ressurreição de Jesus, num cenário idên¬tico ao de sua chamada para ser pescador de homens, cerca de três anos antes (compare Lc 5.1-11 com Jo 21.1-23). Depois da pesca maravilhosa e da refeição, ali mesmo na praia, estando todos reunidos em torno do Senhor ressuscitado, sem mais nem menos, Jesus perguntou três vezes consecutivas a Pedro se ele o amava, dando ao apóstolo a oportunidade de declarar também por três vezes consecutivas em voz alta o seu amor por Jesus. A cada resposta de Pedro, o Senhor lhe dizia: "Apascenta as minhas ovelhas". No final daquele encontro, a tríplice indagação, a tríplice declaração de amor e a tríplice comissão haviam cancelado emocionalmente a tríplice negação de Pedro, livrando-o da "excessiva tristeza" (2 Co 2.7), curando-o de qualquer complexo e tirando-o outra vez da pesca para o apostolado (Jo 21.15-23).
O CAMINHO DA RESTAURAÇÃO
Para sair do fundo do poço, é preciso fazer alguma coisa. Não o impossível. Apenas o possível. O impossível corre por conta de Deus. São coisas simples, mas fundamentais:
1. Entre com o desejo
Esse é o início de todo o processo. O "eu não quero" (Sl 81.11; Ap 2.21) atrapalha tudo. Lembre-se do lamento de Jesus sobre Jerusalém: "Quantas vezes quis Eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!" (Mt 23-37.) Mas até para querer é possível contar com o auxílio do Senhor: "Deus está operando em vocês, ajudando-os a desejar obedecer-lhe, e depois ajudando-os a fazer aquilo que Ele quer" (Fp 2.13, BV).
2. Entre com o pedido
Comece a orar perseverantemente para Deus o tirar "de um poço de perdição, dum tremedal de lama" (Sl 40.2). Veja o tríplice pedido de restauração de Israel no Salmo 80: "Restaura-nos, ó Deus" (v. 3); "Restaura-nos, ó Deus dos Exércitos" (v. 7); "Restaura-nos, ó Senhor Deus dos Exércitos" (v. 19).
3. Lembre-se de onde, quando e como começou a crise que o deixou no fundo do poço
Você precisa pegar o fio da meada outra vez. Foi este o conselho de Jesus àquele que havia abandonado o seu primeiro amor: "Lembra-te, pois, de onde caíste" (Ap 2.5). Em outras palavras, Ele está dizendo: "assuma o que você fez de errado". Note bem, é preciso lembrar para confessar.
4. Confesse o iceberg todo
Não é para confessar apenas o pecado mais grosseiro ou apenas os pecados mais leves. É preciso confessar tudo: a segurança demasiada, as brincadeiras "inocentes", as pequenas e grandes concessões, a falta de vigilância, a negligência devocional e o pecado de rebelião. Note bem, é preciso confessar para não mais lembrar.
5. Renove a aliança
Você precisa voltar "à prática das primeiras obras" (Ap 2.5), aquelas que você observava com zelo e com alegria no passado. Comprometa-se outra vez. Faça uma nova profissão de fé. Enfie de novo o pescoço debaixo do jugo libertador de Cristo: "Tomai sobre vós o meu jugo" (Mt 11.29).
6. Deixe o resto com Deus
Este resto é o mais difícil, mas Deus o fará. Ele vai curar as feridas, cuidar das cicatrizes, consertar os traumas, recuperar o tempo perdido, acabar com os complexos, comissionar outra vez, devolver a alegria perdida e acalmar o seu coração. Fique certo disso: "Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais Ele fará" (Sl 37.5).
Autor: Elben M. Lenz César
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