sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Teologia Sistemática - O ESPÍRITO SANTO

"Há muita confusão e erro correntes neste dia a respeito da personalidade, operações e manifestações do Espírito Santo. Eruditos conscientes mas extraviados têm sustentado idéias errôneas sobre esta doutrina. É vital a fé de todo cristão que o ensino escriturístico dela seja visto na sua verdadeira luz e sustentada nas suas corretas proporções" (Bancroft, Elemental Theology).

I. A PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO

"Ao atribuir personalidade ao Espírito pensamos que Ele não é uma energia impessoal, uma abstração, uma influencia, ou emanação. Ele é uma inteligência auto-cônscia, autodeterminada, voluntária, sensiente. Pode-se dizer que a personalidade existe onde se encontrem unidas numa combinação singular inteligência, emoção a volição, ou senso comum e autodeterminação" (Bancroft, Elemental Theology).

Que o Espírito é uma pessoa, está provado:

1. A MENÇÃO DELE JUNTAMENTE COM OUTROS MEMBROS DA TRINDADE.
Mateus 28:19; 2 Coríntios 13:14

2. SUA ASSOCIAÇÃO COM OUTRAS PESSOAS EM PARENTESCO PESSOAL.
Atos 15:28

3. A ATRIBUIÇÃO A ELE DE EMOÇÃO E VOLIÇÃO.
1 Coríntios 12:11; Efésios 4:30

4. ATRIBUIÇÃO A ELE DE ATOS PESSOAIS.

(1) Ele sonda as coisas profundas de Deus.
1 Coríntios 2:10

(2) Ele fala.
Mat 10:20; Atos 10:19,20; 13:2; Apocalipse 2:7. Vide também passagens sob a inspiração em que se diz que o Espírito falou pelos profetas e outros escritores da Escritura.

(3) Ele ensina.
Lucas 12:12; João 14:26; 1 Coríntios 2:13

(4) Ele conduz e guia.
João 16:13; Romanos 8:14

(5) Ele intercede.
Romanos 8:26

(6) Ele dispensa dons.
1 Coríntios 12:7-11

(7) Ele chama homens para o serviço.
Atos 13:2; 20:28

5. A REPRESENTAÇÃO DELE COMO SENDO AFETADO COMO UMA PESSOA PELOS ATOS DE OUTREM.

(1) Ele pode ser rebelado contra, incomodado e entristecido.
Isaías 63:10; Efésios 4:30

(2) Ele pode ser blasfemado.
Mateus 12:31

(3) Ele pode ser mentido (enganado).
Atos 5:3

6. O USO DO PRONOME MASCULINO EM REFERENCIA A ELE.

Em João 16:13, só o pronome masculino se aplica ao Espírito sete vezes. É isto muito significativo desde que a palavra grega correspondente a "espírito" (pneuma) é neutra. Vemos assim que a idéia da personalidade do Espírito é tão forte que na passagem supra ela tem precedência sobre a ordem gramatical. Em Romanos 8:16,26, numa construção mais próxima, prevalece a ordem gramatical, mas isto não anula a significação de na outra passagem arredar-se a ordem gramatical.

7. A APLICAÇÃO DO NOME MASCULINO "PARAKLETOS" AO ESPÍRITO.

"O nome "parakletos"... não pode ... ser traduzido por "conforto", ou ser tomado como nome de qualquer influencia abstrata. O Confortador, Instrutor, Protetor, Guia, Advogado, que este termo traz perante nós, deve ser uma pessoa" (Strong, Systematic Theology).

"Parakletos" é a palavra grega para "Consolador" em João 14:26; 15:26; 16:7.

II. A RELAÇÃO DE PENTECOSTES COM O ESPÍRITO SANTO

1. ESPÍRITO SANTO JÁ EXISTIA ANTES DO PENTECOSTES.
Gênesis 1:2; Neemias 9:20; Salmos 51:11; Isaías 63:10; 2 Pedro 1:21. Temos visto que o Espírito Santo, como um membro da Trindade, é co-eterno com o Pai.

2. ELE TEVE ACESSO À TERRA E OPEROU NO HOMEM ANTES DO PENTECOSTES.
Vide todas as passagens imediatamente antes que seguem a primeira passagem.

