terça-feira, 16 de novembro de 2010

Práticas Devocionais - PRÁTICA DO PODER

A prática do poder é a arte de se apropriar continuadamente, por meio da fé, do poder de Deus, colocado à disposição do crente que reconhece suas tremendas limitações e deseja permanecer fiel a Deus e servi-lo de maneira abundante na medida de seu chamamento e dons.

Existe poder aquisitivo, poder público, poder temporal, poder moderador, poder naval, poder negro, poder jovem, poder político, poder internacional, poder mental. Existe também poder espiritual, que difere substancialmente de qualquer outro poder e reúne uma porção enorme de valores relacionados com a vida em estreita e permanente comunhão com Deus. Tais valores são: aptidão, autoridade, capacidade, eficácia, energia, entusiasmo, força, influência, meios, possibilidades, recursos e vigor.

No sentido profano, o poder pode depender da posição social, das vantagens pessoais, da capacidade, do dinheiro, da propaganda, da política, do voto, da força, da tirania, da opressão, do suborno. No sentido cristão, a origem do poder é totalmente diversa e tem propósitos também diversos. Só os que se fazem pequenos têm direito ao revestimento do poder de Deus: "O poder se aperfeiçoa na fraqueza" (2 Co 12.9). Enquanto na vida secular o poder em quase todos os casos é exercido em benefício próprio, o poder ou-torgado por Deus é exercido em benefício da expansão do reino de Deus.

O PODER PERTENCE A DEUS

Aqui está o testemunho do salmista Davi: "Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: que o poder pertence a Deus" (Sl 62.12). O mesmo Davi volta a proclamar essa solene verdade na oração feita perante toda a congregação de Israel, pouco antes de morrer: "Tua, Senhor, é a grandeza, o poder, a honra, a vitória e a majestade [...] Teu, Senhor, é o reino, e Tu te exaltaste por chefe sobre todos [...] Na tua mão há força e poder; contigo está o engrandecer e a tudo dar força", (l Cr 29.11, 12.)

Embora a última frase da oração dominical não esteja em todos os textos gregos, os cristãos do mundo inteiro repetem há quase dois mil anos a bela doxologia, que pode ter sido tomada da oração de Davi acima citada: "Teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém." (Mt 6.13.)

É de todo saudável consagrar a declaração de que o poder pertence a Deus. E esse poder é imenso, suficiente para "subordinar a si todas as coisas" (Fp 3.21).

ESPÍRITO SANTO E PODER

Desde o Velho Testamento, o Espírito Santo é o instrumento do poder que promana de Deus. Faraó percebeu que José era um homem possuído pelo Espírito de Deus (Gn 41.39). Bezalel foi cheio do Espírito de Deus para ter habilidade e inteligência para elaborar desenhos e trabalhar na construção do tabernáculo (Êx 31.1-5; 36.1). Os juízes Otniel (Jz 3.10), Gideão (Jz 6.34), Jefté (Jz 11.29) e Sansão (Jz 13.25; 14.6, 19; 15.14) foram homens especialmente capacitados pelo Espírito de Deus para subjugar reinos e tirar força da fraqueza (Hb 11.32-35).

Essa concessão de poder torna-se mais notória e mais universal depois da ascensão de Jesus. Ele mesmo ordenou aos discípulos que não se ausentassem de Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder (Lc 24.49) e acrescentou: "Recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo" (At 1.8). Na oração de Paulo em favor dos efésios, o apóstolo roga a Deus que eles sejam "fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior", isto é, no íntimo (Ef 3.16). Uma vida, pois, que não entristece (Ef 4.30) nem apaga (l Ts 5.19) o Espírito, anda no Espírito (Gl 5.16), semeia para o Espírito, e não para a carne (Gl 6.8), e busca a plenitude do Espírito (Ef 5.18) — será também cheia de poder (At 6.8).

PODER PARA QUÊ?

O poder não é dado para deleite próprio nem para promoção pessoal. Isso precisa ficar bem claro. Simão, o mago de Samaria, assustou os apóstolos Pedro e João quando revelou a sua ignorância sobre a natureza do poder do Espírito Santo, ao oferecer dinheiro para comprar o dom de Deus (At 8.9-24).

Deus nos reveste de seu poder para:

1. Fazer frente ao pecado. O pecado tem uma força tremenda e "o corpo é fraco" (Mt 26.41, BLH). Para não ter uma vida de fracasso, você precisa do auxílio sobrenatural do Espírito. É por meio do poder do Espírito que você vai mortificar os reclamos da sua natureza humana (Rm 8.13).

