terça-feira, 22 de junho de 2010

Esboço para pregação - FIDELIDADE INÚTIL

Lucas 15. 25-31

Nas mensagens sobre este texto enfocamos primeiro a figura do pai e nas outras ocasiões enfocamos a figura do filho que saiu de casa. E alguém poderia dizer assim: que bom que nós não somos aquele moço que saiu de casa, desperdiçou parte da sua vida, desperdiçou os seus bens. Que bom que nós estamos na igreja, permanecemos firmes na igreja, nunca nos desviamos da doutrina, do ensino, nunca saímos da igreja, nunca fomos para o mundo e ficamos sempre próximo do pai.

Eu gostaria que nós pensássemos neste personagem que não saiu, que ficou em casa, ele não se afastou do pai, não desperdiçou os bens dissolutamente, não gastou tempo com as meretrizes. Ele foi fiel ao pai o tempo todo. ... Entretanto a sua fidelidade foi absolutamente inútil.

O filho que saiu foi um desastrado, o filho que ficou também foi um desastrado. Toda fidelidade dele, mostrada no seu discurso no versículo 29: “estes anos todos eu tenho trabalhado para o senhor e nunca me recusei, nenhuma vez, a fazer uma só coisa que o Senhor me mandou” e agora ele joga tudo pra cima: “e em todo este tempo o senhor nunca me deu nem mesmo um cabrito para uma festa com meus amigos”..... “Vindo, porém este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as prostitutas, o senhor comemora matando o melhor bezerro que temos na fazenda”....

Na mitologia existe um episódio chamado de “A colcha de Penélope”. Penélope era esposa de Ulysses e quando ele saiu para ilha de Itaca não se sabia se ele havia morrido ou não. Como Penélope era muito bonita se presumiu que ela estava viúva, e aí começaram a aparecer pretendentes à sua porta. Ela não tinha certeza se Ulysses tinha morrido, e tinha esperança que ele voltasse. Então ela disse que se casaria com o primeiro pretendente, quando ela terminasse de fazer uma colcha que estava bordando.. Durante o dia o pessoal olhava pela janela e Penélope estava tecendo a sua colcha, à noite, quando os pretendentes paravam de olhar pela janela ela desfazia a colcha. Então Penélope nunca terminou a colcha até que Ulysses voltou. Então costuma-se chamar de “Colcha de Penélope” aquela pessoa que constrói e de repente desfaz tudo. Joga tudo pra cima....

Aqui está um moço que se parece com o mito de Penélope. Construiu uma imagem de moço fiel ao pai que nunca desobedeceu ao pai, mas depois jogou tudo fora. ........ É a história de muito membro de igreja:

Muita gente que está na igreja, nunca desobedeceu à rotina da igreja, fez sempre tudo o que a igreja mandou. Nunca chegou atrasado aos cultos, nunca teve um problema na igreja, todos os domingos está aqui, participa de todas as atividades, nunca se envolveu em problema algum, em conflito algum, mas a fidelidade é absolutamente inútil. - “Nunca me recusei, nenhuma vez, a fazer uma só coisa que o Senhor me mandou”, diz ele, mas enfiou os pés pelas mãos.

FIDELIDADE INÚTIL! Não estou desprezando a fidelidade, não estou ironizando a fidelidade, não quero que alguém que seja um crente fiel desista da sua fidelidade. Mas a pergunta é esta: quais são as razões da sua fidelidade? Por que você está na igreja? Por que você professa a sua fé em Jesus? Por quê você está neste culto? Por quê participa das atividades da igreja?

INSUBMISSÃO: Esta foi uma fidelidade inútil na vida deste filho e quero alistar alguns motivos pelos quais ela é inútil:
Primeiro, ela é inútil porque nesta fidelidade há insubmissão. Parece uma contradição de termos: fidelidade insubmissa, mas não é! Na realidade este filho nunca amou o pai e nunca ficou com o pai por amor. Primeiro, ele discorda de toda a maneira do pai agir. “Ora, o filho mais velho estivera no campo e quando voltava, ao aproximar-se da casa ouviu a música e as danças. Chamou um dos criados e perguntou o que era aquilo? Ele informou: “veio o teu irmão e teu pai mandou matar um novilho cevado”. Fez isto porque o recuperou com saúde. O filho mais velho se indignou e não queria entrar. Não concordou. O que era motivo de alegria para o pai para ele foi motivo de frustração. Ele não aceita a maneira do pai administrar as coisas.