3. ELE VEIO NO DIA DE PENTECOSTES NUMA CAPACIDADE ESPECIAL.
Isto explica os significados da promessa de Cristo de mandar o Espírito. Esta capacidade especial foi:

(1) Talvez como o antítipo da Shequína.
Números 9:15-22; 2 Crônicas 7:1-3. A Shequína, no caso de tabernáculo, foi para liderança e, no caso do templo foi um símbolo de propriedade e possessão. A vinda do Espírito Santo no Pentecostes significou ambas as coisas à igreja.

(2) Em cumprimento de profecia e promessa.
Joel 2:28; Mateus 3:11. Não sustentamos, todavia, que o dia de Pentecostes marcou o cumprimento completo e ultimado da profecia de Joel. Este dia viu somente um cumprimento parcial e espiritual dessa profecia. Efetivamente, as palavras de Pedro precisam ser entendidas como significando não mais além que a coisa ora testemunhada nesse dia era a mesma em espécie como aquela da qual Joel predissera. O cumprimento literal, ultimado e completo de Joel 2:28-32 virá com a conversão da nação judaica na segunda vinda de Cristo. Vide Zacarias 12:9-11; 13:8,9; Romanos 11:26.

(3) Autorizar a igreja.
Atos 1:4,8

(4) Como o consolador residente e mestre dos crentes.
João 14:16,17; 1 João 2:20,27. Antes do Pentecostes, como indicado supra, o Espírito Santo teve acesso à terra, mas Ele veio e foi; não morou nos crentes constantemente. Durante a dispensação do Velho Testamento o Espírito Santo veio até mesmo sobre ímpios, tais como Balaão e o rei Saul. E Ele inspirou os escritores da Escritura. Também regenerou homens; mas uma união inseparável entre a alma do crente e o Espírito Santo não se formou então como acontece agora sob a presente dispensação. É a esta união indissolúvel entre a alma do crente e o Espírito Santo que o escritor aos Hebreus se refere quando ele fala de escrever a Lei de Deus no coração do crente. Vide Hebreus 8:10. O fato de o Espírito Santo não morar constante e inseparavelmente nos crentes antes do Pentecostes explica porque Davi orou: "Não tires o Teu Espírito Santo de mim" (Salmos 51:11). O pecado podia então afugentá-lo do peito, porquanto o Seu presente era transiente. Mas, não assim agora, como mais tarde veremos mais claramente; e essa oração é totalmente inadequada ao crente nesta dispensação.

(5) Para convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo.
João 16:8-11. Sustentamos esta passagem como se referindo primariamente a uma obra indireta do Espírito, porque a diferença entre a obra direta e indireta do Espírito é para se ver mais tarde sob o exame do Seu trabalho nos perdidos.

4. SUA VINDA NO PENTECOSTES FOI DISPENSACIONAL E FINAL.

Não há absolutamente nada que justifique a crença que o Pentecostes é para repetir-se na experiência de cada crente. Ele veio em cumprimento de profecia e promessa definitas e particulares, marcou o princípio de uma dispensação especial do Espírito. O pentecostalismo é disparate dos mais absurdos. Podia alguém com a mesma razão falar de uma repetição da ressurreição e ascensão de Cristo como de uma repetição do Pentecostes, que nunca se repetiu e nunca se repetirá. A ocorrência na casa de Cornélio foi meramente suplementada ao Pentecostes (Atos 10:44-47) e aconteceu para que Pedro pudesse saber que os crentes gentios foram recebidos por Deus no mesmo nível como os crentes judeus.

5. DESDE O PENTECOSTES O ESPÍRITO SANTO ENTRA EM TODO O CRENTE NA CONVERSÃO E JAMAIS PARTE.

João 7:38,39; Atos 10:1; Romanos 8:9; Gálatas 3:2; 4:6; Efésios 1:13; 4:30; Judas 19. É loucura o crente orar pelo Espírito Santo, ainda que possa orar pelo Seu poder e plenitude. Tão pouco precisa o crente orar para que Deus não lhe tire o Espírito Santo; porque, ainda que o crente possa entristecer e apagar o Espírito (1 Tessalonicenses 5:19) – recusar Seus impulsos, o crente, não obstante, está permanentemente selado pela presença do Espírito (Efésios 1:13; 4:30).