2. Exercer o ministério para o qual fomos chamados. No caso de Sara, ela recebeu poder para ser mãe, não obstante fosse uma mulher estéril e idosa (Hb 11.11). No caso de Maria, ela recebeu poder para ser a mãe de Jesus, não obstante fosse uma mulher virgem (Lc 1 .35). No caso dos apóstolos e dos setenta, eles receberam poder para expulsar demônios e realizar curas (Lc 9.1; 10.9). No caso de Paulo, ele recebeu poder para levar o evangelho de Jerusalém ao Ilírico (Rm 15.18-21; l Co 2.1-5).

3. Testemunhar a morte e a ressurreição de Jesus "tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra" (At 1.7, 8-, Lc24.49). O derrame espetacular e geral do Espírito Santo no dia de Pentecostes tinha esse propósito. Por essa razão, imediatamente depois da descida do Espírito, a pequena comunidade cristã de Jerusalém passou a falar em outras línguas as grandezas de Deus (At 2.11). Em apenas trinta anos de missões, a igreja primitiva alcançou os mais importantes e populosos centros urbanos do mundo de então e neles se estabeleceu.

DESGASTE E RENOVAÇÃO

A manutenção do compromisso cristão e o exercício continuado de qualquer atividade em favor da expansão do reino de Deus importam em sensíveis desgastes. Em parte porque estamos sempre nadando contra a correnteza (Ef 2.1-3). Em parte porque a seara é enorme e os trabalhadores são poucos (Mt 9.35-38). Em parte porque o sofrimento que nos rodeia é intenso e variado. O desgaste é uma experiência natural e constante, como se pode ver no caso de Paulo: "Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol das vossas almas" (2 Co 12.15). Ou no caso de Davi: "A tristeza tem encurtado a minha vida; as lágrimas têm diminuído a minha existência. Estou fraco por causa das minhas aflições; até mesmo os meus ossos estão se gastando!" (Si 31.10, BLH.) Qualquer ato de amor implica desgaste. O bom samaritano gastou energia, tempo e dinheiro para salvar o semimorto da morte (Lc 10.33-35). As curas operadas por Jesus provocavam nele um desgaste de poder (Lc 6.19). Embora muitos das multidões o apertassem (Lc 8.42), o caso da mulher hemorrágica foi diferente. Por isso Jesus insistiu com Pedro: "Alguém me tocou, porque senti que de mim saiu poder" (Lc 8.46).

Porque há desgaste, a renovação do poder é uma necessidade constante. Daí este conhecido texto bíblico: "Os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos caem, mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam" (40.30,31). Esta renovação de forças não tem nada a ver com a idade cronológica nem com o desgaste físico: "[Ele é] quem farta de bens a tua velhice, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia" (Sl 103.5). É como Paulo escreveu aos coríntios: "Ainda que o nosso corpo vá se gastando, o nosso espírito vai se renovando dia a dia" (2 Co 4.16, BLH).

Pela prática do poder, o crente se abastece outra vez de força no mesmo momento em que despende alguma energia para fazer frente à tentação, ao sofrimento, à renúncia e ao desempenho de suas obrigações de amar a Deus e ao próximo. É extremamente necessário deixar a água entrar novamente todas as vezes que o nível do reservatório começar a baixar. Ele precisa permanecer sempre cheio: "Buscai o Senhor e o seu poder; buscai perpetuamente a sua presença" (Sl 105.4).

Autor: Elben M. L. Cesar

sábado, 13 de novembro de 2010

Esboço para pregação - A VERDADEIRA LIBERDADE

Texto: Êxodo 20.1-17, especialmente vers. 7
Leitura Complementar: Salmo 119.1-12
"Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão"

Os mandamentos de Deus: Eu sou o Senhor teu Deus; não terás outros deuses além de mim fazendo deles nenhuma imagem ou escultura; não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; santificarás o dia de descanso ("sábado" significa descanso); honrarás o teu pai e a tua mãe; não matarás; não adulterarás; não furtarás; não dirás falso testemunho contra teu próximo; não cobiçarás casa, bens ou pessoas relacionadas a teu próximo. Há muitas pessoas que vêem nestes mandamentos uma espécie de prisão, algo como um curral rodeado por uma cerca alta que não permite escape: "Farás aquilo, não farás aquilo!" Não é evidente que os mandamentos querem limitar a liberdade das pessoas, que querem mantê-las na linha, bem comportadas e submissas? Se alguma vez você teve ideias semelhantes, então preciso lhe dizer que esta compreensão dos mandamentos é totalmente errônea. Os mandamentos não são nem prisão, nem curral. Você vê: é muito fácil transgredir os mandamentos. É fácil ignorá-los, fazer de conta que não existem. Deus não colocou os seus filhos em nenhuma prisão. Esta ideia, o diabo deve ter inventado. Na casa de Deus há liberdade. Não a assim chamada liberdade, mas liberdade verdadeira.