Trazendo isso para o campo espiritual seria o mesmo de contestarmos a maneira de Deus fazer o que quer com o que é seu. Este fato, de ser preciso Jesus contar uma parábola para defender a soberania de Deus, deveria nos fazer pensar porque certos tipos de doutrinas e de pregações por aí parecem subordinar Deus ao homem, fazendo que Deus seja não o Senhor, mas o executivo cumprindo as nossas ordens, quando a palavra de Jesus vem nos dizer o contrário.

Gente que não se submete a Deus, que se queixa: eu merecia uma coisa melhor, sempre fui um crente tão fiel, por que estou passando por este problema? Nunca deixei de estar na Igreja em todos os cultos, por que é que estou doente, por que fiquei desempregado? Por que estou passando por este tipo de problema? Não era para Deus fazer isto comigo. Ele deveria ter a obrigação de cuidar de mim, de evitar que algum mal me acontecesse.

Quantas vezes nós estamos na igreja, firmes no evangelho, mas o coração é insubmisso? ..... É muito fácil ser fiel quando as coisas vão bem, é muito fácil cantar, louvar e exaltar a Deus quando somos abençoados, mas a verdadeira fidelidade se manifesta quando as coisas estão ruins.

Fidelidade não é só estar na igreja. Não é cumprir os mandamentos bíblicos, a doutrina da igreja. Fidelidade é algo que se manifesta ao desígnio de Deus, à vontade de Deus, é acatar sem questionar, é aceitar aquilo que vemos claramente como sendo a vontade de Deus, sem procurar desculpas, sem racionalizar, sem tentar nos livrar de responsabilidade.

A verdadeira fidelidade não se manifesta apenas quando as coisas vão bem. A verdadeira fidelidade se manifesta quando as coisas nos desagradam: é a vontade de Deus, é o que Deus está fazendo, é o que Deus espera de mim, então estou disposto. ... Este filho foi fiel ao Pai, mais foi uma fidelidade inútil porque não havia submissão, não se conformava à vontade do pai.

AUSÊNCIA DE MISERICÓRDIA: É também uma fidelidade inútil porque é uma fidelidade sem misericórdia. É interessante isso: O moço faz uma pergunta a um criado: O que é isto em casa? O criado diz: veio teu irmão e teu pai mandou matar o novilho. Ele não quer entrar. O pai sai e vai chamá-lo para a festa e a palavra dele mostra o que vai no seu coração: “vindo este teu filho, que desperdiçou os teus bens”....

Primeiro, não era teu filho, era meu irmão que ele deveria dizer! Segundo, não foram os teus bens, foram os bens do moço, porque ele, o que ficou, também recebeu a parte da herança. Mas ele não se alegrou com a volta do irmão. Ele viu o irmão como um rival.

E quantas vezes na igreja a vitória de um irmão, a prosperidade de um irmão é vista com ciúmes, porque se um irmão é melhor economicamente eu fico enciumado, porque um irmão ganha mais espaço na liderança da igreja eu fico com ciúmes.

“Estou aqui há mais tempo do que os novos que estão chegando e deveria ter mais atenção”. - Na realidade o que irmãos assim têm não é uma fidelidade, eles acham que a igreja lhes deve uma placa por tantos anos de igreja... O crescimento dos outros, a alegria dos outros não é a sua alegria. Existe no coração destes irmãos uma Ausência de misericórdia.

E quem tem um irmão como este realmente tem a vontade de ir embora.... E às vezes há irmãos na igreja que dá vontade da gente ir embora mesmo! - É aquele sujeito intragável que causa amargura nos relacionamentos, há falta de misericórdia no trato. Há alegria quando alguém cai. - “Minha sugestão não foi aceita, perdi o cargo para o irmão mais novo, agora não devolvo mais o dízimo, não vou mais a Igreja. Vou mudar de Igreja” .... FIDELIDADE INÚTIL.

Será que amamos a Deus ou amamos as nossas idéias? Sim, porque Deus pode ser um conceito tão amplo onde colocamos o que nós queremos.

Me lembro de um artigo que saiu no Jornal Batista de um crítico musical, dizia ele: “Deus não gosta de órgãos eletrônicos”... Não sei se Deus deu uma procuração a ele para falar em seu nome dizendo que não gosta de órgão eletrônico!? - Ele deveria dizer: eu não gosto de órgão eletrônico. ... Quantas vezes temos as nossas idéias, as nossas concepções de vida, as nossas esquisitices, e colocamos a culpa em Deus. Deus não gosta disso, Deus não gosta daquilo. Eu sou assim porque o Senhor isso, o Senhor aquilo...
Mas o trato é ruim, a pessoa pode estar na igreja, mas se não tem amor pelos irmãos, está estragando a sua fidelidade, pode participar de todos os cultos, engajar-se em todas as questões mas não estende a mão para o crente fraco: isso é uma fidelidade inútil.