6. O CRENTE, PORTANTO, NÃO DEVERÁ BUSCAR NEM A PRESENÇA NEM O BATISMO DO ESPÍRITO, MAS SUA PLENITUDE.

Efésios 5:18. Mostramos que cada crente tem o Espírito. Agora só resta ser observado que não há na Escritura garantia para afirmar-se um batismo do Espírito hoje tanto na regeneração como depois dela. A Escritura está calada sobre a noção de um batismo do Espírito para este tempo. A passagem costumeiramente referida para substanciar um batismo do Espírito na regeneração refere-se ao batismo na água. Vide seu exame sob batismo na água.

O crente tem tudo do Espírito Santo, mas o Espírito comumente não tem tudo do crente. Sua presença é expansiva: Ele enche tanto do crente do que estiver vazio de egoísmo e pecado. Assim, a exortação para encher-se do Espírito é uma exortação de completa rendição a Ele. Quanto mais Ele nos enche, maior será a manifestação do Seu poder em nossas vidas (Atos 6:3-5; 11:24).

III. A OBRA DO ESPÍRITO SANTO

1. SUA OBRA EM GERAL.

(1) Ele foi o agente de Deus na criação.
Gênesis 1:2

(2) Ele inspirou os escritores da Escritura.
2 Pedro 1:21. Vide outras passagens sob a discussão da inspiração verbal.

(3) Ele é, em geral, o agente de Deus em todas as obras de Deus.
Jó 33:4; Salmos 104:29,30; Isaías 40:7; Lucas 1:35; Atos 10:38.

2. SUA OBRA NOS PERDIDOS.

(1) Sua obra indireta nos perdidos.
Por obra indireta do Espírito nos perdidos queremos dizer tal obra como a que Ele executa mediatamente através da Palavra e não imediatamente por impacto pessoal sobre a alma. Qualquer obra produzida pela Palavra é uma obra do Espírito, porquanto Ele é o autor da Palavra. Está isto provado em Atos 7:51,52, onde resistência à palavra falada pelos profetas é dita como resistindo ao Espírito Santo.

Na obra indireta do Espírito nos perdidos Ele:

A. Luta com Eles.
Gênesis 6:3. Esta luta se faz por meio de homens, tais como Enoque e Noé, na pregação da Palavra.

B. Ele os convence do pecado, da justiça e do juízo.
João 16:8-11. A presença e as operações do Espírito no mundo, como um que veio tomar o lugar e levar adiante a obra de um rejeitado e crucificado Cristo, constitui um convencimento potencial do pecado. Tivesse Cristo sido um impostor, Sua promessa do Espírito não se teria cumprido. É como se a alma (espírito) de um homem voltasse a rondar seus assassinos e prosseguir a obra que eles tão vãmente tentaram acabar. Tal tenderia a convencer os assassinos de sua culpa e testemunhar da justiça do homem que mataram. Assim é com o Espírito Santo: O Espírito de Cristo (Romanos 8:9; Gálatas 4:6). E assim é que o Espírito Santo dá prova da justiça de Cristo, por manifestar que Ele foi para o Pai e por manifestar que Ele assim se vê ter triunfado sobre Satanás, o qual buscou por todos os meios impedir o propósito de Deus por meio de Cristo. Por este meio Ele convence os homens do pecado de rejeitarem a Cristo e da certeza do juízo a todos que permanecem ligados ao Diabo, porque Satanás já está julgado (João 12:31). "Este juízo de Satanás foi alcançado na Cruz e Satanás foi feito potencialmente impotente" (Bancroft).

Note-se que o Espírito Santo, na Sua obra de convencer ou convicção, "convicta, não primariamente do pecado de transgressão, mas do pecado de incredulidade, ‘do pecado, porque não crêem em mim’. Atos 2:36-37. Como todo pecado tem sua raiz na incredulidade, assim a forma mais agravada de incredulidade é a rejeição de Cristo. O Espírito, contudo, ao prender esta verdade sobre a consciência, não extingue, mas, pelo contrário, consuma e intensifica o senso de todos os demais pecados." (Bancroft, Elemental Theology).