Este é o ponto decisivo. O descrente acha que "fora da prisão" dos mandamentos de Deus há liberdade e que "dentro da prisão" há escravidão. Ele não sabe que os mandamentos foram dados para proteger a verdadeira liberdade do homem, para não permitir que ele caísse nas mãos de tiranos que o escravizem e torturem. Veja a história do filho pródigo: este moço achou que a vida na casa paterna era uma espécie de escravidão, e que a liberdade o esperava lá fora. E que aconteceu com ele? Ele caiu nas mãos de aproveitadores, de exploradores, e a sua falsa liberdade o levou a encostar-se em um homem que o mandou guardar porcos, sem lhe dar nem o suficiente para saciar a fome.

Você está lembrado das palavras que antecedem os mandamentos propriamente ditos, na Bíblia? Será bom verificar na própria Escritura Sagrada, da qual o Catecismo de Lutero resumiu os mandamentos que nós temos aprendido: em Êxodo 20.2 diz: "Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão". Então o Deus que nos deu os mandamentos nos tirou da casa da servidão! Que Deus seria este, que tirasse as pessoas da casa da servidão para colocá-las em outra prisão, talvez ainda mais desumana!

Estas palavras, "Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da casa da servidão", são a chave para a compreensão correta de todos os mandamentos. Quem passa por cima deste versículo não poderá nem compreender, nem aceitar nenhum dos mandamentos que se seguem. Ele vai incomodar-se com todos eles. Ele necessariamente se sente aborrecido por todos, desde o primeiro até o décimo. Só quando uma pessoa descobre aquele fato felicitante, Deus é o nosso Senhor, que nos libertou da escravidão de tiranos sem compaixão nem misericórdia, só então ela poderá entender, aceitar e amar os mandamentos.

Você conhece sinaleiras e outros sinais de tráfego. De certo modo, estes sinais limitam a liberdade dos motoristas. Luz vermelha: não avance o sinal! Cuidado, curva perigosa! Não ultrapasse com a faixa amarela contínua! Mas, imagine o que seria o tráfego sem estes sinais! Seria uma confusão medonha, uma liberdade infernal de avançar, de ferir, de matar. Você entende: os sinais dizem: aqui vai a estrada. Esta estrada leva a um destino. Se você quer chegar a este destino, vai querer também seguir a estrada que leva a ele. Vai querer evitar choques e acidentes, não vai querer impedir o progresso de outros viajantes que seguem pela mesma estrada. Quem colocou os sinais, quis proteger a vida e a liberdade de viajar de todos que se acham a caminho. Deus diz: "Honrarás os teus pais, não matarás, não furtarás", porque ele ama você e porque ele quer que você não perca o rumo em sua caminhada rumo à casa paterna. Por isso olhe com fé e confiança para estes sinais de Deus! Se assim o fizer, saberá agradecer-lhe por todos os avisos, por todos os sinais que ele puser ao lado da estrada de sua vida.

Hoje queremos ressaltar um sinal específico. Um sinal que poderá ser de importância decisiva em nossa vida. É o segundo mandamento (para algumas igrejas, que seguem outra contagem, é o terceiro): "Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão". Tomar o nome de Deus em vão: isso tem alguma coisa a ver com nossa oração, com nossa religião, com nossos cultos, com nossa vida cristã. O que é "em vão"? "Vão" significa vazio. É o nada, é a falta de conteúdo. Usar em vão, isso é fazer de conta, aparentar alguma coisa que bem por dentro não se leva a sério. Tomar o nome de Deus em vão é como pronunciar o nome de uma pessoa, e quando esta pessoa nos atender, dizer que não queremos nada dela. Tomar o nome de Deus em vão é orar em vão. É usar as palavras corretas, mas usá-las de forma vã, vazia, porque o coração daquele que ora não participa. Tal oração é um diálogo fictício com Deus. Ele não muda nada na vida daquele que ora. E como um motor que funciona em ponto morto, que não põe o carro em movimento, porque não se acha engrenado em nenhuma marcha. É como uma atafona de milho, cujas mós se movem, mas não sai farinha, porque não há milho para moer.