Este filho era fiel ao pai, mas discordava dele. Estava lá por interesse. E quantos estão na Igreja por interesse! ... Era fiel ao pai, mas não tinha amor pelo irmão. Em resumo, era alguém profundamente desajustado. Estava lá todos os dias, mas o coração não estava lá. - Ou seja, você pode estar aqui, mas o coração estar lá fora...

INTERESSEIRO: “Este teu filho que desperdiçou os teus bens”... - Isso parece com tanto crente rabugento, amargo, ressentido, que não pode ver ninguém alegre. - Uma fidelidade inútil porque é insubmissa, uma fidelidade inútil porque é sem misericórdia e uma fidelidade inútil porque era interesseira. “Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem e tua e nunca me deste um cabrito se que para me alegrar com os meus amigos”.

Quer dizer, para este daí tu destes o bezerro cevado que estávamos preparando para uma grande festa, agora para mim... Eu queria só um cabritinho, magrinho, mas nem isso, nunca pude trazer os meus amigos aqui na fazenda para um churrasquinho. Agora esse daí que passou o tempo todo com prostitutas, quando volta tem esta festa toda.

Isso tem de nos levar a refletir por que é que servimos a Deus? Para receber coisas? Para ele cuidar de nós? Nós amamos a Deus ou as benção de Deus? Queremos servir a Deus ou ser guardados do mal? Olhamos para a figura de Jesus que merece o nosso amor ou olhamos para Deus como alguém que deve cuidar de nós, nos proteger e quebrar o nosso galho? Quanta fidelidade por interesse!

Você está na igreja porque ama a Jesus ou porque quer um cabrito, um cargo, uma função, um destaque? E se não receber um cabrito vai ficar zangado? Se você perdesse tudo o que tem ainda continuaria a amar a Deus? Ou diria: entrei numa furada com este negócio de igreja. ...É muito bom ter bênçãos, mas a vida cristã não é só isso!

Os grandes vultos do cristianismo foram aqueles que ousaram morrer por sua fé, que estavam norteados não pelo que ganharia de Deus, mas pelo quanto fariam por Deus. O quanto fariam pelo evangelho. Aí voltamos à história do nosso moço, o que ficou, ele era legalista, prendia-se a princípios, mas não amava o irmão!
E a gente vai parecer cada vez mais com o irmão mais velho e também com um fariseu quando amamos mais as nossas idéias, os nossos conceitos, o nosso status, do que a nossos irmãos....

Agora fecha tudo e vamos encerrar a nossa reflexão. Você realmente ama a Deus? Mudaria a sua vida por amor a Deus? Mudaria o seu jeito de ser se soubesse, e às vezes sabe que seu jeito de ser não agrada a Deus? Se desfaria de certos compromissos, de certas ligações que não deve manter, de certas práticas sabendo que elas não agradam a Deus? Você assumiria um novo estilo de vida sabendo que é a vontade de Deus?

Você se submeteria ao querer de Deus, abriria mão de suas coisas, entregaria suas esquisitices para Deus ....e simplesmente aceitaria o que Ele tem o melhor para você?!

Podemos ser um exemplo de moral, podemos ser um exemplo de virtude em relacionamentos, podemos ser aquele crente exemplar que não perde nenhum culto, mas o coração pode ser insubmisso: Lá dentro amargura e ressentimento.
Podemos ser um crente que cumpra todo o programa da Igreja, um rato de igreja, não perde uma atividade, mas não temos o menor gesto de amor pelos irmãos.
Fazer tudo o que nos dão para fazer, mas ainda assim estar fazendo com segundas intenções.....

Só há um motivo para servir a Deus: Amar a Deus! Só há um motivo para a vida cristã: não é o que Ele pode fazer por nós, porque ele já fez, é que Ele merece de nós, o nosso amor e o nosso serviço. Se a nossa vida cristã está direcionada em receber, em ser abençoado, em ser guardado... o exercício da sua fidelidade será sempre inútil!

A verdadeira vida cristã é daquele que diz ao Senhor: “Senhor, eu te amo, na tristeza e na alegria, na benção e na privação, em qualquer momento eu amo ao Senhor e quero serví-lo”. - Que a sua fidelidade não seja sem valor, inútil! - Seja misericordioso com os irmãos, seja submisso a Deus e acima de tudo Ame-o sem esperar nada em troca. - E com certeza ELE também dará uma festa quando recebê-lo em Sua Casa!!!!!

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