Chamamos especial atenção para esta última sentença acima. Muitos entenderiam que a incredulidade é o único pecado danoso. Muitos mesmo diriam que isto é tudo por que os homens sofrerão no inferno. Semelhante noção está abundantemente contraditada pela Bíblia. Vide Romanos 2:5,6; 7:7-11; Gálatas 3:10,24; 1 João 3:4; Apocalipse 20:12. O Espírito não convence meramente do pecado de incredulidade, mas do pecado por causa da incredulidade. Isto é, Ele mostra aos homens sua condição pecaminosa por fazê-los ver que estão rejeitando ao Cristo de Deus, mostrando assim rebelião contra Deus. A incredulidade é o principal sintoma da doença do pecado, cuja essência é a anarquia.

A obra indireta do Espírito não só pode ser resistida, mas é resistida constantemente pelos pecadores. Os pecadores nada mais fazem que resistir ao Espírito até que o Espírito, por impacto direto e pessoal sobre a alma, vivifica o pecador cadáver á vista. Isto, como já indicado, explica Atos 7:51,52.

(2). Sua obra direta nos perdidos.
Referimo-nos aqui à regeneração. A regeneração é instantânea. Não pode ser doutra maneira, por não ser possível um homem estar em parte vivo e em parte morto sob um ponto de vista espiritual. É por essa razão que colocamos a convicção antes da regeneração. Os pecadores evidenciam vários graus de convicção através de períodos de extensão variável. É só no momento de regeneração, sem duvida, que a convicção alcança a intensidade mais elevada. A obra indireta do Espírito na convicção é trazida a cumprimento instantâneo no momento em que a alma cadáver é vivificada à vida. Mas a convicção existe antes da vivificação. Vide Paulo na sua experiência, Atos 26:14. Vide também e compare Atos 2:37. Notai que na parábola dos ossos secos no vale (Ezequiel 37:1-10) houve um efeito produzido pela pregação antes de Espírito (simbolizado pelo fôlego) vir sobre eles. Isto ilustra a obra indireta do Espírito na convicção antes da vivificação.

A obra direta do Espírito na regeneração é irresistível. Não quer isto dizer que o Espírito viole a vontade: Ele simplesmente opera posto-vontade. A regeneração tem lugar na "região da alma sob senso comum" (Strong). É o meio pelo qual nossas vontades se conformam à de Deus rigorosamente segundo as leis da vontade e sua ação. Vide o capítulo sobre a livre agencia do homem. A regeneração é irresistível porque é uma obra de Deus e não depende da vontade de homens (João 1:12,13). É na regeneração que Deus habilita os homens a virem a Cristo (João 6:65). É assim que ele entrega os seus eleitos a Cristo (João 6:37). A regeneração é a atração a que se refere em João 6:44,45, na sua consumação. O homem nada pode fazer agradável a Deus enquanto estiver espiritualmente morto, estando na carne (Romanos 8:7,8). Mas, quando vivificado à vida, ele está certo de agir em harmonia geral com a vontade de Deus (1 João 5:4; 3:9). Assim a regeneração é necessariamente irresistível.

3. SUA OBRA NOS SALVOS.
Já vimos que o Espírito habita em todo o crente. Esta moradia é para a realização de uma obra nos crentes. A obra consiste de:

(1) Dar garantia de salvação.
Romanos 8:16; 2 Coríntios 1:22; Efésios 1:14. O Espírito não só testemunha aos crentes da filiação atual, mas da garantia de salvação final. É neste ultimo sentido que a obra do Espírito é um "penhor", que quer dizer "hipoteca, uma parte do preço de compra adiantada como garantia de que a transação será completada". A presença do Espírito em nossos corações proporciona-nos uma prelibação do céu e é uma garantia de recebermos a herança "incorruptível e impoluta, que não fenece, reservada no céu" para nos "que somos guardados pelo poder de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no ultimo tempo" (1 Pedro 1:4,5).

(2) Confortando, ensinando e iluminando.
João 16:7; 1 Coríntios 2:9-12; Efésios 1:17; 1 João 2:20,27.

(3) Liderando em obediência e serviço.
Romanos 8:14; Gálatas 5:16; Atos 8:27,28.

(4) Chamando para serviço especial.
Atos 13:2,4. "O Espírito Santo não só dirige o teor geral da vida cristã, mas chama homens para trabalhos especiais, tais como missões, o ministério, ensino, etc."