E não se trata só de usar o nome de Deus impensadamente, como é uso em nossa terra, onde tantos, sem pensar, exclamam: Santo Deus! Meu Senhor! A transgressão do segundo mandamento é coisa muito mais séria. O abuso do nome de Deus, com o correr do tempo, torna a pessoa incapaz de usá-lo como convém, de orar em Espírito e Verdade. A pessoa que se acostumar a usar o nome de Deus em vão, não toma a sério nem a Deus, nem a si mesma. Não se enxerga mais no espelho da palavra de Deus, não é mais honesto consigo mesmo, abafa a sua consciência. Já não vive mais na luz da verdade, com a qual o verdadeiro Deus ilumina a vida de seus filhos. Passa a viver num mundo onde reina a dúvida, a incerteza, a mentira. Deus não terá por inocente aquele que abusar do seu nome. Por ser o Deus da verdade, ele não pode fazer de conta que o abuso de seu nome não seja nada. Não é assim que fulminasse o homem abusador com o raio - o homem que vai ao benzedor, ao macumbeiro, ao médium espírita. Deus não impede o homem de entrar naquele mundo onde se abusa o seu nome, mundo de medo, de desconfiança, de magia, de feitiçaria. Mas ele faz com que a própria transgressão de seu mandamento seja o castigo da transgressão: o homem usou o nome de Deus em vão, usou-o até para amaldiçoar, usou-o como instrumento do ódio. Agora, ele passa a viver em vão, num mundo em que não há comunhão com Deus, em que reinam deuses vãos: despachos, maldição, superstição. Não admira que tantas pessoas que se entregam a formas grosseiras ou refinadas de feitiçaria acabem sofrendo até das faculdades mentais, passem a viver amedrontadas pêlos maus espíritos, pêlos deuses falsos e vãos em que se encostaram. Deus não terá por inocentes os que abusam seu nome.

Mas não pensemos que o abuso do nome de Deus seja somente uma questão de feitiçaria, uma questão de macumbeiros e de benzedores que trabalham com fórmulas secretas, com magias e com despachos. Na própria igreja cristã, no culto dominical, na confissão, nos hinos, nas orações, pode haver abuso do nome de Deus. Na oração pessoal pode haver o mesmo abuso. Sempre que você canta "aleluia" (louvai ao Senhor!) ou diz "amém" (assim seja), poderá estar usando em vão o nome de Deus. O profeta Isaías diz (Isaías 29.13): "Este povo me honra com sua boca e com os seus lábios, mas o coração está longe de mim." Este é o ponto. O coração deve participar da adoração a Deus. O coração deve mover os lábios, as mãos, os pés e tudo. O coração, não como o entendem os poetas, mas o coração como a Bíblia o entende. O lugar onde eu sou eu mesmo, onde é o centro de comando de minha vida, onde minha vontade se forma, onde minhas decisões são tomadas. É o coração vencido e convertido pelo Deus da verdade. Este é o coração capaz de adorar a Deus, sem usar o seu nome em vão.

Jesus chama tal culto em que o coração do homem se entrega a Deus, sem reserva de domínio, de "adoração em Espírito e Verdade" (João 4.23). E é em Jesus que encontramos o segredo deste culto. O nome "Jesus" significa: Deus ajuda, Deus salva. A vida toda de Jesus foi uma única adoração. Foi uma pregação em que não havia nenhum tom falso, nenhuma contradição. Ele honrou o nome de Deus, seguindo o caminho da obediência. Ele viveu o seu nome: "Deus salva". Viveu sua pregação. Sua oração engrenou com sua vida, até sua morte na cruz.

Há pouco nós dissemos que a gente só entende bem os mandamentos se não passar por cima das palavras: "Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirou...da casa da servidão." São justamente estas palavras que em Jesus Cristo se cumpriram. Nós não fomos salvos da escravidão de Faraó, do Egito. Fomos salvos de um tirano muito pior, muito mais poderoso: do mau inimigo, do demônio, que nos quer escravizar, mantendo-nos afastados de Deus. E nós não fomos salvos pelo derramamento de sangue de cordeiros, como os israelitas, quando foram libertados da tirania de Faraó. Deus mostrou que ele é o Senhor, nosso Deus, dando o seu próprio Filho por nós, o cordeiro que carrega os pecados do mundo. Jesus derramou o seu sangue por ti e por mim. A cruz é o mais claro sinal do amor de Deus, à beira da estrada de nossa vida. Este sinal diz: "Eu sou teu Salvador. Eu te amo. Olha para mim, e cumprirás a vontade de Deus".

Se você entender esta mensagem escrita com sangue, se você não ler por cima dela, entenderá o que são os mandamentos, o que é obediência, o que é perdão e reconciliação. Entenderá que todos os mandamentos se cumprem pelo amor, pelo amor de Deus e pelo amor com o qual nós lhe respondemos.