"Esta passagem não nos conta como o Espírito chama homens, presumivelmente porque Ele não chama sempre homens do mesmo modo. Cabe-nos a nós estarmos prontos a ser chamado, desejá-lo e então esperar que o Espírito Santo nos chame. Ele não chama a todos para o trabalho missionário estrangeiro, ainda que todo cristão devera estar pronto a responder a esse chamado. Ele chama, contudo, todo cristão para algum campo de serviço e o conduzirá, se ceder, a esse campo especifico" (Bancroft).

(5) Distribuindo dons espirituais.
1 Coríntios 12:4-11. Notai que "a manifestação do Espírito é dada a todo o homem (Isto é, todo o homem salvo) para o que for útil" (1 Coríntios 12:7). Nenhum homem salvo pode dizer verdadeiramente, portanto, que está falto de habilidade espiritual no serviço do Senhor.

(6) Fortificando no serviço.
Atos 1:8; 1 Coríntios 2:4; 1 Tessalonicenses 1:5.

(7) Fazendo frutífero.
Gálatas 5:22-25.

(8) Ditando oração e intercedendo.
Romanos 8:26,27; Gálatas 4:6.

(9) Movendo a adorar.
Filipenses 3:3. Foi dito: "Em nossas orações somos tomados com as nossas necessidades, em nossas ações de graça somos tomados com as nossas bênçãos, mas em nossa adoração somos tomados com Deus mesmo".

(10) Finalmente, vivificando o corpo do crente.
Romanos 8:11-23.

Autor: Thomas Paul Simmons, D.Th.
Digitalização: Daniela Cristina Caetano Pereira dos Santos, 2004
Revisão: Charity D. Gardner e Calvin G Gardner, 05/04
Fonte: www.obreiroaprovado.com

Teologia Sistemática - O SENHOR JESUS CRISTO

Estudamos Deus o Pai e a doutrina da Trindade. Fica-nos agora estudar os outros dois membros da Trindade. Neste capítulo nosso estudo é para ser devotado ao Senhor Jesus Cristo, Deus o Filho.

I. SUA PREEXISTENCIA E ETERNIDADE

A preexistência de Cristo significa Sua existência antes da encarnação. A Escritura o ensina muito claramente. Mas, mais que isso, ela ensina também que Ele existiu desde toda a eternidade. Em nosso estudo da Trindade notamos que as distinções na Divindade são eternas. As seguintes passagens estabelecem claramente a preexistência e eternidade de Deus o Filho:

"No principio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (João 1:1).

"Eu desci do céu" (João 6:38).

"E agora, Pai, glorifica Tu a mim, tu mesmo, com a glória que eu tive contigo antes que o mundo existisse" (João 17:5).

II. SUA INCARNAÇÃO

Este mesmo Filho preexistente e eterno fez-se carne, tomou sobre Si um corpo humano, habitou entre os homens e finalmente se deu como sacrifício pelos pecadores.

Notemos:

1. O FATO DA INCARNAÇÃO.

"E o Verbo se fez carne" (João 1:14).

"O qual... esvaziou-se, tomando a forma de servo, fazendo-se igual aos homens" (Filipenses 2:6,7).

"Ele disse... um corpo preparaste para mim." (Hebreus 10:5).

2. A NECESIDADE DA INCARNAÇÃO.

(1) Foi preciso que Ele aturasse o sofrimento corporal se era para Ele sofrer como substituto do homem.

O sofrimento final dos pecadores no inferno será um sofrimento tanto do corpo como da alma (Mateus 10:28). Logo, desde que foi para Jesus sofrer em lugar dos pecadores, necessário foi que Ele tivesse um corpo no qual sofresse.

(2) Foi preciso que Ele tivesse um corpo para que pudesse "em tudo ser tentado como nós somos", de maneira que, como sumo sacerdote, pudesse compadecer-se de nossas fraquezas" (Hebreus 4:15).

O anjo Gabriel não pôde simpatizar conosco quando somos tentados, porque ele nunca conheceu tentação na carne. Mas Cristo pode. "Naquilo que Ele mesmo sofreu sendo tentado, pode socorrer aos que são tentados" (Hebreus 2:18).

(3) Foi preciso que Ele tivesse provação na carne e rendesse perfeita obediência à Lei para que houvesse operado uma justiça que pudesse ser-nos imputada.

A justiça a nós imputada pela fé não é justiça como atributo pessoal atribuído a Deus, mas é a justiça operada por Cristo em nós na Sua vida terrena. É isto indicado porque a justiça a nós imputada descreve-se como sendo pela fé ou através da fé em Cristo (Romanos 3:21,22; Filipenses 3:9).

(4) A encarnação foi também necessária ao seu ministério docente, à Sua escolha dos doze apóstolos e fundação da igreja, à Sua fixação de um modelo para nós de perfeita obediência à vontade de Deus.

Estas coisas são coisas que Deus viu podiam ser melhor cumpridas por um na carne. Portanto, o Cristo encarnado foi enviado a cumpri-las.

III. SUA DEIDADE

"E o Verbo era Deus" (João 1:1).

"Eu e o Pai somos um" (João 10:30).

"O primeiro homem era da terra, terreno; o segundo é do céu" (1 Coríntios 15:47).

"O qual é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação" (Colossenses 1:15).

"Sendo o resplendor de Sua glória e a própria imagem de Sua substância" (Hebreus 1:3).

"Chamarão o Seu nome Emanuel, que é, traduzido, Deus conosco" (Mateus 1:23).

A noção dos modernistas que Jesus era divino somente no sentido que sustenta ser o homem divino não satisfaz essas passagens. O homem não é divino na sua condição natural. Após a regeneração tem ele uma natureza divina habitando nele, mas também retém a natureza humana pecaminosa. Não se diz nunca que o homem, mesmo depois da regeneração, é Deus, ou que Ele é o "resplendor de Sua glória".

IV. SUA HUMANIDADE

As seguintes passagens mostram que Cristo tinha uma natureza humana:

"Jesus, pois, estando cansado da viagem, sentou-se assim à beira do poço" (João 4:6).

A Deidade não pode cansar-se.

"Quando veio a plenitude do tempo, Deus mandou Seu Filho, nascido de mulher" (Gálatas 4:4).

"Há um Deus, um mediador também entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem Ele mesmo" (1 Timóteo 2:5).

A natureza humana foi em todos os sentidos igual à nossa exceto que Sua natureza humana não foi maculada pelo pecado.

Como Cristo pode ser ao mesmo tempo divino e humano é um mistério além da compreensão da faculdade humana. Nem tem o homem base alguma para uma negação dele. É fato revelado, necessário, como já vimos, à obra que Cristo veio fazer.

V. SEU NASCIMENTO SOBRENATURAL

"Agora o nascimento de Jesus Cristo foi dessa maneira: Quando Sua mãe Maria, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se grávida do Espírito Santo" (Mateus 1:18).

"Eis que uma virgem dará a luz a um filho" (Mateus 1:23) – citado de Isaías 7:14.

"E o anjo respondeu e lhe disse: O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra, pelo que o santo que de ti há de nascer será chamado o Filho de Deus" (Lucas 1:35).

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (João 1:14).

VI. SUA VIDA SEM PECADO

"O que não conheceu pecado fez-se pecado por nós, para que fossemos nEle a justiça de Deus." (2 Coríntios 5:21).

"Porque não temos um sumo sacerdote que não pode compadecer-se de nossas fraquezas, mas um que foi em tudo tentado como nós somos, todavia sem pecado" (Hebreus 4:15).

"Porque nos convinha um sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus" (Hebreus 7:26).

VII. SUA MORTE SACRIFICIAL

Cristo não morreu meramente como um mártir. Num sentido Ele foi um mártir. Sua morte ocorreu, de um ponto de vista humano, por Sua fidelidade à vontade de Seu Pai; mas Ele foi mais que um mártir: Ele foi um substituto de pecadores, morrendo em lugar deles. Isto mostram as seguintes passagens:

"Ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos devia trazer a paz estava sobre Ele e pelas Sua pisaduras somos sarados" (Isaías 53:5).

"O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar Sua vida em resgate por muitos" (Mateus 20:28).

"O qual foi entregue pelos nossos delitos e ressuscitou para nossa justificação" (Romanos 4:25).

"Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras" (1 Coríntios 15:3).

"Cristo remiu-nos da maldição da Lei, fazendo-Se maldição por nós, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro" (Gálatas 3:13).

"O qual levou Ele mesmo em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça, por cuja ferida sarastes" (1 Pedro 2:24).

"Cristo... padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus" (1 Pedro 3:18).

"O sangue de Jesus Seu Filho nos purifica de todo pecado" (1 João 1:7).