Autor: Lindolfo Weingärtner

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Práticas Devocionais - PRÁTICA DA RESISTÊNCIA

A prática da resistência é a arte de não ceder, não relaxar, não fazer concessões, não se deixar arrastar, não se dobrar, não se render. A resistência é virtude quando é dirigida a qualquer força que tem o propósito claro ou velado de remover o crente do centro da vontade soberana e particular de Deus. Mas é fraqueza e tragédia quando é dirigida aos ditames da consciência, aos impulsos do Espírito ou à instrução da Palavra de Deus (At 7.51).

Na Bíblia, encontramos exemplos de pessoas que foram resistentes. José resistiu à mulher de Potifar (Gn 39.1-23), não obstante a atrevida insistência dela na realização do adultério, não obstante a circunstância extremamente favorável (não havia ninguém em casa), não obstante a idade (entre 16 e 28 anos) e a situação de José (longe de casa e da família).

Elias resistiu aos profetas de Baal (l Rs 18.20-40), não obstante o excessivo número deles (450), não obstante o apoio total e ostensivo que a mulher de Acabe dava a eles (foi Jezabel quem os trouxe de Tiro e era ela quem os sustentava), não obstante a oposição sistemática e violenta que Jezabel movia contra os profetas do Senhor.

Jó resistiu aos seus infortúnios (Jó 1.22; 2.10; 19.25), não obstante a opulência anterior (sete mil ovelhas, três mil camelos, mil bois e quinhentas jumentas), não obstante a descarga impiedosa de desgraças que caiu sobre ele (perda dos bens, perda dos filhos e perda da saúde), não obstante o desânimo atroz da esposa, que lhe dizia: "Amaldiçoa a Deus, e morre" (Jó 2.9).

Neemias resistiu aos seus adversários (Ne 4.1-23), não obstante a pregação demolidora de Sambalá e Tobias, não obstante as ameaças de luta armada que os inimigos lhe faziam, não obstante a dificuldade e morosidade da obra empreendida (a reconstrução dos muros de Jerusalém e a recuperação do culto).

Daniel resistiu ao decreto do rei da Pérsia e não deixou de orar a Deus (Dn 6.1-28), não obstante a irrevogabilidade das leis dos medos e dos persas, não obstante o seu alto cargo no governo de Dario (um dos três presidentes dos 120 sátrapas do império), não obstante a pavorosa sentença de morte (cova de leões) a que estava sujeito se não obedecesse a ordem do rei.

Jesus resistiu ao diabo (Mt 4.1-11) e a Pedro (Mt 16.22-23), não obstante a fome gerada por um jejum de quarenta dias, não obstante a ousadia de Satanás ("Tudo isto de darei se, prostrado, me adorares"), não obstante a sutileza das tentações.

Paulo resistiu a Pedro (Gl 2.11), não obstante a posição de Pedro na liderança inicial da igreja, não obstante ser mais novo na fé do que Pedro, não obstante a pressão que estava por trás de Pedro.

EXEMPLOS DE NÃO-RESISTÊNCIA

A mulher não resistiu à serpente e o pecado entrou no mundo (Gn 3.1-7). Com o pecado, veio a morte (Rm 5.12). Davi não resistiu à concupiscência dos olhos e cometeu adultério (2 Sm 11.1-4.). Com o adultério, um abismo chamou outro abismo (Sl 42.7).

Salomão não resistiu aos clamores de suas mulheres estrangeiras e cometeu idolatria (l Rs 11.1-8). Com a idolatria, veio a desintegração do reino (IRs 11.11).

O jovem carente de juízo de que fala Salomão não resistiu à mulher adúltera e com ela prevaricou (Pv 7.6-27). Com a prevaricação, o rapaz tornou-se como o boi que vai para o matadouro ou o cervo que corre para a rede.

Judas não resistiu ao diabo e traiu o Senhor (Lc 22.3-6). Com a traição, veio o suicídio e outro tomou o seu encargo (At 1.15-26).

Demas não resistiu à atração mundana e abandonou a companhia de Paulo (2 Tm 4.10). Com o abandono, certamente naufragou na fé (l Tm 1.19).

A igreja em Tiatira não resistiu à influência de Jezabel e se contaminou com as suas prostituições (Ap 2.19-20). Com a contaminação, deixou de ser uma igreja irrepreensível como a igreja em Filadélfia.

O CAMPO DA RESISTÊNCIA

A resistência deve ser dirigida a qualquer tipo de pressão contrária à vontade de Deus, desde a mera sugestão (o fogo mais brando) até a tentação absurda (o fogo mais alto).

A mera sugestão é aquela tentação formulada não por pessoas do mundo nem por anjos caídos, mas por parentes, amigos e irmãos na fé, com as melhores intenções possíveis e dentro de uma lógica aparentemente aceitável. É a tentação a que Davi foi submetido, quando seus amigos lhe disseram com certeza que o Senhor lhe tinha entregado Saul para ser morto por ele (l Sm 24.1-22). É também a tentação a que foi submetido o próprio Jesus, quando Pedro lhe disse para ter compaixão de si mesmo e evitar o sofrimento e a morte em Jerusalém (Mt 16.21-23).

A tentação absurda é aquela tentação ousada, arrogante, mais descabida do que qualquer outra. É a tentação a que Jesus foi submetido por Satanás quando ele o levou a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles, e lhe disse: "Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares" (Mt 4.9). É a tentação daquele homem casto que sentiu tremenda vontade de ir a um prostíbulo na véspera de seu casamento com uma mulher amada e bonita.

A tentação comum é aquela tentação de todo dia, situada entre a mera sugestão e a tentação absurda. É preciso oferecer resistência à incredulidade, ao egoísmo, à impaciência, ao comodismo, à vaidade, ao desânimo, à tristeza, ao ódio, à vingança, ao medo, à ansiedade, ao falso testemunho, à lascívia, ao tédio, à preguiça, e assim por diante.

O VOLUME DA RESISTÊNCIA

A resistência tem de ir até as últimas consequências, no esforço e no tempo. Não pode parar no meio do caminho, não pode sofrer interrupções, não pode ser abandonada. A demora da consumação de todas as coisas não deve enfraquecer ou interromper a prática da resistência, como aconteceu com o servo irresponsável da parábola de Jesus (Lc 12.45-46).

1. É preciso resistir "até setenta vezes sete" (Mt 18.22).

2. É preciso resistir até terminar a obra iniciada: "Assim se executou toda a obra de Salomão, desde o dia da fundação da casa do Senhor, até se acabar" (2 Cr 8.16).

3. É preciso resistir até o fim: "Aquele, porém, que preservar até o fim, esse será salvo" (Mt 24.13).

4. É preciso resistir até ao sangue: "Ora, vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue" (Hb 12.4).

5. É preciso resistir até à morte: "Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida" (Ap 2.10).

6. É preciso resistir até a vinda do Senhor: "Sede, pois, irmãos, pacientes, até a vinda do Senhor" (Tg 5.7).

A RESISTÊNCIA NO DIA MAU

Por questões orgânicas, por questões climáticas, por questões geográficas, por questões históricas, por questões sentimentais, por questões sociológicas, por questões religiosas e outras, o tempo não é uma eterna mesmice, como lembra a Bíblia (Ec 3.1-8).

No calendário de qualquer pessoa pode surgir, de repente, o desagradável dia mau de que fala Paulo: "Tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis" (Ef 1.3).

Esse dia mau é o dia da tentação, o dia da provação, o dia do cerco, o dia do aperto, o dia da investida satânica, o dia da tempestade, o dia da crise, o dia da frustração, o dia da depressão, o dia da dor, o dia da doença, o dia da morte, o dia da tragédia. Mas é um dia que chega e também passa. Especialmente nesse dia a capacidade da resistência precisa estar em forma, revestida de redobrada força. Daí a associação que Paulo faz do dia mau com a armadura de Deus.

De posse dessa armadura espiritual, qualquer membro do corpo de Cristo pode resistir no dia mau e dele sair são e salvo. As peças principais dessa armadura incluem o escudo da fé, o capacete da salvação e a espada do Espírito. Com o auxílio e bom uso da chamada armadura de Deus, é perfeitamente possível obter vitória no dia mau, mesmo que seja um embate envolvendo os principados, as autoridades e os dominadores deste mundo tenebroso.

Os recursos da resistência podem ser achados também na plena confiança em Deus (Sl 23.1), no exercício da piedade pessoal (l Tm 4.7-8), na prática da humildade cristã (2 Co 12.10), no poder do Espírito (At 1.8 e Rm 8.13) e na inaudita certeza de que Deus é fiel e não permitirá que sejamos tentados além das nossas forças (l Co 10.13).