"E nisto está o amor, não que amamos a Deus, mas que Ele nos amou e mandou Seu Filho para ser a propiciação pelos nossos pecados" (1 João 4:10).

"A angustia não de mártir não pode ser computada e o desamparo do Pai não se justifica sobre a hipótese que Cristo morreu como simples testemunha da verdade (nem sobre qualquer outra hipótese, exceto a que afirma que Ele morreu como um substituto de pecadores para satisfazer a justiça de Deus). Se os sofrimentos de Cristo não foram propiciatórios, eles nem nos fornecem um exemplo perfeito, nem constituem uma manifestação do amor de Deus... Se Cristo foi apenas um mártir, então não é um exemplo perfeito, pois que muitos mártires mostraram maior coragem ante a perspectiva da morte e na agonia final puderam dizer que o fogo que os consumia era "um leito de rosas". O Getsêmani com sua angustia está aparentemente lembrado para indicar que os sofrimentos de Cristo mesmo na Cruz não foram principalmente físicos" (Strong, Systematic Theology, pág. 399).

VIII. SUA RESSURREIÇÃO

1. COMO PROFETIZADA.

Salmos 16:9,10.

2. COMO ENSINADA POR JESUS MESMO.

Mateus 12:40; 16:4; 20:19; 26:32; Marcos 9:9; Lucas 18:33; 24:26; João 2:19,21.

3. COMO TESTEMUNHADA PELO ANJO.

Mateus 28:6.

4. COMO ENSINADA PELOS APÓSTOLOS.

Atos 2:24; 3:15; 4:10,33; 10:40; 13:30-33; 17:2,3,31; 26:23-26; Romanos 1:4; 4:25; 6:4,5,9; Efésios 1:20; Hebreus 13:20; 1 Pedro 1:3; 3:18; Apocalipse 1:5.

5. COMO PROVADA POR ARGUMENTOS RACIONAIS.

Para argumentos em prova da ressurreição de Cristo, veja o Capítulo 1º.

IX. SUA ASCENÇÃO

1. COMO PROFETIZADA.

Salmos 68:18.

2. COMO ENSINADA POR JESUS MESMO.

João 6:62.

3. COMO RECORDADA PELO ESCRITOR EVANGÉLICO.

Marcos 16:19.

4. COMO RECORDADA PELO HISTORIADOR INSPIRADO.

Atos 1:9.

5. COMO DECLARADA PELOS APÓSTOLOS.

Atos 3:21; Efésios 1:20; 4:8; 1 Timóteo 3:16; Hebreus 4:14; 9:24.

6. COMO PROVADA POR SUA PRESENÇA À DESTRA DO PAI.

Atos 7:56.

X. OS SEUS OFÍCIOS

1. PROFETAS.

Deuteronômio 18:15,18; Mateus 21:11; Lucas 24:19; João 6:14.

2. SACERDOTE

Hebreus 3:1; 5:6; 6:20; 7:11,15-17, 20-28; 8:1,2,6.

3. REI

Números 24:17; Salmos 72:8,11; Isaías 9:6,7; 32:1; Jeremias 30:9; Ezequiel 37:24-25; Daniel 7:13,14; Oséias 3:5; Miquéias 5:2; Zacarias 9:9; Mateus 2:2,6; 19:28; 21:5; 28:18; Lucas 1:33; 19:27; 22:29,30; João 1:49; 12:13,15; 12:19.

Como profeta, Cristo ensinou a vontade de Deus. Como sacerdote, Ele ofereceu o Seu próprio sangue no templo celestial (Hebreus 9:11-14) e intercede pelos crentes (Hebreus 7:25). Como Rei, Ele possuiu todo poder (Mateus 28:18) e rege agora um reino invisível e espiritual (João 18:36,37), e mais tarde regerá visivelmente a terra (Salmos 66:4; 72:16-19; Isaías 2:2; Daniel 7:13,14,18,22,27; Hebreus 10:13; Apocalipse 15:4).

Autor: Thomas Paul Simmons, D.Th.
Digitalização: Daniela Cristina Caetano Pereira dos Santos, 2004
Revisão: Charity D. Gardner e Calvin G Gardner, 05/04
Fonte: www.obreiroaprovado.com

Compartilhe

Leia também

Related Posts with Thumbnails