Autor: Elben M. L. Cesar

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Práticas Devocionais - PRÁTICA DA OUSADIA

A prática da ousadia é a arte de portar-se corajosamente diante das obrigações, oportunidades e desafios da vida cristã e do ministério decorrente da vocação celestial, em função do poder de Deus e dos recursos que Ele coloca à disposição de todos que o cercam e de todos que o servem. O exercício da ousadia não prejudica o exercício da humildade, nem este prejudica aquele. Uma virtude não ofusca nem danifica a outra virtude. Ousadia não é esbravejar, ameaçar, bazofiar, autopromover-se, prometer mundos e fundos, mas simplesmente dar conta do recado com permanente disposição, plena confiança em Deus e com o devido acompanhamento da modéstia cristã.

Não é pequeno o número de tímidos. Por causa da timidez, o homem não faz tudo que poderia fazer, não alcança todas as vitórias que poderia alcançar. Fica parado, sonhando sempre, desejando sempre, planejando sempre, tendo sempre as mesmas boas intenções. Com o preguiçoso acontece o mesmo. Mas o mal de muitos não é exatamente a preguiça, e sim o receio, o medo, a vergonha, o acobardamento. Todavia, a timidez favorece a preguiça e a preguiça favorece a timidez.

A Bíblia trata a timidez com rigor. Entre os judeus, o soldado "medroso e de coração tímido" deveria voltar para casa: além de inapto, ele poderia contagiar os outros com a sua timidez (Dt 20.8). Jesus fez uma pergunta muito séria aos discípulos por ocasião da travessia do mar de Genezaré: "Por que sois assim tímidos?" (Mc 4.40.) O medroso precisa descobrir as razões de sua timidez e livrar-se dela.

CORAGEM!

A ordem "Sê forte e corajoso" é muito insistente nas Escrituras. Foi dirigida ao povo de Israel em ocasiões de pe¬rigo e desafio, na época de Moisés (Dt 31.6), Josué (Js 10.25) e Ezequias (2 Cr 32.7). Foi dirigida a Josué, o sucessor de Moisés, seguidas vezes (Dt31.7, 23; Js 1.6, 7, 9, 18). Mais de quinhentos anos depois, Davi achou por bem repetir as mesmas palavras a Salomão, seu filho e herdeiro do trono (l Cr 22.13; 28.10). Jesus usava com frequência uma expressão semelhante ("Tem bom ânimo"), que a Bíblia na Lingua¬gem de Hoje reduz para uma só palavra: "Coragem!" O Senhor deu esse conselho ao paralítico de Cafarnaum (Mt 9.2), à mulher hemorrágica (Mt 9.22), aos discípulos (Mt 14.27), ao cego de Jericó (Mc 10.49) e mais uma vez aos discípulos: "No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo" (Jo 16.33). À tripulação e aos passageiros do barco seriamente ameaçado de naufrágio nas proximidades da ilha de Malta, no Mediterrâneo, Paulo aconselhou com insistência: "Senhores, tende bom ânimo; pois eu confio em Deus" (At 27.22, 25). O próprio Paulo, antes dessa viagem a Roma na qualidade de prisioneiro, ouviu a oportuna advertência de Jesus Cristo: "Coragem! pois do modo porque deste testemunho a meu respeito em Jerusalém, assim importa que também o faças em Roma" (At 23.11).

OUSADIA PARA QUÊ?

Precisamos de ousadia para entrar com naturalidade no Santo dos Santos, como diz as Escrituras (Hb 10.19), certos de que Deus nos recebe e nos atende em Cristo.

Precisamos de ousadia para sair da rotina e fazer proezas: "Em Deus faremos proezas" (Si 60.12). A ousadia espiritual pode conduzir-nos à experiência de Paulo: "Tudo posso naquele que me fortalece" (Fp 4.13).

Precisamos de ousadia para seguir os caminhos do Senhor, indo contra a opinião pública, contrariando o sistema, nadando contra "o curso deste mundo" (Ef 2.2), não nos conformando com este século (Rm 12.2). Esses alvos são profundamente difíceis e exigem séria e constante intrepidez. Vejamos a experiência de Josafá: "Tornou-se-lhe ousado o coração em seguir os caminhos do Senhor" (2 Cr 17.6).

Precisamos de ousadia para confiar em Deus, ainda que andemos pelo vale da sombra da morte (Si 23.4), "ainda que a terra se transtorne, e os montes se abalem no seio dos mares" (Sl 46.2), e ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide (He 3.17-19). Apesar de maltratados e ultrajados em Filipos, Paulo e Silas tiveram ousada confiança em Deus para anunciar o evangelho aos tessalonicenses, "em meio de muita luta" (l Ts 2,2).

Precisamos de ousadia para tornar conhecido o evangelho do reino, para anunciar a Palavra de Deus, para ensinar, para falar, para pregar a um mundo incrédulo, corrompido, desinteressado, cego e zombador, como aconteceu com os apóstolos: "Todos ficaram cheios do Espírito Santo, e, com intrepidez, anunciavam a Palavra de Deus" (At 4.31; 9.27, 28; 13.46; 14.3; 18.26; 19.8; e 28.30, 31). Só com muita ousadia é possível alargar, alongar e firmar bem as estacas, transbor¬dando para a direita e para a esquerda, não importa sejamos fracos e poucos (Is 54.1-3).

Precisamos de ousadia para enfrentar o sofrimento, para não deixar de seguir para Jerusalém, para beber o cálice do sacrifício, para passar pela prova de escárnios e açoites, de algemas e prisões, de tortura e morte, e para, se necessário for, ser serrados pelo meio (Hb 11.35-38). Está registrado na Bíblia que, quando estava para ser morto, Jesus "manifestou no semblante a intrépida resolução de ir para Jerusalém" (Lc 9.51).

AS BASES DA OUSADIA

1. Jesus
Por meio de Cristo Jesus, nosso Senhor, "temos ousadia e acesso com confiança, mediante a fé nele" (Ef 3.12). Porque Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus, porque Ele é o supremo sacerdote, porque Ele subiu aos céus e está à direita de Deus, porque Ele é capaz de condoer-se das nossas fraquezas, porque Ele é o Autor e Consumador da fé e porque Ele, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz — somos tomados de grande ousadia para ir até o trono de Deus e lá permanecer "para recebermos a sua mi¬sericórdia e acharmos a sua graça para nos ajudar em nossos tempos de necessidade" (Hb 4.14-16; 12.1-3, BV).

2. A esperança
A esperança da glória vindoura nos faz andar altaneiramente (He 3.19), corno filhos do Rei, como irmãos do próprio Jesus, como herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo (Rm 8.17). A esperança em si já é ousadia (Hb 3.6). Paulo explica: "Já que sabemos que esta glória nunca acabará, podemos pregar com grande ousadia" (2 Co 3.12, BV).

3. A oração
Dificilmente alguém se levanta tímido depois de orar fervorosamente: "Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo, e, com intrepidez, anunciavam a Palavra de Deus" (At 4.31). O apóstolo solicitava as orações da igreja em seu favor, para ele fazer conhecido o mistério do Evangelho com intrepidez (Ef 6.19).

4. A comunhão com Deus
O Sinédrio reconheceu que a convivência de Pedro e João com Jesus lhes dera intrepidez (At 4.13). Os que se demoram na presença do Senhor e nele permanecem têm possi-bilidades imensas (Jo 15-5). Adquirem, entre outras virtudes, a necessária coragem para enfrentar a oposição com sabedoria e vitória.

5. Os sucessos acumulados, a experiência obtida
Foi isso que o imberbe Davi explicou ao rei Saul "O Senhor me livrou das garras do leão, e das do urso; Ele me livrará da mão deste filisteu" (l Sm 17.37). Paulo lembra que "os que desempenharem bem o diaconato alcançam para si mesmos justa preeminência e muita intrepidez na fé em Cristo Jesus" (l Tm 3.13).

6. O estímulo alheio
Veja-se a citação de Paulo: "A maioria dos irmãos, estimulados no Senhor por minhas algemas, ousam falar com mais assombro a Palavra de Deus" (Fp 1.14). Assim como o soldado tímido gera timidez, o soldado corajoso gera bravura. A ousadia é tão contagiante quanto o medo.

OUSADIA PECAMINOSA

Nem toda ousadia é virtude. Existe a ousadia pecaminosa. O ímpio também pode ser ousado. Paulo se queixa de alguns falsos irmãos "que fazem ousadas asseverações" (l Tm 1.7). O israelita que trouxe para dentro do arraial, "perante os olhos de Moisés e de toda a congregação", a mulher midianita para se deitar com ela no interior da tenda (Nm 25.6-15), foi de uma ousadia enorme. Judas foi muito ousado ao censurar Maria por motivos interesseiros (Jo 12.4-6) e mais ainda ao procurar o sumo sacerdote para ver quanto receberia se lhe entregasse Jesus (Mt 26.14-16). Aquele que é naturalmente ousado precisa tomar cuidado com a sua ousadia. Ela pode ser uma bênção, se for usada corretamente, e uma tremenda desgraça, se for usada em função do pecado. Ao mandar buscar a mulher de Urias para se deitar com ela, Davi foi muito ousado (2 Sm 11.3. 4). Mas essa ousadia foi negativa e lhe trouxe seriíssimos problemas.


Autor: Elben M. L. Cesar

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